
No aniversário do meu pai, e às vésperas do Dia dos Pais, celebro não só a sua vida, mas o privilégio de tê-lo ao meu lado (todos os dias). Daqui a dois dias, vamos amanhecer com domingo do Dia dos Pais raiando, hoje, sexta-feira, dia 8 de agosto, é o aniversário do meu. Às vezes cai no domingo do Dia dos Pais o que o deixa muito faceiro, é do tipo que fala pra quem passa na rua “hoje é meu dia em dobro, é dia dos pais e meu aniversário” até porque vergonha é uma palavra que meu genitor não conhece; e às vezes coincide com o sábado, que não diminui sua empolgação.
Quem tem um pai como o meu entende que os seus dias são todos, cheios de obrigações e histórias novas pra contar, planos, novidades, com a vida agitada a seu modo. E como eu posso descrevê-lo pra vocês? Bem, pra quem o vê apenas fisicamente, o chamam de bigodudo, o cearense (que na verdade é piauiense), o caminhoneiro, o técnico, o cara do ventilador… De fato, meu pai tem algumas profissões.
Hoje é seu aniversário de 56 anos, dos quais 26 eu estive presente (fui o presente).
Olha, não é querendo ser clichê, mas o meu pai é um homem da família tradicional brasileira, do jeito bom da frase, se é que a política, a esquerda e a ideologia não tenham estragado essa classificação. Não acho justo dizer que é só um bom pai, é tão pouco dizer isso, “bom”, chega a ser MINÚSCULO. É um ótimo, um nível hardcore ultra pro max, e quando houver uma classificação além disso, lá seu nome estará.
A criação sempre foi com liberdade, muita conversa e conselhos. Criou e cria suas filhas tão desejadas (eu e uma irmã. Sim, pois sempre foi seu sonho ter duas meninas e Deus o concedeu; inclusive, sempre conta essa história e eu amo), para terem suas próprias escolhas e para conhecerem o mundo e a sua diversidade.
Pra mim, ele é o famoso porto seguro E, neste dia, quero deixar esta homenagem para Eunilson Mororo (sobrenome que herdei e uso com muito orgulho, óbvio). Vim dizer que sua caçula sente muito orgulho de tudo o que o senhor é, do que foi, do que construiu e ainda vai construir. Orgulho de todos os ensinamentos que recebi, de todo o acolhimento que sempre me deu.
Não há nada no mundo que me dê mais certeza de que tudo vai ficar bem do que saber que o encontrarei no fim do dia ou no meio do expediente para uma conversa. Ele está lá (sempre). E que, graças a essa pessoa que Deus me permite ter até hoje, com seu senso de responsabilidade, proteção e provisão, eu pude ser, com confiança, o que sou hoje: sua menina de ouro.
…De tudo que ele me ensinou e segue ensinando (mesmo nas brigas, quando os ânimos estão aflorados e já foi dito mil palavras). Me ensina a ser forte sem perder a alegria de viver, me mostra que não existe vergonha em recomeçar, e que dignidade não depende de quanto se tem no bolso.
Meu pai é desses.
Dos que não precisam levantar a voz pra impor respeito (até porque, no seu tempo, o importante mesmo era ter um bigode)
Dos que amam nos gestos, no cuidado com o óleo e a água do carro da filha (que nem é dela, é seu), na janta se ela chegar tarde, no ‘ você sabe que eu resolvo’. Foi nesse tipo de amor que eu cresci, e é esse tipo de amor que me moldou.
“Ter um pai presente é a vantagem mais injusta que alguém poderia ter” vi essa frase em um desses vídeos da internet e eu sei que essa frase dói pra quem não teve.
Mas não posso deixar de reconhecer o privilégio que é acordar todos os dias sabendo que ele está lá.
Que, se eu cair, ele segura.
Se eu errar, ele orienta.
Se eu sumir, ele procura.
Se eu voltar, ele acolhe.
Depois que um pai mostra à filha qual é o seu valor, nenhum outro que seja inferior será suficiente. E é exatamente esse meu valor que seu Nilson mostrou e mostra que tenho, todos os dias, com gestos pequenos, grandes e imensuráveis.
Me criou com confiança para ser quem eu sou, me deu lugar de destaque em sua vida, sonha junto comigo e comemorar a realização como se fosse dele ( e é também), me ajudou a chegar a espaços inimagináveis dentro da sua própria realidade. Obrigada pro tudo.
Neste 8 de agosto, celebro o seu aniversário, pai.
E também agradeço, em dobro, porque não é só sobre mais um ano de vida,
é sobre mais um ano de presença.
E, pra mim, isso é tudo.