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Como nasce um acordo climático e por que o Brasil deve liderar um novo pacto pela vida

Elder Rodrigues - Engenheiro Florestal, empresário e investidor regenerativo. Criador da Zonoz, ecossistema de inteligência regenerativa que atua no Maranhão e no Brasil para transformar ciência e tecnologia em soluções de impacto ambiental e social.

Quando pensamos em acordos climáticos, muitas vezes imaginamos salas de negociação distantes, repletas de líderes e especialistas discutindo números e metas. Mas a verdade é que um acordo climático nasce muito antes de ser assinado em uma conferência. Ele começa no campo, na floresta, nos territórios onde a crise climática já é sentida diariamente. São as enchentes que desabrigam famílias, as secas que destroem plantações, os incêndios que consomem florestas inteiras. É desse choque entre urgência e realidade que surge a necessidade de ação coletiva.

As conferências como a COP reúnem esse clamor em escala global. Ali, governos, cientistas, sociedade civil e empresas tentam traduzir dores e soluções em compromissos internacionais. Não é um processo simples. Cada acordo é fruto de longas negociações, que envolvem interesses econômicos, geopolíticos e sociais. Mas a essência é sempre a mesma: reconhecer que nenhum país pode enfrentar a crise climática sozinho.

É nesse ponto que o Brasil tem um papel decisivo. Nosso território guarda reservas naturais que são fundamentais para o equilíbrio do planeta: Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica, Caatinga e Pampa. São biomas que regulam o clima, armazenam carbono, garantem água e biodiversidade. Proteger essas reservas não é apenas uma responsabilidade nacional é um interesse comum da humanidade. Por isso, precisamos de um acordo que projete o Brasil como protagonista, capaz de atrair investimentos internacionais que reconheçam e recompensem o valor desses patrimônios naturais.

Mas não basta pensar em bilhões em promessas que nunca chegam às comunidades. O acordo que o Brasil deve buscar precisa transformar investimentos globais em impacto real nos territórios: renda para agricultores e extrativistas, infraestrutura sustentável para populações periféricas, valorização dos saberes tradicionais e inovação tecnológica para regenerar áreas degradadas.

Aqui no Maranhão, é essa a missão que nos move na Zonoz. Criamos um ecossistema de inteligência regenerativa que une ciência, tecnologia e percepção sensível para desenhar soluções concretas. Com o Programa Semeia Maranhão, por exemplo, estruturamos a maior rede comunitária de sementes nativas do estado, fortalecendo a bioeconomia, garantindo autonomia a comunidades e regenerando ecossistemas estratégicos. Queremos mostrar que é possível transformar compromissos globais em resultados locais, onde a vida floresce de verdade.

Um acordo climático não deve nascer apenas em gabinetes. Ele precisa nascer da escuta aos povos da floresta, às comunidades quilombolas, aos agricultores familiares, às periferias urbanas. Porque são esses territórios que carregam o maior peso da crise, mas também os maiores potenciais de regeneração.

O mundo já entendeu que não existe futuro sem o Brasil. Agora é hora de garantir que o Brasil entenda: não existe futuro sem que nossas reservas naturais sejam tratadas como a riqueza estratégica que são, com proteção, justiça social e investimentos globais à altura.

Esse é o pacto que precisamos firmar. Esse é o futuro que queremos construir.

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Elder Rodrigues
Elder Rodrigues Colunista