opinião

15 de março de 85 : José Sarney e a democracia

Márcio Jerry - jornalista e deputado federal (PCdoB)

Em 15 de março último foi muito lembrada aquela histórica data em 1985, quando José Sarney na condição de vice-presidente eleito na chapa liderada por Tancredo Neves foi empossado presidente da República. Momento agudo de nossa história acentuado ainda mais com a doença que impossibilitou a posse de Tancredo em março e o levou à morte um pouco mais de um mês depois, em 21 de abril.

A vitória de Tancredo Neves a presidente no Colégio Eleitoral foi o desfecho de amplas mobilizações na sociedade que acabaram por ter forte impacto no enfraquecimento do polo de poder que desde 1964 dava sustentação política por longos 21 anos à ditadura militar.

Em meio a gigantesca mobilização em todas as regiões do país a emenda Dante de Oliveira propondo a volta das eleições diretas foi derrotada mesmo tendo 298 votos favoráveis contra 65 num escrutínio ao qual faltaram 113 deputados. Era necessário um quórum de 320 votos para a proposta seguir ao Senado.

Sem eleições diretas as energias se voltaram para a montagem de uma chapa oposicionista no Colégio Eleitoral. É nesse contexto, após um racha na base do governo , que a vaga de vice presidente caiu no colo de José Sarney, que ironicamente até bem pouco tempo era nada menos que o presidente do governista PDS.

A morte de Tancredo Neves escreveu um roteiro totalmente imprevisto, cabendo a José Sarney dar cumprimento a compromissos, acordos e agendas institucionais celebradas sob comando de Tancredo e Ulysses Guimarães. Já político experiente e habilidoso e a despeito de não ter tido nenhuma participação nos movimentos pró-democracia, Sarney conseguiu êxito na pauta política do país de garantia da redemocratização, que teve no Congresso Constituinte e consequente Constituição Cidadã um desfecho histórico que em 40 anos vem sendo confirmado.

Se não teve qualquer participação no movimento pró-democracia que levou à vitória no Colégio Eleitoral, sem dúvida José Sarney teve papel importante no exercício da Presidência da República como substituto de Tancredo e sucedâneo de seus compromissos, especialmente o que relacionado à consolidação do caminho para a definitiva democracia.

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Márcio Jerry
Márcio Jerry Colunista