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Negócio bilionário

Neres Pinto - Tiro Livre

A Copa do Mundo de Clubes de Futebol, que acontece nos Estados Unidos, assim como o Mundial de Seleções, é um negócio bilionário onde a FIFA vende sua marca e seus direitos televisivos às empresas que acreditam estar diante da maior oportunidade publicitária do planeta. Além disso, são evidentes os interesses econômicos e políticos envolvidos em eventos deste tamanho, muito maiores do que apenas uma paixão pelo esporte das multidões. Afinal, são 32 clubes representando todos os continentes. A fase de grupos reúne oito grupos de quatro equipes, onde as duas melhores de cada chave avançam às oitavas, com “mata-mata” até a decisão final. A bola rola durante 29 dias.

Enquanto a Série A do Brasileiro e outras com representação continental param durante um mês, a FIFA e várias empresas globais ficam abarrotadas de dinheiro. Os clubes dos centros esportivos menores, técnica e financeiramente, por sua vez, não ganham absolutamente nada. Agora, apesar destes aspectos bastante escancarados aos olhos de quem gosta, e dos que não gostam de futebol, há de se reconhecer que, como espetáculos a oferecer, a competição tem uma aceitação popular muito grande. Até porque há um enorme percentual de torcedores que hoje em dia são muito mais apaixonados pelos clubes do coração do que pela Seleção Brasileira, representada nos últimos anos por atletas tecnicamente limitados, razão pela qual não conquista uma Copa desde 2002. 

Também dá para perceber o tamanho da audiência da televisão, mesmo nos horários em que são transmitidos duelos de equipes de outros continentes. É que o torcedor também está cansado de ver jogos de baixo nível técnico em todas as divisões do Campeonato Brasileiro.

Até aqui, os espetáculos não chegaram a ser um primor, tecnicamente, mas o nível e a motivação mostram, inegavelmente, que a aceitação popular leva os promotores a um clima de euforia, por considerar o sucesso financeiro, e de público, elementos capazes de consolidar a realização do evento por muitas décadas. Ou seja, quanto mais copas, mais bilhões serão divididos por um seleto grupo de investidores e cartolas.

Se for para o bem do futebol como um todo, que este Mundial de Clubes permaneça. No entanto, é preciso que a FIFA e as confederações olhem para os centros menos favorecidos e possibilitem, a todos, melhores condições de sobrevivência, pois destas regiões também saíram jovens talentos que hoje vestem camisas de vários clubes considerados verdadeiros gigantes mundiais, muitos dos quais estão, inclusive, sendo vistos agora nos States.

Euforia
Há coisas que só acontecem com o Botafogo-RJ, sejam boas ou ruins. A vitória sobre o PSG da França, campeão europeu e considerado o melhor time do mundo neste momento, já diz tudo. Nem mesmo a maioria dos botafoguenses esperava ver tanta aplicação tática e disposição do alvinegro. O Glorioso pode até não ser finalista do Mundial, mas só o fato de ter desbancado o Bicho Papão já lavou a alma de seus torcedores. Aliás, este triunfo histórico também serviu para valorizar o nosso futebol e estimular os demais clubes brasileiros a encarar os adversários do Velho Continente sem medo de serem felizes.

Você sabia?
A Fifa vai distribuir US$ 1 bilhão (R$ 5,59 bilhões) para todos os participantes do Mundial. O prêmio é dividido entre valores fixos, de acordo com os continentes, e os variáveis, referentes ao desempenho dos times na competição. Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo estão embolsando US$ 15,21 milhões (R$ 85 milhões) só por disputar a competição.

Prêmios
A entidade paga US$ 2 milhões (R$ 11,2 milhões) a cada vitória e US$ 1 milhão (R$ 5,59 milhões) por empate na fase de grupos. A partir da fase final, o campeão receberá um cheque de US$ 40 milhões (R$ 223,7 milhões). Isso significa que, se algum clubes brasileiros conseguir uma campanha perfeita, vai embolsar até US$ 102,835 milhões (R$ 575,2 milhões).