

O ano letivo já começou no IEMA. As salas estão cheias, os laboratórios em funcionamento, os estudantes retomando projetos, sonhos e planos de futuro. Enquanto o Brasil segue debatendo os rumos do ensino médio, no Maranhão reafirmamos, na prática, uma escolha estratégica: investir na educação técnica integrada como política pública estruturante de desenvolvimento. O debate nacional é necessário. Discutir currículo, permanência e qualidade é urgente. Mas há uma pergunta que precisa orientar qualquer reforma educacional: a escola está conectada ao projeto de futuro da juventude? No Maranhão, entendemos que essa conexão passa pela integração entre formação geral e formação técnica, entre ciência e cidadania, entre conhecimento e oportunidade concreta.
Essa convicção nasce também da minha própria trajetória. Sou mulher negra, nascida e criada na periferia da Ilhinha, em São Luís. Estudei toda a minha vida em escola pública. Foi ali que compreendi que o estudo não era apenas uma etapa da vida, mas o caminho real de transformação social.
Minha mãe sempre dizia que só se vence através do estudo. Eu escolhi estudar. E foi a educação pública que me permitiu ocupar hoje o lugar de primeira diretora-geral negra do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão.
É com essa consciência que conduzimos a expansão do IEMA. Entre 2023 e 2026, saímos de 34 para 58 unidades plenas, distribuídas em 44 municípios maranhenses. São 24 novas unidades em quatro anos, consolidando um processo de interiorização da educação profissional que leva oportunidades a territórios historicamente excluídos das políticas estruturantes. As matrículas passaram de 14.007 em 2023 para uma previsão de 25 mil estudantes em 2026. Esse crescimento não representa apenas ampliação de vagas; representa presença do Estado onde antes havia ausência.
Essa expansão não acontece por acaso. Ela é resultado da sensibilidade e da decisão política do governador Carlos Brandão, que compreende a juventude como prioridade e reconhece na educação técnica como um instrumento real de mobilidade social. Com o apoio do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão, fortalecemos o diálogo com os municípios e garantimos que essa política avance de forma territorializada, alcançando quem mais precisa. Esse compromisso com a permanência e com a qualidade já apresenta resultados históricos: alcançamos a menor evasão escolar da história do IEMA, com índice de 0,34%, demonstrando que quando o Estado investe, cuida e acompanha de perto, fazendo a permanência do estudante.
Essa construção também se dá em parceria forte entre o Governo Federal sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Governo Estadual. Programas como o Pé-de-Meia e o Internet Brasil fortalecem a permanência dos nossos estudantes, ampliando condições para que continuem estudando com dignidade. Da mesma forma, o Programa Tô Conectado, do Governo do Estado, consolida o maior programa de inclusão digital do Maranhão e transforma a aprendizagem de milhares de estudantes, garantindo acesso à tecnologia como ferramenta pedagógica.
Os resultados mostram que essa decisão produz impacto concreto. Nosso IDEB é 4,5, a maior média estadual e nacional entre redes equivalentes. Já acumulamos 3.544 premiações, sendo 572 medalhas de ouro. Temos 225 estudantes bolsistas vinculados ao CNPq, ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e ao FNDCT, além de captação ativa de recursos via CNPq e FAPEMA. Esses números expressam algo maior: quando a juventude maranhense encontra estrutura, ela responde com excelência.
Além das unidades plenas, contamos com 28 IEMAs Vocacionais em 18 municípios, ampliando a qualificação profissional em regiões estratégicas. Hoje ofertamos 49 cursos técnicos organizados em 11 eixos tecnológicos, integrando ensino médio e Educação Profissional e Tecnológica com formação científica, cidadã e humana. O estudante não precisa escolher entre concluir o ensino médio ou se preparar para o mundo do trabalho. Ele faz as duas coisas com qualidade, ampliando suas possibilidades de futuro.
Hoje, aproximadamente 55% do nosso corpo discente é formado por meninas. Jovens mulheres ocupando laboratórios, desenvolvendo pesquisas, programando, competindo em robótica e liderando projetos. Em áreas historicamente marcadas pela desigualdade de gênero, esse dado revela uma mudança concreta de cenário e uma nova geração que não aceita limites ao desenvolvimento acadêmico de nossas alunas.
Um exemplo que nos inspira é o da estudante Ana Raquel dos Santos, da zona rural, que cruza a cidade diariamente para estudar no IEMA São Luís Centro, no curso técnico de Meio Ambiente. Foi na robótica que ela ampliou seus horizontes e agora se prepara para representar o Maranhão no Campeonato Mundial de Robótica – FIRA, no Canadá, competição organizada pela Federação Internacional de Associações de Robótica. A trajetória de Ana Raquel demonstra que talento não tem CEP. Quando a política pública chega com qualidade, o sonho ganha escala internacional.
A robótica educacional não é uma ação isolada. Ela integra um projeto pedagógico que coloca ciência e tecnologia no centro da formação. Nesse mesmo movimento, incentivamos o protagonismo feminino por meio de iniciativas como a Game Jam, estimulando meninas a desenvolverem jogos digitais e ocuparem espaços estratégicos na área tecnológica. Não se trata apenas de aprender programação, mas de garantir acesso, representatividade e autonomia em um setor decisivo para o futuro.
Essa formação dialoga diretamente com outra dimensão essencial do nosso projeto: a sustentabilidade. O reconhecimento do IEMA como Escola Verde pela UNESCO não é um título simbólico. Isso reflete uma política institucional comprometida com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e com a formação de jovens capazes de responder aos desafios ambientais, climáticos e sociais do nosso tempo. Educação técnica também é compromisso com o planeta e com as próximas gerações.
Compreendemos, no entanto, que qualidade exige cuidado permanente. Por isso, ampliamos o atendimento socioemocional para todas as unidades plenas, garantindo a presença de psicólogos em cada IEMA.
Criamos a Coordenação de Diversidade e Relações Étnico-Raciais e implementamos a cartilha de nome social, fortalecendo uma educação antirracista, inclusiva e comprometida com o respeito às identidades. Educação pública de excelência precisa ser também espaço de pertencimento, acolhimento e dignidade.
Quando observo cada estudante que atravessa longas distâncias para estudar, lembro da menina da Ilhinha que acreditou no poder transformador da escola pública. A educação técnica integrada ao ensino médio não é apenas uma política educacional. É uma política de justiça social. É a afirmação de que jovens da periferia, da zona rural e das comunidades populares têm direito não apenas à vaga, mas à excelência.
Somente o estudo transforma vidas de forma duradoura. E o Maranhão decidiu transformar seu futuro apostando, de maneira estruturada e permanente, na força da sua juventude.