
A Copa do Mundo de 2026, organizada pela Fifa, é marcada por contrates em toda a sua abrangência. É a primeira edição com 48 seleções, ante 32 das anteriores; é a única em três países, com a maior parte dos jogos nos Estados Unidos, país que odeia futebol e tem como esportes de massa o Basquete e o Futebol Americano. A outra parte é no Canadá e México, único país a sediar três vezes a competição. É estranho que a maior Copa do Mundo seja realizada num país em guerra com um dos participantes – EUA contra o Irã. O Brasil, pela primeira vez, não é favorito, enquanto o Maranhão viu o seu primeiro jogador na Seleção, Wesley, ser cortado antes da estreia. Carlo Ancelotti é o primeiro técnico estrangeiro à frente do único país que tem cinco títulos e quer o hexa.
O italiano Ancelotti não fala português e treina o único time latino-americano que não fala espanhol e o único no mundo a disputar todas as copas. Mas o maior contraste está na fama da Seleção do Brasil, “país do futebol”, do Rei Pelé, mas sua principal estrela nesta Copa, Neymar, sem garantia de entrar em campo neste sábado, 13, número ambiguamente carregado de superstição cultural. Tanto pode dar sorte, quanto azar. Mas o lendário Zagalo, único tetracampeão mundial de futebol usava o 13 como amuleto da sorte como devoto de Santo Antônio (celebrado em 13 de junho) e em homenagem à esposa Alcina. Ele gostava de repetir: “Brasil campeão tem 13 letras”.
Saindo do ambiente místico, a Seleção chega ao Mundial imersa em outros contrastes: é o elenco mais velho entre os grandes. Mescla jovens promessas e veteranos e vive um misto de desconfiança popular e otimismo tático pelo currículo de Carlo Ancelotti. Até a campanha de 2026, além de carregar a tradição da camisa da Nike, renderam polêmica nas redes sociais até os trajes oficiais de viagem, desenhados por Ricardo Almeida, que substituiu os blazers do passado por um estilo mais contemporâneo. A seleção entra em campo com a maior média de idade (28,65 anos) entre as principais potências do futebol. Os caçulas do Brasil são Endrick e Ryan, ambos com 19 anos, e o mais velho, o goleiro Weverton, 38.
Faz 56 anos que a Seleção Brasileira encantou o mundo com a Taça Jules Rimet em 1970 em pleno regime ditatorial. O general Garrastazu Médici interferiu direto na decisão do técnico, mandando colocar o atacante Dadá Maravilha. Como João Saldanha, militante de esquerda, não atendeu, foi demitido e trocado por Zagallo. O Maranhão naquele ano, último do governo José Sarney, foi marcado por grandes obras de infraestrutura, urbanização na capital, com a Ponte José Sarney, barragem do Bacanga, Av. Kennedy, bairro Anjo da Guarda, o surgimento do reggae nas rádios, além de violentos conflitos agrários no campo e o êxodo para a capital, de migrantes do interior e do Nordeste, fugidos da seca.
De Copa em Copa, o Brasil vai tendo eleições. Até na ditadura elas ocorreram de forma enviesada, mas eram eleições. Em 1970, o médico Pedro Neiva de Santana foi “eleito” governador por 17 votos da Assembleia Legislativa – na época com apenas 21 deputados. O general da reserva Colares Moreira foi o vice, com José Sarney e Alexandre Costa, eleitos senadores pelo voto popular. Como só havia os partidos Arena e MDB, Epitácio Cafeteira concorreu ao Senado e perdeu. Dos sete deputados federais, a Arena elegeu seis e o MDB apenas Freitas Diniz. Dos 21 estaduais, foram 18 da Arena e três do MDB.
O Maranhão não tinha TV em cores e nos bairros havia os famosos telepostos, com aparelhos de televisão instalados em estruturas no alto, trancadas a cadeado. Quem não tinha TV em casa, assistia na praça. E quem possuía, abria a janela da frente para os vizinhos assistirem, o hilárico “televizinho”. A copa ao vivo só chegava até o Piauí, pela micro-onda da Embratel. Os maranhenses lotavam o Trem de Refesa para assisti-la em Teresina. Foi assim, com seus contrates e o rádio tendo mais valor do que uma TV 4k, que o Maranhão viveu a copa mais importante da Seleção Canarinha.