
Na noite do último sábado (04/04), na Associação Maranhense de Escritores Independentes (AMEI), tive a honra de participar do lançamento do mais novo livro de autoria do fotógrafo Meireles Junior, “Joias da Arquitetura Civil Portuguesa: Casario de São Luís do Maranhão”. Por meio das lentes desse conceituado profissional, pude contemplar imagens de raro e refinado bom gosto — um registro sensível e artístico da arquitetura histórica de nossa cidade de São Luís.
Através de sua câmera fotográfica, de forma indelével, ele conseguiu captar, em cores e sombras, a essência dos antigos casarios presentes no Centro Histórico, cuja beleza e mistério remetem à influência dos imponentes casarões das cidades portuguesas de Lisboa, Porto, Braga, Sintra, Guimarães, Coimbra e Fátima.
Sou suspeito para falar de Meireles Junior, pois mantemos uma longa amizade. Foi ele quem fez o registro fotográfico do meu casamento e eternizou momentos especiais de minha família.
Na elaboração desse importante livro histórico, o fotógrafo traduz em cores e formas aquilo que os ludovicenses sentem: o orgulho de viver em uma cidade cujo patrimônio arquitetônico e cultural lhe conferiu, em 1997, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco.
Minha relação com São Luís começou em 1976, quando cheguei aqui aos 12 anos de idade. Vim de Loreto, uma pequena cidade no sul do Maranhão, movido pelo sonho de estudar e trabalhar. A capital, com suas ruas de pedras de cantaria, casarões imponentes e a brisa suave que vem do mar, logo se tornou minha segunda casa. Caminhando por suas vielas e becos, aprendi a admirar cada detalhe de sua arquitetura, cada azulejo que reflete séculos de história, cada sacada de ferro que testemunhou tantas gerações.
No próximo mês de setembro, São Luís completará 413 anos de fundação — uma cidade quatrocentona, repleta de história, cultura e encantos que atravessam os séculos, mantendo-se viva na memória de quem nela pisa, mora ou a contempla.
A origem de São Luís é um tema que desperta curiosidade e acende debates. Segundo a historiografia clássica, é a única cidade brasileira fundada por franceses, invadida por holandeses e colonizada por portugueses. No entanto, a professora Maria de Lourdes Lauande Lacroix, em seu livro A Fundação Francesa de São Luís e seus Mitos, defende que a capital maranhense teria sido fundada pelos portugueses, sob o domínio de Jerônimo de Albuquerque. Embora eu me alinhe à corrente majoritária que credita aos franceses, sob o comando de Daniel de La Touche, a fundação de São Luís em 8 de setembro de 1612, não se pode negar a marcante influência portuguesa, que moldou a arquitetura da cidade com seus casarões de azulejos — uma herança inconfundível de Lisboa.
Hoje, ao andarmos pelo Centro Histórico de São Luís, verificamos muitos imóveis fechados e em ruínas, o que corta o coração de quem vive e ama esta cidade encantada.
Que os gestores públicos tenham um olhar atento à conservação desse patrimônio, para que as próximas gerações possam sentir o mesmo encanto que sentimos ao andar por suas ruas e ouvir os ecos do passado em suas praças e ladeiras. Que São Luís, a Ilha do Amor, siga sendo contada, decantada e fotografada com maestria por esse notável profissional da imagem e, sobretudo, cuidada e amada por todos nós.
Parabenizo o esforço e a iniciativa do artista Meireles Júnior, pois, por meio de seus belíssimos trabalhos, ele oportuniza que outras pessoas conheçam as belezas de nossa São Luís e façam um paralelo entre as referências que unem o Maranhão à sua terra-mãe: Portugal.
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