

Vivemos um momento em que as questões ambientais deixaram de ser apenas pauta de especialistas para se tornarem parte da vida cotidiana de todos nós. O planeta revela sinais claros de que algo precisa ser mudado, pois os efeitos adversos impactam diretamente na saúde, na economia e no bem-estar das pessoas. No Brasil, só em 2024, mais de 300 mil quilômetros quadrados foram destruídos em incêndios florestais – uma área maior que toda a Itália. Esse fogo, que incendeia o verde e destrói a vida, também aquece a atmosfera: o aumento das emissões de gases de efeito estufa pressiona o equilíbrio climático, e o resultado todos nós já sentimos – seja nas enchentes que destroem casas no Sul, seja nas secas que matam os peixes na Amazônia ou nas ondas de calor sufocantes nas cidades.
Mas não são apenas as grandes estatísticas que nos alertam. É fundamental entender quem são os mais afetados por essa crise; nesse ponto, entra o racismo ambiental: a degradação da natureza que pesa de maneira muito mais severa sobre comunidades negras, ribeirinhas, indígenas, quilombolas e periféricas. No Maranhão, mais de 269 mil quilombolas são afetados por desastres climáticos. O racismo ambiental, conceito que surgiu nos Estados Unidos, na década de 80, pelo líder afro-americano de direitos civis, Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr., em um contexto de manifestações do movimento negro contra injustiças ambientais, ocorre quando os impactos negativos de degradação ambiental – como poluição, descarte de resíduos, falta de saneamento, contaminação de solos e águas – afetam desproporcionalmente comunidades vulnerabilizadas por sua cor de pele, origem étnica e localização social. É o que acontece quando indústrias poluentes são instaladas perto de comunidades negras e ribeirinhas, mas longe dos centros urbanos privilegiados.
Esse não é um problema novo – é o reflexo de uma estrutura histórica que marginaliza certos grupos e o impacto vai muito além do ambiente: o racismo ambiental ameaça a saúde, a alimentação, o modo de vida e o direito à existência digna de povos que, há séculos, resistem para preservar seus territórios.
No IEMA, acreditamos que a educação é a semente da transformação. Em cada uma das nossas unidades, a pauta ambiental não é só teoria: é prática. Quero destacar aqui o projeto ECOLAB, do curso de Meio Ambiente do IP Rio Anil, liderado pelo professor Daniel Rocha. No ECOLAB, nossos estudantes aprendem a cuidar da natureza com as mãos: eles trabalham com compostagem, estudam o ciclo do lixo, entendem o plantio e a preservação como parte da vida cotidiana. Eles plantam mudas, cuidam de hortas, analisam a qualidade do solo e da água – e, assim, constroem um outro jeito de viver no mundo.
Esse trabalho é fundamental porque conecta a juventude à ciência e à sustentabilidade, além disso, vincula o Maranhão às soluções globais, já que o estado, sob a liderança do governador Carlos Brandão, tem avançado em políticas de preservação. Um exemplo é a Lei Estadual nº 11.938/2023, que cria o Programa Maranhão Sustentável e incentiva práticas de conservação, reflorestamento e uso responsável dos recursos naturais. Isso é essencial, pois o Maranhão é um território rico e com biomas únicos que precisam ser preservados para garantir a vida de milhares de comunidades tradicionais.
No cenário nacional, temos também conquistas históricas. O governo Lula, com a liderança incansável da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, retomou o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e lançou o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento no Cerrado (PPCerrado), em 2023. Além disso, o Brasil se prepara para sediar a COP30, em Belém do Pará, em novembro de 2025 – um momento histórico para reafirmar nosso compromisso com a preservação e com a justiça climática.
Outra ação que merece destaque é o Programa de Formação Profissional na Área da Bioeconomia para a Amazônia Legal. Financiado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e executado via Bolsa-Formação/Pronatec em parceria com instituições de ensino, esse programa é uma resposta concreta à necessidade de desenvolvimento sustentável. Com foco na capacitação técnica e no fortalecimento de práticas sustentáveis, o programa oferece cursos de Formação Inicial e Continuada (FICs) em municípios estratégicos da Amazônia Legal. O IEMA foi um dos contemplados com 7.080 vagas e certificando 162 pessoas na primeira etapa em 19 municípios maranhenses, mostrando o potencial da educação profissional para transformar realidades e impulsionar soluções que respeitam a floresta e os saberes locais.
Mas não existe justiça climática sem a justiça racial. E é por isso que, como mulher negra e à frente de um instituto de educação, eu afirmo: a luta pelo meio ambiente é também a luta contra o racismo ambiental. Precisamos de políticas públicas que integrem meio ambiente, igualdade racial e desenvolvimento territorial, a fim de garantir a voz e a decisão das comunidades impactadas. E precisamos, sobretudo, de uma educação que forme jovens críticos, capazes de questionar, de propor soluções e de agir.
No IEMA, a educação ambiental tem saberes, tem cores, tem territórios, tem pertencimento. A preservação não é só plantar árvore – é garantir água limpa, comida sem veneno, moradia digna e justiça a quem teve, por séculos, o direito de existir plenamente negado. E, assim, eu sigo acreditando: a transformação começa pela escola, e a escola que queremos é um espaço que defende a vida de todos!
Quando a terra fala, quem escuta somos nós.