BASTIDORES

Maranhão – Orgulhe-se dele 

Tempos atrás fui alvo de duas homenagens em São Paulo, uma de entidade associativa voltada para Liderança e, a outra, de uma editora da capital paulista. Recordo-me de que, no Círculo Militar de São Paulo, onde foi realizada a primeira solenidade, só era aceito discurso de improviso, pronunciamento espontâneo, caso algum homenageado quisesse se manifestar. […]

Tempos atrás fui alvo de duas homenagens em São Paulo, uma de entidade associativa voltada para Liderança e, a outra, de uma editora da capital paulista.

Recordo-me de que, no Círculo Militar de São Paulo, onde foi realizada a primeira solenidade, só era aceito discurso de improviso, pronunciamento espontâneo, caso algum homenageado quisesse se manifestar. Afora agradecimentos de praxe, quase ninguém fez. Eu fiz.

Como a solenidade começara com a execução do Hino e a exibição da Bandeira brasileira, peguei aquele “mote” e disse a todos ali que, ao cantarem o Hino Nacional também estavam cantando o Maranhão e, ao hastearem ou olharem o pavilhão brasileiro, também estavam elevando o Maranhão. E expliquei: o Maranhão é o único estado brasileiro presente nos dois maiores símbolos do País. Raimundo Teixeira Mendes, maranhense de Caxias, é o autor da Bandeira do Brasil.

Gonçalves Dias, também caxiense, é autor de versos que estão no Hino brasileiro.
Eu poderia ter acrescentado que foi do maranhense caxiense Coelho Netto a ideia de acrescentar letra à música do Hino Nacional. Isso mesmo: por muitos anos, o Hino Nacional Brasileiro apenas era executado por instrumentos, e não cantado por vozes, almas e corações brasileiros. Outra coisa: a expressão “Ordem e Progresso”, da Bandeira, não é apenas uma apropriação de Teixeira Mendes de ideias do filósofo e escritor francês Auguste Comte, que queria uma “religião da Humanidade”. Comte criou o Positivismo e, em seus textos sobre a causa, cunhou a frase: “O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim.” (Em francês: “L’Amour pour principe, et l’Ordre pour base; le Progrès pour but.”). Pesquisas que tenho feito mostram, até provas em contrário, que o maranhense Gonçalves Dias escreveu “ORDEM E PROGRESSO” seis anos antes do pensador positivista. Fui ao “site” do prestigioso jornal francês “Le Monde”, um dos mais importantes e mais respeitados do mundo, publicado há 75 anos, desde 19 de dezembro de 1944. Pois bem: no “site” encontro a frase de Comte e o crédito de que ela vem do livro “Système de politique positive”, daquele autor.

O próprio “site” registra a data de publicação do livro: 1852. Se forem considerados apenas esses registros, poder-se-ia reivindicar que o caxiense Antônio Gonçalves Dias escreveu sobre “ordem e progresso”, seis anos antes de aparecer, em 1852, a obra “Sistema de Política Positiva”, do francês Auguste Comte. Com efeito, no dia 8 de maio de 1846, na sua obra “Meditação”, Gonçalves Dias escreveu:

“E não pelejais por amor do progresso, como vangloriosamente ostentais. “Porque a ORDEM E PROGRESSO são inseparáveis: — e o que realizar uma obterá a outra.” (Destaque meu). Tenho um exemplar dessa obra de Gonçalves Dias, que o caxiense, aliás, a deixou interminada. Claro, não dá para afirmar nem de longe que Auguste Comte tenha “bebido” da fonte gonçalvina.

Pode-se afirmar que Gonçalves Dias andava pela França, falava e escrevia francês. Quando Gonçalves Dias escreveu “Meditação” estava com 22 anos e Comte, 48. Comte nasceu em 1798, viveu 59 anos, falecendo em 1857. Gonçalves Dias nasceu em 1823, viveu 41 anos, morrendo em 1864, sete anos depois do francês. Portanto, os anos mostram contemporaneidade, pontos de intersecção etários, comuns ao período de existência de ambos os escritores.

A partir da próxima terça-feira, trarei um material mais detalhado sobre esse assunto. Sei que isso não enche barriga de ninguém. Sei que isto não bota dinheiro no bolso de ninguém. Sei que não ajuda a resolver os ainda severos males de que padece grande parte da população maranhense.

E sei também que pessoas não são só bucho e bolso, dinheiro e Poder. O passado do Maranhão, por mérito de filhos absoluta e absurdamente talentosos, é algo que revela que pessoas não foram feitas apenas para comer, beber e fornicar  — e, geralmente, fazendo tudo isso mal… Há uma essência maranhense presente na História do Brasil  — que precisa ser apropriada, disseminada, cultivada. Há uma inteligência e um trabalho maranhenses que ajudaram a fazer o Brasil  — apesar dos pesares —  um país melhor.

Temos muitos motivos para nos orgulhar de nossa maranhensidade. Eu, pelo menos, dentro e fora do País, bato no peito, ergo o queixo, estufo o tórax, alongo o olhar e assumo, com naturalidade e sadia vaidade, este meu incontido orgulho de ser maranhense.

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