PMDB operou a catarata

O PMDB, que tem como símbolo maior no Maranhão José Sarney, Roseana Sarney, Edison Lobão e João Alberto, perdeu a primeira letra no nome, que significava Partido. Agora ficou apenas MDB, como no tempo da ditadura, que fazia o contraponto com a Arena (Aliança Renovadora Nacional), que tinha os mesmo políticos nomeados assim como suas […]

O PMDB, que tem como símbolo maior no Maranhão José Sarney, Roseana Sarney, Edison Lobão e João Alberto, perdeu a primeira letra no nome, que significava Partido. Agora ficou apenas MDB, como no tempo da ditadura, que fazia o contraponto com a Arena (Aliança Renovadora Nacional), que tinha os mesmo políticos nomeados assim
como suas estrelas. O MDB era contra o regime ditatorial, com Renato Archer, Cid Carvalho, Gervásio Santos, Mauro Bezerra e Jackson Lago. Agora, operou a catarata e tenta ver o cenário de 2018 em cores mais nítidas.

Esse tipo de alteração é considerado tão natural no Brasil, como o processo que as cobras adotam para crescer. O réptil passa pela ecdise, em que perde a pele para expandir o corpo e crescer como se tivesse acabado de nascer. Mas o PMDB não é venenoso e sua mordida não é tão letal como de uma cascavel. Em momento de crise, o Movimento Democrático Brasileiro foi obrigado por lei a usar “Partido” no nome. Agora, não há nada que obrigue a tal exigência, motivo pelo qual tem
legendas com as mais esquisitas denominações, como o que adotou o verbo poder no presente do indicativo – Podemos.

Também o velho Partido da Frente Liberal (PFL) tornou se Democratas (DEM) há 10 anos por sugestão do cientista político Antônio Lavareda. Qual era a crise? A falta de acesso a recursos estatais desde o fim de 2001, quando o PFL rompeu com o governo de Fernando Henrique Cardoso. Agora, o PMDB está saindo da encrenca histórica que começou
com a ruptura com o PT, de quem foi aliado nos governos de Lula e Dilma, até golpeá-la com o impeachment. Porém, o DEM nunca chegou nem aos pés do PFL, antes dos Sarney o trocarem no Maranhão pelo PMDB.

Porém, ao voltar ao governo, o DEM se deu bem. Ganhou saúde financeira, poder e robustez. Em março de 2016, pouco antes do impeachment de Dilma Rousseff, a bancada “demista” era de apenas 21 deputados federais. Hoje são 30, com perspectiva de aumentar até março para 40. Já o MDB ganhou roupa nova, brilho na pele que perdeu no caminho, o poder central com Michel Temer, mas, ao mesmo tempo, desgaste irrecuperável. É campeão de parlamentares encrencados na
Justiça por corrupção. Romero Jucá, o presidente do partido, é o artífice da mudança. Filiou-se ao MDB em 1979. Em 78 ganhou o “P” e virou PMDB. Agora, depois da ecdise, mas sem brilho na pele, o partido dos Sarney vira “Movimento” contra o ‘comunismo’ de Flávio Dino, achando-se novinho em folha, mesmo com as lideranças carregando a bengala da retroatividade etária dos anos 30, do século XX.

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