O Maranhão não tem dono

Assim como as chamadas “forças democráticas” têm, na opinião de Flávio Dino, o dever de defender não apenas a liberdade do ex-presidente Lula, como também sua candidatura presidencial, também no Maranhão o momento é de união daqueles que se cansaram da dominação do grupo Sarney durante as últimas cinco décadas. Lutar para que a mudança […]

Assim como as chamadas “forças democráticas” têm, na opinião de Flávio Dino, o dever de defender não apenas a liberdade do ex-presidente Lula, como também sua candidatura presidencial, também no Maranhão o momento é de união daqueles que se cansaram da dominação do grupo Sarney durante as últimas cinco décadas. Lutar para que a mudança na condução da política maranhense seja afastada do possível retrocesso com os Sarney é uma exigência política – seja para eleger Dino ou outro nome que não tenha vinculação com o sarneísmo.

Basta olhar o Maranhão atual (depois de tantos anos de dominação) com o restante do Brasil. O estado de maior potencial do Nordeste em turismo, infraestrutura, água em abundância, litoral pesqueiro, sistema portuário, cultura ímpar, terras agricultáveis, história e patrimônio concebido como de interesse da humanidade pela ONU – tudo isso, porém, tem sido insuficiente para permiti-lo avançar. Tantos anos de sarneísmo foram tantos anos de perda de espaço social e econômico. O Maranhão é o estado mais pobre do Brasil. Isso é muito simples de entender.

O Nordeste, fonte secular de flagelo da seca, tem conseguido se superar. Estados como o Ceará, Pernambuco e Bahia foram embora. Avançaram em vários segmentos. Até o Piauí, velho fornecedor de flagelados da seca para o Maranhão, deixou para trás seu antigo guarda-chuva social. Como é que se justifica o Maranhão ter 50% de sua população dependendo do programa Bolsa Família, para comer e vestir? Será que quer a secularização desse estado de miséria no interior e nas periferias? Para os ricaços, tal situação é indiferente. A classe média, que abarrota o serviço público, também. Nem aí.

Não se trata de postura ideológica ou política. Trata-se de defender o Maranhão dessa condição humilhante. Quem viaja para qualquer estado do Brasil e se revela maranhense depara-se com a clássica constatação, pejorativa, que não tem graça nenhuma: “Ah, você é do Maranhão, a terra do Sarney”. Isso é algo que não tem sentido, mas tem peso na mente das pessoas que não conhecem ou que conhecem o estado. Essa “posse”, de donatário político, não é boa para o próprio Sarney. Pior ainda para os 7,1 milhões de maranhenses.

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