opinião

Dia da Consciência Negra

Cricielle Muniz- Diretora Geral do IEMA

O Dia da Consciência Negra, instituído pela Lei nº 14.759/2023, é uma data que nos convida a refletir sobre a trajetória, a presença e o protagonismo da população negra na construção do Brasil. Também é um momento de reafirmação: celebramos conquistas, reconhecemos desafios históricos e fortalecemos os caminhos de transformação que estamos construindo coletivamente. Honrar esta data é honrar nossas raízes e projetar um futuro onde igualdade e dignidade sejam plenamente vividas.

O Brasil é um país moldado pela força e pela criatividade da população negra. Somos 55,5% do país que se declara preta ou parda. No Maranhão, somos 5,9 milhões de pessoas. Ainda assim, o racismo estrutural persiste, produzindo desigualdades profundas. Nesse cenário, a educação se coloca como uma das ferramentas mais poderosas de transformação. É ela que rompe ciclos de exclusão, fortalece identidades e abre caminhos para que jovens negros enxerguem em si potência, pertencimento e possibilidades reais de futuro.

Estar à frente da Direção-Geral do IEMA, sendo a primeira mulher negra a ocupar essa função, carrega um simbolismo que ultrapassa qualquer trajetória individual. Representa a continuidade das lutas de tantas mulheres negras que abriram caminhos antes e reafirma a importância de ampliar a presença de pessoas negras em espaços de liderança. Quando estudantes veem esses espaços sendo ocupados, compreendem que também podem alcançá-los. A representatividade se transforma em horizonte possível.

No IEMA, consolidamos uma educação pública antirracista, acolhedora e transformadora. Um dos marcos desse compromisso é a Coordenação de Diversidade e Relações Étnico-Raciais, liderada pela cientista social Maitê Sousa, que atua diariamente em ações de formação, debates, enfrentamento ao racismo e fortalecimento da identidade estudantil.

Esse trabalho se amplia com a atuação dos coordenadores NEADH (Núcleos Internos de Educação Antirracista e em Direitos Humanos) em cada Instituto Pleno, garantindo equipes preparadas para mediar conflitos, combater práticas discriminatórias e assegurar que cada estudante esteja protegido, valorizado e respeitado. Reconhecemos também a importância da Coordenação Socioemocional, composta por psicólogos que acolhem, orientam e acompanham nossos jovens, evidenciando que saúde emocional e identidade caminham juntas.

Nosso compromisso com a valorização da cultura afro-brasileira se expressa em ações como a Segunda Edição da FECULEMA, a Feira Étnico-Racial e Cultural do IEMA. A feira é um espaço de celebração, memória, conhecimento e orgulho, que mostra ao Maranhão e ao Brasil um instituto que forma jovens críticos, criativos e conectados às suas raízes.

Também seguimos ampliando o acesso de estudantes negros a cursos técnicos e profissionalizantes que fortalecem sua inserção no mundo do trabalho, contribuindo para reduzir desigualdades históricas que recaem sobre a população negra.

Esses avanços dialogam diretamente com um movimento nacional. O Governo Federal, sob a liderança do presidente Lula, recolocou a igualdade racial no centro das políticas públicas. Um marco dessa agenda é o Pacote pela Igualdade Racial, um conjunto abrangente de ações voltadas para o enfrentamento do racismo, a promoção da diversidade e a ampliação dos direitos da população negra. É uma política estruturante e alinhada ao que vivenciamos diariamente nas escolas.

No Maranhão, o Governo do Estado, liderado pelo governador Carlos Brandão, também tem avançado em políticas voltadas à equidade racial. Um exemplo essencial é a Política Estadual de Saúde Integral da População Negra, iniciativa que enfrenta desigualdades históricas no acesso à saúde, garantindo cuidado especializado, dignidade e proteção para a população negra maranhense. É uma ação que se soma ao trabalho realizado na educação e fortalece o compromisso estadual com justiça e equidade.

Construímos diariamente uma educação que acolhe, transforma e inspira. Formamos jovens orgulhosos de quem são, conscientes de sua história e preparados para construir um Maranhão e um Brasil mais justos. Avançar na luta antirracista é avançar como sociedade.

Que sigamos honrando nossos ancestrais, fortalecendo as conquistas do presente e abrindo novos caminhos para aqueles que ainda virão. Somos força, somos movimento, somos futuro. Quando a educação se alinha à justiça social, toda a sociedade avança.