COLUNA

Apontamentos sobre a Praia Grande XLIV

Retorno à Rua da Estrela ou Cândido Mendes. Apenas mudo de calçada, isto é, passo para o outro lado da rua e tomo o mesmo ponto, começando a partir da Rua Joaquim Távora ou Nazaré, para ir em frente, até onde o prédio da firma Lages & Cia. faz esquina com a Rua Portugal. Chamo […]

Retorno à Rua da Estrela ou Cândido Mendes. Apenas mudo de calçada, isto é, passo para o outro lado da rua e tomo o mesmo ponto, começando a partir da Rua Joaquim Távora ou Nazaré, para ir em frente, até onde o prédio da firma Lages & Cia. faz esquina com a Rua Portugal.

Chamo a atenção do meu imaginário leitor, pois estou escrevendo por obra e graça da minha memória. Portanto alguma falha, por omissão ou qualquer equívoco de relato, deve ser perdoada.

Assim, dando início ao percurso do trecho já estabelecido, a primeira casa comercial que encontro pertence ao senhor Airton Teixeira, mantendo ele o mesmo nome para registro oficial de comércio, junto aos órgãos competentes. Algum tempo depois passou a integrar  a firma o seu irmão José Teixeira, creio eu que na condição de sócio. 

Parece-me, não eram eles daqui de São Luís, tampouco de qualquer outra cidade maranhense, talvez até de alguma do nordeste brasileiro. Não esqueço que tinham como endereço telegráfico a palavra ARTEX e que se dedicavam ao ramo tradicional de “Estivas e Miudezas”. Mantinham a casa muito bem sortida, preços competitivos no mercado e eram bem afreguesados. Alguns anos mais tarde mudaram-se para a Rua 28 de Julho, parece-me que para o prédio onde funcionou o Banco do Maranhão e eu perdi o contato com eles. Depois soube que o José Teixeira havia falecido e agora, recentemente, em torno de seis meses atrás, o Airton foi ao encontro do irmão. Dois homens trabalhadores, corretos, que muito contribuíram com o Maranhão.

A seguir, descendo a aladeirada Rua da Estrela ou Cândido Mendes, dou com a firma Rachid Abdala, que me parece ter sido primeiramente Rachid Abdala & Filhos e logo depois Rachid Abdala & Cia., compradores e exportadores de babaçu e demais gêneros de produção do Estado.  Mais tarde sob a razão social de Rachid Abdala S/A, já se apresentam como industriais de babaçu e arroz, mantendo uma unidade na Rua Jacinto Maia, em frente ao Mercado Central e a fábrica de óleo e torta de babaçu no Monte Castelo, Rua Roma Velha. 

Posso dizer que conheci boa parte da família Abdala, a começar pelo senhor Rachid e esposa, sempre atenciosos e solícitos, seguindo pelos filhos José, Alberto e Neife, os que ficaram no negócio. E mais Nagib, Salomão e Sara, sem que eu me lembre de que ainda faltem mais dois ou, pelo menos, mais um só. Sem falar no Neném, o mais velho de todos, que enveredou pelo caminho da política, tornando-se Prefeito de Timbiras mais de uma ou de duas vezes. 

Os Abdala eram prósperos comerciantes no município de Timbiras e mudaram-se para São Luís, naturalmente na expectativa de maior sucesso em suas atividades empresariais e, natural, vislumbrando a possibilidade de melhor educar os filhos, já nominados. Por muitos anos residiram na Rua do Sol.  Dentre eles,  da minha infância e juventude, no colégio Marista, revejo Alberto, bem mais adiantado do que eu, e Neife, meu colega de sala de aula. Os tempos passaram e fomos nos encontrar, todos já adultos, no exercício de nossas atividades. Hoje, os três e mais Neném já se encontram no reino do Pai. 

Meu reencontro deu-se primeiramente com Alberto, no Sindicato da Indústria de Óleo, ele com o pai e irmãos, proprietários de fábrica de industrializar babaçu, já exportador para os mercados externo e interno. E eu, iniciando-me na atividade. Tivemos um convívio de longos anos, de absoluto saldo positivo, em que pese havermos tido discórdias de caráter político-empresarial, mas que não destruíram ou abalaram nossa amizade. A cada vez que discordávamos e reatávamos, nossa camaradagem aumentava. Sempre estive ao seu lado nos moentos menos favoráveis das nossas atividades. 

Quando da reabilitação da Carta Sindical da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão, eu e um expressivo grupo de industriais o elegemos para dirigir nossa entidade de classe. Comandou a instituição por muitos anos e deu a ela corpo e alma de que tanto necessitava. Isto é, dotou-a de bens materiais e do espírito empresarial de que muito se fazia necessário.  Quando tratou de deixar a presidência da  FIEMA,  convidou-me para sucedê-lo, porém uma série de razões me levaram a declinar do apelo. Alberto Abdala, grande figura humana, deste mundo partiu ainda cedo, deixando os seus amigos eternamente saudosos. Minha missão continua, sob a persistência de quem deseja aproveitar a memória, para ir relembrando um pouco do que foi a Praia Grande, ao tempo em que a conheci e vivenciei.

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