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Entendam!

Neres Pinto - Tiro Livre

Todos os desportistas maranhenses estão torcendo para que os representantes do estado no Campeonato Brasileiro façam boas campanhas e consigam subir degraus, mas ninguém pode ignorar que no futebol só existem três alternativas: ganhar, perder ou empatar. Ou seja, são iguais as chances de subir, cair ou não ir a lugar nenhum.

O calendário da CBF nesta temporada, reserva o período de disputa da Série D, onde estão Sampaio, Moto, Imperatriz e IAPE, de 4 de abril a 13 de setembro. O MAC está na Série C, que vai até 25 de outubro para oito equipes que chegarem às fases decisivas. Nas duas competições, as equipes só permanecerão em atividade caso superem as etapas classificatórias até 30 de agosto. Como os campeonatos estaduais só terão início na segunda semana de janeiro, isso significa dizer que, aqui, ficaremos sem futebol até cinco meses.

O que poderia amenizar esse quadro seria a realização de torneios locais a partir de setembro, como a Série B (divisão de acesso) do Maranhense e a Copa FMF para indicar um dos representantes na Copa do Brasil do ano seguinte, como já acontece em vários estados que não possuem equipes nas séries A e B do Brasileiro. Ocorre que no estado do Maranhão não vai acontecer nem uma coisa nem outra. 

Até a Segundinha foi antecipada para começar dia 30 de maio, no mesmo período em que os clubes da primeira divisão estarão disputando as competições da CBF, concorrendo os espaços de divulgação na mídia com a Copa do Mundo.

“Eita inteligência pai d’égua!”, diria Chico Anísio. Quais são as justificativas para tanta pressa neste início da segunda divisão do Maranhense? Qual o tamanho do prejuízo que a paralisação do futebol profissional causará a quem depende dele direta ou indiretamente para se manter em atividade? Técnicos, preparadores físicos, supervisores, atletas, massagistas, funcionários e outros profissionais vão fazer o quê neste período de setembro a janeiro? Narradores, comentaristas e setoristas vão falar o quê sobre o futebol maranhense durante cinco meses?

Já estamos há quase um ano de incertezas no comando do nosso futebol, onde ninguém sabe qual será o destino desta novela chata e desnecessária – pode vir coisa pior se a CBF obedecer às recomendações da FIFA -, e agora nos encaminhamos para um período dos mais difíceis, que vão custar muito caro para uma recuperação a médio prazo.

Pelo visto, tem algumas pessoas querendo ir para a história do futebol como coveiros, isto é, aquela figura responsável pela preparação, abertura e fechamento de sepulturas. Misericórdia, Senhor!

Onde e quando jogar?
Vejam bem: vamos ter quatro equipes da capital disputando o Campeonato Brasileiro e mais o MAC na Copa do Nordeste. Na segunda divisão (Segundinha), também teremos o São Luís, Americano, Araioses, Expressinho, São José de Ribamar e Tupan. Temos apenas três estados na Ilha: Castelão, Nhozinho Santos e Dário Santos. Aí está um bom quebra-cabeças para os organizadores desse torneio na montagem da tabela. É bom lembrar que o período chuvoso em nossa região geralmente vai até meados de agosto.

Boa ideia
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem demonstrado maior preocupação com a sequência de atividades desse esporte nos estados menos desenvolvidos, principalmente nos que não têm clubes disputando as séries A e B do Brasileiro. 

No meio da semana, a CBF encaminhou ofício às federações que possuem até três vagas no torneio, para que destinem uma dessas vagas por torneios seletivos ou copas governamentais. Aqui, apesar de haver datas disponíveis, nem se fala na volta da Copa FMF no ano que vem. 

Esta competição organizada pela administração anterior, foi extinta por imposição dos próprios dirigentes de clube. A competição também deixava opção para uma das vagas na Série D do Brasileiro. Acham que o melhor para o nosso futebol é parar quatro meses. Então tá!