Pobreza eternizada?

A discussão que deve prevalecer na campanha eleitoral de 2018 no Maranhão não é se Flávio Dino é comunista e roseanista, sarneísta. Isso, para o eleitor, é nhenhenhém. Tem menos importância do que ele saber que o Maranhão é um estado econômico e socialmente viável, no entanto é o maior pobretão do Brasil. Essa discussão […]

A discussão que deve prevalecer na campanha eleitoral de 2018 no Maranhão não é se Flávio Dino é comunista e roseanista, sarneísta. Isso, para o eleitor, é nhenhenhém. Tem menos importância do que ele saber que o Maranhão é um estado econômico e socialmente viável, no entanto é o maior pobretão do Brasil. Essa discussão sobre quem é     comunista e quem é direitista só atende aos interesses dos políticos que sempre usaram artifícios dissimuladores para trapacear a consciência coletiva do eleitorado e manter seus eternos privilégios às custa da miséria da maioria dos maranhenses.

O tema central do debate eleitoral é: por que o Maranhão é o estado mais pobre do Brasil? Por que as sucessivas oligarquias só trabalharam para condenar à pobreza extrema milhões de maranhenses, enquanto menos de 10% possuem mais de 90% da riqueza do Estado. Esse assunto não pode ser mais escamoteado ou mascarado por quem só interessa trocar o tema principal pelas velhas mesquinharias. Elas só apequenam a grandeza da colossal desigualdade entre ricos e pobres.
O fundamental desse drama está na história da escravidão que até hoje carimba a sociedade maranhense. Por que tantos miseráveis permanecem séculos nas periferias, morando em palafitas, distantes dos shoppings, mesmo estando logo ali ao lado desses centros de comércio? No interior do Maranhão, milhões vivem em casas de palhas, consideradas por políticos irresponsáveis e demagogos como “ambiente cultural”. Desde quando a pobreza é cultural?

A realidade maranhense, que o então candidato a governador José Sarney tanto demonizou na campanha de 1965, prometendo mudá-la “desde as áreas brancas de Tutoia aos barrancos do Rio Tocantins”, permanecem intactas, apenas com outras cores e outras definições sociais. Os livros mais famosos do sociólogo Josué de Castro, morto em Paris, no exílio da ditadura de 1964 – Geografia da Fome e Homens e Caranguejos –, estão atualíssimos. Eles inspiraram, em Recife, o movimento Manguebeat. Ao redor de São Luís, tem muito material humano inspirador de tema tão pujante de natureza social, eternizado da miséria,enquanto os políticos torcem o nariz e mudam de assunto

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