
Se fosse uma pessoa, que resposta a Economia Brasileira poderia dar à pergunta acima caso ela lhe tivesse sido dirigida? Em geral, a resposta padrão a tal questionamento, quase sempre focado no estado de saúde do perguntado, costuma ser um lacônico TUDO BEM! Sendo ela a respondente, a Economia Brasileira poderia
fazer esta mesma afirmativa? Ao longo do último século, a Economia Brasileira passou por transformações que a trouxeram até os dias atuais. Nas primeiras décadas dos anos 1900, a gestão econômica brasileira e o seu setor privado voltaram-se e conseguiram com bastante êxito promover a modernização da economia e a urbanização do país. Nesta fase, ele deixou de ser eminentemente agrário, criou moderna indústria, inseriu-se exitosamente no comércio internacional e implantou avançados sistemas financeiro e de comércio de bens e de prestação de serviços.
Já sob o Regime Militar implantado em 1964, tornou-se importante “player” econômico global, convivendo permissivamente, porém, durante este tempo com insidiosa crise fiscal que gerou um estado hiperinflacionário e de desorganização do setor público que perdurou durante 20/30 anos. Esta crise só foi abordada e resolvida na primeira metade dos anos 1990, depois da edição do PLANO REAL. Uma característica deste longo período de transformações da/na economia do Brasil foram DESCONTINUIDADES POLÍTICAS E GERENCIAIS em projetos que teriam sido responsáveis por muitos “benefícios” na economia e prevenido muitos “efeitos colaterais” com os quais ainda hoje o país convive, agora em “estado crônico”. A fase de hiperinflação dos anos 80 e 90 constitui o mais grave legado deste estado de coisas.
O sucesso do PLANO REAL, quer como criação de um novo padrão monetário nacional, quer como estratégia embrionária de um NOVO ESTADO, contudo, acabou por tornar-se uma OPORTUNIDADE PERDIDA para o surgimento de uma outra realidade. O retorno da Democracia no país a partir de 1985 permitiu ao Brasil a saudável alternância de governos com orientações políticas e ideológicas diversas à frente do Executivo, mas com algo em comum entre si: TODOS se caracterizaram, em maiores ou menores graus, por práticas de IRRESPONSABILIDADE FISCAL. A HEREANÇA MALDITA desta situação, termo tão caro quanto leviano do vocabulário LULISTA, pode ser avaliada no montante estimado de gastos do governo com juros da dívida pública em 2025. Este valor é atualmente uma das principais despesas do Orçamento Geral da União.
Segundo recentes informações, ele seria até outubro, no acumulado de 12 meses, próximos ou maiores que R$ 980 bilhões, acima dos gastos em Educação e Saúde, e pode comprometer mais de 50% do Orçamento em certos períodos, limitando investimentos sociais e mostrando a pressão do endividamento sobre as contas públicas. Auditorias independentes apontavam gastos de 1,313 trilhão em JUROS E AMORTIZAÇÃO, correspondentes a mais da metade do orçamento total, até junho de 2025.
Já quanto à Dívida Bruta do Governo Geral, em outubro deste ano atingiu um recorde histórico de aproximadamente R$9,86 TRILHÕES, sendo possível que este valor tenha fechado o ano de 2025 em cerca de 92% do PIB. De outro lado, o atual esforço fiscal para estabilizar a dívida pública do PIB de superávit primário não vem sendo alcançado, mas, pelo contrário, têm existido sistematicamente déficits desde 2014. Com estes MARCADORES em seus EXAMES, como, então, vai a ECONOMIA BRASILEIRA, ao final de 2025? Poderia responder TUDO BEM ou precisaria desfiar um rol de motivos para justificar as evidências de que não está TUDO BEM? A segunda opção parece a mais fiel à realidade com que se chega ao ano eleitoral de 2026.