Baixaria indecorosa

A campanha eleitoral ainda nem começou, mas os políticos já se engalfinham, antecipando o clima tenso da disputa do governo em outubro. O terreno da baixaria está encharcando até no Campo de Perizes. Ontem, no ato de entrega do primeiro trecho da duplicação da BR-135, entre o Estreito dos Mosquitos e o povoado Perizes de […]

A campanha eleitoral ainda nem começou, mas os políticos já se engalfinham, antecipando o clima tenso da disputa do governo em outubro. O terreno da baixaria está encharcando até no Campo de Perizes. Ontem, no ato de entrega do primeiro trecho da duplicação da BR-135, entre o Estreito dos Mosquitos e o povoado Perizes de Baixo, em Bacabeira, o governador Flávio Dino, quando discursava, foi agredido verbalmente pelo senador João Alberto, que partiu para a agressão, em tom raivoso, numa atitude repentina e inesperada, sem que estivesse com a palavra.

Na presença dos ministros Maurício Quintela (Transportes), Moreira Franco (Secretaria da Presidência) e Sarney Filho (Meio Ambiente), Alberto, sentado na primeira fila de autoridades, interrompeu Flávio Dino, xingando-o de “mentiroso e vagabundo”. Tudo isso como presidente do Conselho de Ética e Decoro do Senado. Antes, o deputado Hildo Rocha, do mesmo partido de Alberto, rasgou elogios ao presidente Temer por tocar a duplicação da BR e cobrou de Flávio Dino o mesmo, com as rodovias estaduais, apontadas em situação crítica por recente pesquisa da CNT.

Na sua vez de falar, Flávio Dino começou dizendo: “Rompemos o ciclo administrativo, rompemos o ciclo da falta de estradas, da falta de políticas sociais, da falta de escolas…” (Quando ouviu os xingamentos de João Alberto, sem titubear emendou)…“Rompemos também com o ciclo da falta de educação e de falta de serenidade, para governar bem e com tranquilidade”. Mais aplausos, enquanto João Alberto ficou vermelho, com as veias do pescoço a ponto de romperem-se.

O Maranhão é assim. O trecho da BR-135, um dos pontos mais perigosos das rodovias federais, começou a ser duplicado desde 2010. O projeto sofreu várias alterações, dobrou de preço e foi marcado por avanços e paradas; atrasos e mais atrasos, mas sempre ganhando “padrinhos” políticos de todos os níveis de representação. Toda vez que as máquinas operavam, os políticos apareciam para “abençoar”. E o lenga-lenga prosseguiu até ontem,onde o decoro passou de canoa pelo Estreito dos Mosquitos.

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