BASTIDORES

Apontamentos sobre a Praia Grande XLIII

No capítulo anterior disse que ainda há muita coisa a contar. E é verdade, pois da Praia Grande guardei comigo um manancial de informações que sinto vontade de transmitir a alguém, enquanto minha memória permitir. No percurso que venho fazendo, pela Rua da Estrela ou Cândido Mendes, encontro-me em frente ao prédio onde funcionou a […]

No capítulo anterior disse que ainda há muita coisa a contar. E é verdade, pois da Praia Grande guardei comigo um manancial de informações que sinto vontade de transmitir a alguém, enquanto minha memória permitir.

No percurso que venho fazendo, pela Rua da Estrela ou Cândido Mendes, encontro-me em frente ao prédio onde funcionou a firma Pinheiro Gomes & Cia. Ltda, também conhecida pelo nome de Agência Gomes. Quando ainda iniciava meus passos na Praia Grande, década de cinquenta do século passado, ouvi comentários de que iria surgir um banco local, denominado Banco Pinheiro Gomes, e que a carta patente estaria para ser concedida pelo governo, mas me parece que isto não chegou a acontecer. Algum tempo depois, os senhores Pinheiro Gomes & Cia. Ltda. mudaram-se para a Praça João Lisboa, onde se instalaram em um edifício novo, de sua propriedade, denominado Edifício Vanguarda.

O que de fato caracterizava a empresa eram as suas famosas representações comerciais. Claro que não me ocorrem todas elas, com certeza nem a metade, mas algumas de suma importância consegui fixar, naturalmente porque meu pai era um cliente que comprava repetidamente produtos que haviam angariado a preferência da sociedade como um todo, tanto na Capital quanto no interior do Estado.

Desse modo, tornavam-se constantes os pedidos efetuados pelo senhor Armando Gaspar, titular da firma A. O. Gaspar, onde iniciei, juntamente com meu irmão Raimundo, os primeiros passos na atividade comercial. Fósforos marca Pinheiro, velas Três Coroas, machados e facões Collins, manteiga Real e Turmalina e do papel Pirahy. Aqui, convém explicar que o papel Pirahy era comprado em resmas e aqui em São Luís era remetido para uma gráfica que fazia os cortes necessários até transformá-lo em pedaços pequeninos, apropriados para fazer um cigarro. Era o que se chamava papelinho ou abade, muito vendido para o interior do Estado, onde havia o hábito do fumante cortar o fumo e fazer o seu próprio cigarro.

Pois bem, a pessoa que visitava os nossos armazéns/escritórios, quase diariamente, era o senhor Neves, então sócio de Pinheiro Gomes & Cia. Ltda., a oferecer os produtos de representação de sua empresa, alguns deles, como os citados acima, em cotas já previamente estabelecidas, tal a demanda do mercado.

Lembro ainda que eram eles representantes e distribuidores da Kodak, das máquinas de escrever Underwood, da máquina de calcular Facit, dos refrigeradores Norge, dos pianos Essenfelder, das balanças Filizola, dos automóveis ingleses Humber, e mais alguns que não me recordo no momento.

Salvo engano de minha parte, a empresa Pinheiro Gomes & Cia. Ltda. era composta pelos senhores Joaquim Pinheiro Gomes, Acyr Marques, Bernardino Pereira Lima e Antônio Neves, além de provavelmente outros de menor participação no capital da sociedade. Falava-se muito que também teria sido sócio o senhor Calheiros, dado que bastante amigo do senhor Gomes. Mas, uma das pessoas com quem o senhor Armando Gaspar mais se relacionava, além do Antônio Neves, era Glacymar Marques, filho do senhor Acyr Marques. E foi por intermédio dele que a empresa A.O.Gaspar, em um dos anos cinquenta do século passado, adquiriu sua primeira máquina de calcular, uma FACIT, negociada para pagamento sem prazo prefixado. Essa foi a condição proposta pelo comprador e aceita pelo vendedor. Estabelecidas essas condições, conclui-se logo o quanto ambos se conheciam, pois uma ou duas semanas depois de haver recebido a então revolucionária FACIT, o senhor Gaspar mandou fazer o pagamento.

Ainda a propósito de Pinheiro Gomes & Cia. Ltda., com exceção do senhor Calheiros, que teria ou não sido sócio da empresa, acho que conheci, em determinada época, os demais componentes. Entretanto, vale lembrar a pessoa do senhor Joaquim Pinheiro Ferreira Gomes, fundador da organização. Conheci-o pessoalmente quando assistia e comandava a missa dos domingos na Igreja de Santo Antônio. Era o primeiro a puxar os cânticos e a receber a comunhão, dando exemplo de sua religiosidade católica. 

E eu, que residia nas proximidades, ainda um rapazinho, lá estava, no templo católico, a fazer minhas orações, mas a observar tudo o que via, em companhia do meu pai, que esclarecia as minhas dúvidas. Essa herança religiosa certamente o senhor Gomes trouxe de sua terra natal, Travassô, freguesia pertencente ao Concelho de Águeda, Portugal. Em uma das minhas passagens por lá conheci a fachada de sua bela vivenda, dado que naquele lugar estive por várias vezes em visita aos familiares de minha mãe, todos de origem daquela aldeia.

Volto à Rua da Estrela ou Cândido Mendes, na Praia Grande, para  constatar que no prédio onde havia a firma Pinheiro Gomes, logo se instalou o Banco da Amazônia S/A., por volta dos anos sessenta do século passado.  Em seus quadros meus amigos José de Arimatéa Fonseca e Roque Pires Macatrão, além de outros. Também João Castelo Ribeiro Gonçalves, colega e amigo desde o Colégio Marista, que, vindo de uma cidade do interior do Estado, assume a gerência da agência de São Luís e, com seu habitual dinamismo, faz uma excelente gestão.

A Rua da Estrela ou Cândido Mendes é extensa. Portanto, temos muito chão a vencer.

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