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No Maranhão

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COLUNA

Adesão à Independência deveria ser melhor festejada

Há 195 anos, no dia 28 de julho, o povo maranhense decidiu pela adesão à Independência do Brasil do domínio português, portanto quase um ano depois do grito do Ipiranga proclamado por D. Pedro I, às margens do riacho Ipiranga na zona rural (à época) da cidade de São Paulo. Atestam os estudos daquele tempo, […]

Há 195 anos, no dia 28 de julho, o povo maranhense decidiu pela adesão à Independência do Brasil do domínio português, portanto quase um ano depois do grito do Ipiranga proclamado por D. Pedro I, às margens do riacho Ipiranga na zona rural (à época) da cidade de São Paulo. Atestam os estudos daquele tempo, que “o Maranhão era rico e tinha forte ligação com Portugal, por isso, resistiu até o último momento quanto a aderir à independência do Brasil em relação àquele país. Foi preciso cercar São Luís por mar e ameaçar destruir a cidade para que o província se rendesse por completo.
No inico dos anos de 1800, São Luís era uma das principais cidades do território brasileiro e se mostrava altamente viável, pois a elite residente na região era formada por cidadãos portugueses que reproduzia aqui em terras maranhenses o jeito de ser lusitano. As marcas desse período pode ser constatado facilmente, por isso, basta ao estudioso do assunto fazer uma caminhada por entre ruas, becos, ladeiras e o rico patrimônio histórico e arquitetônico no centro da capital maranhense.

Ainda naquele tempo, as famílias mais abastadas enviavam seus filhos para estudar na europa, especialmente na cidade de Coimbra (Portugal) que até hoje é um dos principais polos culturais e educativo português. Assim São luís e nossa terra se transformaram em ponto de referência da intelectualidade brasileira, que, entre outros codinomes, passou a ser conhecida como a “Atenas Brasileira”, em função dos grandes nomes de intelectuais (poetas, escritores, historiadores e formadores de opiniões) que foram sendo legitimados e reconhecidos nacionalmente ao longo do tempo.

Ficando somente nestas características do conjunto do patrimônio histórico e arquitetônico e a influência cultural e educativa portuguesas no Maranhão, os patrícios que aqui residiam se rebelaram em não aceitar a independência do Brasil, pois estariam pondo em perigo o valoroso patrimônio econômico que se edificou na capital maranhense e nas adjacências da ilha de São Luís. Abrir mão desses bens imateriais era para muitas famílias abrir mão de bens construídos com muito suor e trabalho.

Dessa forma “A independência do Brasil aconteceu tendo como grande marco o grito da independência que foi realizado por Pedro de Alcântara (D. Pedro I durante o primeiro reinado), às margens do riacho Ipiranga, no dia 7 de setembro de 1822. Com a independência do Brasil declarada, o país transformou-se em uma monarquia com a coroação de D. Pedro I.” Essa declaração de independência foi marcada por adesões e rebeliões que eclodiram em várias regiões do país, entre essas rebeliões a dos maranhenses, como veremos mais à frente.

A seguir, com o apoio do site “brasilescola.uol.com.br” (consultado em 23.07.2019), enumero em resumo, diversos pontos marcantes que antecederam a independência proclamada por D. Pedro I: durante o Período Joanino, medidas modernizadoras foram implantadas no Brasil; em 1815, o Brasil foi elevado à condição de Reino Unido e, assim, o Brasil deixou de ser colônia; em 1820, a Revolução Liberal do Porto foi iniciada em Portugal e reivindicava o retorno do rei português; com o retorno de D. João VI para Portugal, D. Pedro foi colocado como regente do Brasil; as cortes portuguesas exigiam a revogação das medidas implantadas no Brasil e o retorno do príncipe regente.

Nesse contexto de conflito, durante o “Dia do Fico”, D. Pedro declarou que permaneceria no Brasil; no “Cumpra-se”, determinou-se que as ordens portuguesas só seriam cumpridas no Brasil com o aval de D. Pedro; o grito da independência – se de fato tiver acontecido – ocorreu nas margens do Rio Ipiranga, no dia 7 de setembro de 1822; em 12 de outubro de 1822, D. Pedro foi aclamado imperador e no dia 1º de dezembro de 1822 ele foi coroado D. Pedro I; houve conflitos após a declaração de independência, na Bahia, no Pará, no Maranhão e na Cisplatina.

