opinião

Palavra dada e sentença 

Márcio Jerry, deputado federal pelo Maranhão e ex-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência

Eu estava no café da manhã num hotel em Pinheiro em setembro do ano passado cumprindo na região agendas de campanha eleitoral. Ao cumprimentar em uma mesa um colega parlamentar fui abordado por um senhor que o acompanhava. Trajava terno que o fez se parecer com um advogado.

Com voz solene pediu minha atenção para falar algo. “Deputado, na politica a palavra deve sempre ter o valor de uma sentença”, proferiu e eu assenti com a cabeça ao que ele completou ainda mais solene e enfático : “sentença transitado em julgado”. E nada mais disse.

Recordo sempre disso nos debates sobre os “contratos” de palavra no exercício da política. Há uma referência frequente à boa política associada a dar e cumprir a palavra. E isso confere um status de seriedade, de valor ético e moral. Algo que faz de quem tem palavra um tipo de político distinto do  malandro que sempre fala ao sabor das conveniências e não guarda nem até amanhã o que hoje pronuncia.

De fato, palavra dada e não cumprida deteriora a política, fratura a confiança e reforça a prática condenável do mais explícito e escancarado oportunismo e até desfaçatez. Algo portanto deletério para a boa prática da política e terreno fértil para o seu amesquinhamento ao sabor das conveniências.

Temos visto na atual cena politica do Maranhão muitos acordos tácitos sendo rapidamente deletados. Casos em que foram feitos acordos para gerarem e geraram determinadas situações, asseguraram importantes conquistas, fizeram celebrar vitoriosas alianças, e que agora são completamente ignorados, absolutamente negados mesmo tendo sido feitos à luz do dia e à vista de todos.

Fatos que depreciam o valor da palavra dada, fragilizam a política, descumprem e frustram o conceito assertivo do interlocutor de Pinheiro: – “na politica a palavra deve sempre ter o valor de uma sentença. E sentença transitado em julgado”, portanto sem grau de recurso para refazê-la.

Mas esse valor de cumprimento da palavra dada, antes de necessidade da boa política, é antes de tudo uma atitude de vida, de respeitar escrupulosamente a virtude segundo a qual cumprir a palavra é uma questão de honra.