A virada de 2026, como sempre acontece, muita gente abusou da gastronomia, transmitiu mensagens de “Ano Bom” e famílias se reuniram na expectativa de prosperar nos próximos 365 dias. Porém, os políticos aproveitaram para ensaios sociológicos sobre o que, de fato, lhes interessam no jogo eleitoral de outubro. Estão treinando as jogadas que precisam praticar na campanha. As jogadas são partes do jogo que envolve estratégia, negociação, observação, análise e caminhadas rumo ao poder. No Maranhão, a primeira semana de janeiro foi marcada por um tête-à-tête entre o governador Carlos Brandão e o seu vice Felipe Camarão no Palácio dos Leões – fato que há muito tempo não acontecia.
Num encontro descontraído, animado até com piadas, Brandão, finalmente chegou ao ponto: propôs que os dois renunciassem em abril para concorrer às eleições. O governador disputaria o Senado Federal e vice, a Câmara dos Deputados. O governo, por sua vez, seria ocupado, por nove meses, pela deputada Iracema Vale, presidente da Assembleia Legislativa, (Alema), mediante uma eleição indireta no parlamento. O candidato a governador seria o jovem Orleans Brandão (MDB), com o palanque oficial único no grupo de 2014 a 2022, reforçado com a presença de Lula Inácio Lula da Silva, do PT de Camarão, concorrendo a 4ª temporada no Planalto. Sem perder o humor, Felipe, de pronto, recusou.
Há informações de duas fontes confidenciais que confirmam um convite do prefeito Eduardo Braide (PSD) para Felipe Camarão disputar o Senado pela sua chapa, cuja candidatura a governador, por enquanto, não tem martelo batido. O PT maranhense está sob uma comissão provisória, com nove votos que decidirão o rumo da legenda, levando 2,3 min de tempo na TV. Suas correntes internas, sempre divididas, têm empate de 4 x 4 entre Orleans e Camarão. Um convencional está em cima do muro, mas tem cargo no governo estadual, onde o partido bate ponto na chefia de quatro secretarias com dezenas de posições intermediárias.
Por outro lado, é negável que Lula e Brandão voltarão a debater as eleições do Maranhão, nas quais o presidente tem todo interesse nas duas vagas no Senado. Estão no páreo Weverton Rocha (PDT), e ministro André Fufuca (Federação PP-UB) e Eliziane Gama (PSD). Fufuca disse a este jornalista que não abrirá de concorrer ao Senado, mas o Planalto mandou pesquisar com ele para os Leões. Coincidência, no encontro de Lula com Brandão em 11 de dezembro, o presidente surpreendeu: “Que tal uma 3ª via com Fufuca para o governo e unificar o grupo no mesmo campo de 2022?” Brandão ouviu e ficou calado, mas depois informou ao presidente do PT, Edinho Silva que o ministro não é consenso e ele prefere Orleans.
Todas essas articulações políticas fizeram da corrida ao Palácio dos Leões um jogo de xadrez, com seus movimentos calculados e cada ação buscando ofuscar o adversário. Não custa olhar o “Jogo da Vida”, clássico do tabuleiro da Estrela/Hasbro, que simula as fases da vida adulta com decisões sobre política, carreira, casamento, filhos, mais dinheiro e pontos. É Bem diferente do famoso “jogo da Morte” (coreano) no qual um homem condenado ao inferno deve reviver e morrer em 12 vidas diferentes para aprender o valor da vida real. Logo, entre os dois jogos, a astuta calculista conta pontos fundamentais para quem busca o poder político a partir da intuição, do conhecimento misturado a uma dose de sorte.
Se movendo nesses cenários de filme de suspense e jogadas desconcertantes, Brandão olha por cima do muro do Palácio dos Leões e tenta vislumbrar os movimentos de Braide no vizinho Palácio La Ravardière. Braide, por sua vez, faz o mesmo na direção oposta, enquanto Felipe Camarão quer a cadeira de governador por nove meses e recusa ser deputado federal por quatro anos. Brandão prefere perder oito anos no Senado Federal em troca de arriscar eleger o sobrinho Orleans. O presidente Lula prefere dois senadores aliados a um governador que não vota no Congresso. Já o PT faz o “jogo da velha”, aparentemente simples, mas cheio de nuances que se cruzam e se separam.