coluna

Bumba…. meu boi

Euges Lima é historiador, professor, bibliofilo, palestrante e ex-presidente do IHGM

O Bumba-meu-boi é uma das mais importantes manifestações da cultura popular brasileira, tendo no Maranhão sua expressão mais rica e diversificada. Apesar de sua enorme relevância histórica e cultural, as origens desse folguedo ainda permanecem envoltas em muitas dúvidas e lacunas documentais.

A própria história do Bumba-meu-boi maranhense ainda não foi satisfatoriamente escrita. Existem alguns estudos pioneiros e importantes, mas são raros os avanços capazes de reconstruir, com maior precisão, sua trajetória histórica. A principal dificuldade reside na escassez de fontes documentais referentes aos seus primeiros tempos.

Uma das questões mais intrigantes é justamente saber quando o Bumba-meu-boi surgiu no Maranhão. Não há uma resposta definitiva. É possível que suas primeiras manifestações remontem ao final do século XVIII, embora não existam documentos conclusivos que comprovem essa hipótese. O professor Ruben Almeida defende que suas origens remontam ainda ao período colonial.

Outra curiosidade diz respeito ao próprio nome da brincadeira. Durante muito tempo, era comum que o folguedo fosse chamado simplesmente de “Bumba”, sem a expressão completa “Bumba-meu-boi”. Esse uso aparece em registros antigos e desperta uma interessante questão sobre a origem da palavra.

Mas, afinal, o que significa “Bumba”? Seria uma espécie de convite ou ordem para o boi dançar, como em “Bumba, meu boi!”? Ou o termo teria relação com os instrumentos de percussão que acompanham a brincadeira, especialmente as zabumbas e os grandes pandeirões?

Também é possível que a palavra tenha surgido como uma onomatopeia, isto é, uma imitação sonora do ritmo marcado pelos instrumentos durante as apresentações: “bumba, bumba…”. Essa hipótese aproxima o nome do universo musical que caracteriza o folguedo e reforça a importância da percussão em sua identidade.

Enquanto novas pesquisas não respondem definitivamente a essas questões, o Bumba-meu-boi continua sendo um fascinante objeto de investigação histórica. 

Conhecer suas origens é também compreender melhor a formação cultural do Maranhão e preservar uma das mais extraordinárias expressões do patrimônio cultural brasileiro.

Compartilhar
Euges Lima
Euges Lima Colunista

professor, historiador e vice-presidente do IHGM