Diz ainda as informações de investigadores do campo da história, que, quando a independência do Brasil foi declarada, o acontecimento estava diretamente relacionado com eventos que foram iniciados em 1808, ano em que a família real portuguesa, fugindo das tropas francesas que invadiram Portugal, mudou-se para o Brasil. Por conseguinte a chegada da família real no Brasil houve, como desdobramento, uma série de mudanças que contribuiu para o desenvolvimento comercial, econômico e, em última instância, possibilitou a independência brasileira.

Além disso, com a chegada da família real, o Brasil experimentou, em seus grandes centros, um grande desenvolvimento resultado de uma série de medidas implementadas por D. João VI, rei de Portugal. Instalado no Rio de Janeiro, o rei português autorizou a abertura dos portos brasileiros às nações amigas, permitiu o comércio entre os brasileiros e os ingleses como medidas de destaque no âmbito econômico.

Nesse período Alcântara e São Luís eram importantes cidades no território maranhense, sendo, à época, densamente povoadas pelos povo lusitano, que implantou uma espécie de aristocracia na região que comandava os destino da gente que aqui habitava. Um exemplo dessa importância, é registrado como marco daquele período, as ruinas dos dois casarões que estavam sendo erigido em Alcântara para receber a visita do imperador, naquela cidade. Visita essa que nunca aconteceu, e por consequência, os casarões também não foram concluídos.
Assim, a independência do Brasil foi marcada por conflitos, portanto, diferente do que muitos acreditam, essa independência não foi pacífica. Com a declaração da independência, quatro regiões no Brasil, naquele período demonstrou sua insatisfação e rebelou-se contra aquele processo de independência. Eram movimentos “não adesistas”, que eclodiram nas províncias que não aderiram ao processo de independência e que se mantiveram leais a Portugal.

Os quatro grandes centros da resistência contra a independência do Brasil aconteceram nas províncias do Pará, Bahia, Maranhão e Cisplatina (atual Uruguai). Aconteceram campanhas militares nessas localidades e os combates contra as forças que não aderiram à independência estenderam-se até 1824. Dessa maneira, como a região da Cisplatina tornou-se independente, formando o Uruguai, a província do Maranhão é hoje, o último Estado do território nacional, em que se comemora a “adesão à independência do Brasil”.

Atualmente no Brasil, a data de adesão a independência é comemorada com muito entusiasmo e desfiles pelos centros urbano onde houve rebeliões. Exemplo marcante dessas comemorações é o dia 2 de julho, amplamente festejado em Salvador (Bahia), envolvendo diversos segmentos do meio social e transformando essa data em uma espécie de grande carnaval. Contrariamente, essa data, no Maranhão, é timidamente comemorada, limitando-se a um feriado estadual e um cortejo de grupos da manifestação cultural de Tambor de Mina e outras religiões de descendência africana, organizada pelo vereador Astro de Ogum, pelo centro histórico de São Luís.

Só para encerrar está crônica, destaco que o surgimento do Brasil enquanto nação independente e a construção da nacionalidade “brasileira” foi algumas das consequências do processo de independência do Brasil consideradas mais relevantes. É também mencionado como fato importante, o estabelecimento de uma monarquia nas Américas (a única no continente junto da haitiana e mexicana) e o endividamento do Brasil por meio de um pagamento de 2 milhões de libras como indenização aos portugueses.

Aliás este endividamento foi sendo historicamente se reconfigurando, aos moldes dos gestores que sucederam o período monarquista. O certo é que quase a metade das riquezas de nosso país, atualmente, é direcionada para pagar a dívida externa do nosso país, e, que ainda precisa fazer muitas ações para dar uma qualidade de vida digna à maioria do seu povo, sobretudo quando se olha para as políticas públicas, as quais ainda são muito insipiente.

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