Um murro na plutocracia

Ainda é cedo, mas vale um brinde neste começo de 2016: ter pela primeira vez em década eleições sem financiamento privado nas campanhas. Afinal, desde o fim da ditadura e da reconquista da democracia, o peso do dinheiro empresarial privado não estará presente na compra de votos e na fabricação de eleitos a peso de […]

Ainda é cedo, mas vale um brinde neste começo de 2016: ter pela primeira vez em década eleições sem financiamento privado nas campanhas. Afinal, desde o fim da ditadura e da reconquista da democracia, o peso do dinheiro empresarial privado não estará presente na compra de votos e na fabricação de eleitos a peso de ouro. Sem esses “empréstimos”, o princípio da equivalência passará a prevalecer e a liberdade do voto flui naturalmente como dever ser.

Ensaio
A prática tem sido, historicamente, o eixo principal de todos os escândalos de corrupção recentes, principalmente casos revelados na Operação Lava-Jato. Portanto, a disputa municipal de outubro, que elegerá 5.561 prefeitos e 57.420 vereadores, será um ensaio para as eleições governamentais, parlamentares e presidenciais de 2018. Basta verificar que em 2012, só no Maranhão, disputaram, nos 217 municípios, um batalhão de 682 candidatos a prefeito e um exército de 17.239 a vereador.

Desequilíbrio
A falta ou o excesso de dinheiro nas campanhas as tornam abusivamente desequilibradas. Quem não conhece casos de “viradas” espetaculares de candidatos, às vésperas da votação, quando se joga toda a força do poder econômica para ganhar a “simpatia” do eleitorado? Agora a história será outra. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) deu um basta na contaminação da política pelo dinheiro das empresas. Foi, sem dúvida, a grande vitória da democracia brasileira em 2015 e poderá produzir bons resultados a partir deste ano.

Murro no estômago
A decisão do STF foi sacramentada no dia 17 de setembro por oito dos 11 ministros, que consideraram inconstitucionais as doações de empresas para políticos. Pode-se considerar que foi uma conquista histórica da democracia e da cidadania. A plutocracia levou um murro no estômago e não adiantou derramar biles de ódio. Basta lembrar que o ministro Gilmar Mendes manteve seu voto na gaveta durante mais de um ano sobre a matéria.

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