História mal contada

O projeto educacional Yo sí pueda, aplicado no Maranhão pelo governo Flávio Dino para erradicar o secular analfabetismo estrutural, não traz em si nenhum “método de lavagem cerebral”, como afirmou o ex-presidente José Sarney, no artigo dominical, na capa do jornal de sua propriedade. No texto, aliás, o acadêmico da ABL foge completamente do estilo […]

O projeto educacional Yo sí pueda, aplicado no Maranhão pelo governo Flávio Dino para erradicar o secular analfabetismo estrutural, não traz em si nenhum “método de lavagem cerebral”, como afirmou o ex-presidente José Sarney, no artigo dominical, na capa do jornal de sua propriedade. No texto, aliás, o acadêmico da ABL foge completamente do estilo de um escritor de alto nível, que acaba de lançar uma robusta bibliografia, com as obras editadas em vários idiomas, mundo afora. Ele saiu da liturgia política e do estilo literário prosaico, do “Brejal dos Guajás” e partiu para o gênero panfletário.

Para atacar o inimigo Flávio Dino, o único político maranhense que derrotou o seu legado oligárquico em 2014 e pode fazer pior em outubro próximo, José Sarney deixou para trás o mundo ficcional de seus romances para descer a ripa. Bem diferente de quem já escreveu coisas assim: “Quando quebrei a caixa do meu amor por Saraminda, tinha apenas silêncio dentro dela. Dentro do silêncio, a obsessão em deitarme com ela.” O poeta de “Marimbondos de Fogo” se superou,
ao comparar Flávio Dino ao maior facínora da segunda Grande Guerra, Stalin. Num sintoma de ira que pode atingir a alma de quem se diz apaixonado por poesia e pelo Maranhão.

Sobre o método Sí, eu poso, a maior enciclopédia da internet, a Wikipédia, não faz nenhum registro de “lavagem cerebral”, resultante dos alfabetizados em vários países. Trata-se do método educacional para alfabetização de adultos, desenvolvido pela educadora cubana Leonela Relys. “Foi concebido com o caráter internacionalista, podendo ser usado em diferentes realidades sociais e linguísticas – e não só na
América Latina. Entre os anos de 2002 e 2009, foi empregado na alfabetização de aproximadamente 3,5 milhões de pessoas, em diversos países do mundo. Hoje, mais que triplicou. No Maranhão está sendo aplicado pelo MST, inimigo número um dos fazendeiros, latifundiários, grileiros e pecuaristas.

O “Sim, eu posso!” tem como meta alcançar os 30 municípios maranhenses com menor Índice e Desenvolvimento Humano (IDH) do estado, o mais empobrecido do país e também com maior número de analfabetos. Na segunda fase é utilizada a metodologia dos Círculos de
Cultura, baseada nas propostas do educador Paulo Freire que, em tempo algum, ou em qualquer parte do mundo, tenha sido considerado “lavador de cérebro”. Mas na guerra política travada no Maranhão, os tiroteios saem da caneta da intelectualidade, das mídias cibernéticas
digitais e das práticas do antigamente – do bota pra moer.

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