

Há algo de profundamente transformador quando a escola se torna o espelho da sociedade que sonhamos construir. A FECULEMA — nossa Feira Étnico-Racial e Cultural do IEMA — nasce desse propósito: fazer da educação um território de escuta, reconhecimento e afirmação de identidades. Depois da expressiva repercussão de sua primeira edição, que mobilizou estudantes, professores e comunidades em torno da valorização da ancestralidade e do diálogo intercultural, a FECULEMA chega agora à sua segunda edição, consolidando-se como um gesto cultural e pedagógico que reafirma o compromisso do IEMA com uma formação que valoriza a diversidade e combate todas as formas de discriminação.
Falar da FECULEMA é falar da nossa ancestralidade. É reconhecer que, antes de cada conquista, houve um caminho aberto por mãos negras, indígenas e quilombolas que resistiram para que hoje pudéssemos ocupar esses espaços de fala, de ensino e de poder. A força da nossa história está presente em cada estudante que pesquisa, cria e apresenta seu projeto com orgulho da própria origem.
Sob a liderança da professora Maitê Sousa, a Coordenação de Diversidade Étnico-Racial do IEMA tem sido essencial nesse processo de construção coletiva. Seu trabalho não apenas orienta ações pedagógicas, mas transforma práticas e mentalidades. A criação da Cartilha de Nome Social, por exemplo, é um marco da nossa caminhada por uma educação que acolhe, respeita e legitima a identidade de cada pessoa. Esse é o IEMA que estamos edificando: um IEMA antirracista, inclusivo e comprometido com a dignidade humana.
Esse compromisso também é fortalecido pelo governo do Maranhão, sob a liderança do governador Carlos Brandão, que tem consolidado uma gestão pautada na valorização da educação, na equidade e no respeito às diferenças. O investimento em políticas públicas voltadas à inclusão, à diversidade e ao fortalecimento dos nossos Institutos Plenos é o que torna possível ampliar o alcance de ações como a FECULEMA, garantindo que a educação pública maranhense continue sendo exemplo de transformação social e emancipação.
Em sintonia com esse movimento, o governo federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem reafirmado o compromisso histórico com a democracia, a inclusão e o combate ao racismo estrutural. Programas nacionais voltados à equidade racial, à educação básica e técnica e ao fortalecimento das juventudes são expressões concretas de um projeto de país que entende a educação como direito e instrumento de justiça social. A FECULEMA, nesse contexto, dialoga diretamente com essa agenda de reconstrução nacional baseada em respeito, diversidade e valorização da vida.
Na Feira Étnico-Racial e Cultural, nossos estudantes tornam-se autores de suas próprias narrativas. Eles unem ciência, arte, tecnologia e cultura para propor soluções e questionar o mundo. Em cada projeto apresentado, há um grito de pertencimento, um convite ao diálogo e uma prova de que o conhecimento ganha força quando é atravessado pela vivência e pela história.
Acredito que educar é também um ato de justiça. É resgatar memórias, valorizar saberes ancestrais e construir pontes entre passado, presente e futuro. Por isso, na segunda edição da FECULEMA reafirmo que o IEMA não é apenas um espaço de ensino técnico e científico — é, sobretudo, um espaço de humanidade.
Ser uma escola antirracista é compreender que o aprendizado verdadeiro acontece quando todas as vozes podem ser ouvidas. É garantir que nossos alunos e alunas se reconheçam nos conteúdos, nas políticas e nas práticas da instituição. É lutar diariamente para que o respeito, a empatia e a representatividade façam parte do cotidiano escolar tanto quanto as disciplinas curriculares.
A FECULEMA é o reflexo do Maranhão que queremos: plural, consciente e orgulhoso de suas raízes. Que ela continue sendo esse lugar de encontro entre a memória e o futuro — onde a ancestralidade não é lembrança distante, mas fonte viva de conhecimento, pertencimento e transformação.