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Carnaval do Maranhão. Do Maranhão!

Carlos Lula - Deputado Estadual

O Carnaval do Maranhão é mais do que uma festa. É encontro, reencontro, tradição, identidade e economia pulsando. Vimos um grande número de pessoas nos pontos de folia nos últimos dias. Segundo alguns dados, mais de 1,5 milhão de pessoas passaram pela Avenida Litorânea durante o Carnaval. No circuito Praia Grande, um grande número de pessoas também brincou. Tivemos grandes atrações nacionais em nossa capital, que ajudaram a gerar renda pra nossa gente. O crescimento do carnaval de São Luís traz turistas, transformando a cidade em um dos principais destino carnavalescos de todo o país.

O resgate do carnaval de São Luís acontece há alguns anos. Em 2026 talvez tenhamos tido o auge desse movimento. Porém, precisamos dar atenção a um ponto importante: o enfraquecimento das festas no interior. Se há poucos anos cidades como Itapecuru, Barra do Corda e Chapadinha eram polos de atração, deslocando multidões, fortalecendo o comércio local e valorizando músicos, brincantes e manifestações culturais próprias, toda essa pujança está se perdendo.

Quem não lembra do irreverente Bloco das Patifas, da cidade de Pinheiro, que tornou-se símbolo dessa força cultural, que reunia mais de 100 mil pessoas em seus desfiles. Era humor popular, liberdade criativa e participação comunitária. Era tradição viva, construída pelo povo. O interior do estado inteiro respira Carnaval. Famílias viajam para rever parentes, resgatar memórias de infância, reencontrar amigos e viver brincadeiras que atravessam gerações. O deslocamento não é só turístico, é afetivo.

Ao longo dos últimos anos, o cenário mudou. Público reduzido, menos empolgação e uma percepção de enfraquecimento. Onde antes havia um mar de foliões, agora se viu dispersão. A organização perdeu impacto, e o brilho pareceu menor.

São Luís tornou-se palco de disputa entre circuitos como Praia Grande e Litorânea. Em comum, a aposta predominante em nomes nacionais para atrair multidões. Não há problema em trazer artistas de fora. O problema surge quando o protagonismo local perde espaço.

O Maranhão poderia aprender com Recife, que preserva o Galo da Madrugada; com a Bahia, que distribui sua folia pelo estado inteiro; com Rio e São Paulo, que fortalecem blocos de rua e escolas de samba. Expansão e tradição não são opostas, são complementares. Expandir o Carnaval é legítimo. Atrair turismo e movimentar a economia é necessário. Mas isso não pode significar enterrar as próprias raízes. Sertanejo, axé e brega têm seu espaço, mas o brilho precisa continuar sendo maranhense.

Não há como voltar ao passado, mas é possível reconstruir o futuro. Que 2027 traga mais fofões, mais marchinhas locais, mais blocos tradicionais nas ruas. Porque Carnaval com identidade é história, mas também futuro.