A complicada escolha de vice

Com a história recheada de golpes e fatos inusitados em relação ao vice-presidente da República no Brasil, como o que derrubou Dilma Rousseff em 2016, as eleições de 2018 mostram um capítulo à parte nas dificuldades de os partidos indicarem o segundo das chapas dos candidatos ao Palácio do Planalto. Num período de 57 anos, o Brasil foi comandado por quatro […]

Com a história recheada de golpes e fatos inusitados em relação ao vice-presidente da República no Brasil, como o que derrubou Dilma Rousseff em 2016, as eleições de 2018 mostram um capítulo à parte nas dificuldades de os partidos indicarem o segundo das chapas dos candidatos ao Palácio do Planalto. Num período de 57 anos, o Brasil foi comandado por quatro vices. João Goulart, José Sarney, Itamar Franco
e Michel Temer assumiram em circunstâncias distintas, mas, juntos, governaram como vices por mais de uma década. Sarney, com a morte de Tancredo, foi o único a pegar o mandato inteiro, de cinco anos. Temer nem vice tem.

Não é sem motivos que os candidatos a governador do Maranhão, exceto Flávio Dino, do PCdoB, deixaram para o final dos acordos entre partidos a indicação do vice. Dino manteve Carlos Brandão como vice por um motivo simples: ele nunca se arvorou, ou conspirou contra titular, com quem  tem relação de absoluta confiança. Por sua vez, Roseana Sarney deixou em suspense o nome do segundo de sua chapa,
até a última sexta-feira, quando bateu o martelo sobre o nome do empresário Ribinha Cunha, de Imperatriz. Já Roberto Rocha e Maura Jorge nada disseram ainda sobre vice.

Na disputa presidencial, mesmo já chegando perto do prazo-limite das convenções, os pré-candidatos ainda tentam firmar coligações e escolher o nome de seus vices. Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSB), Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede), por exemplo, ainda não definiram ao lado de quem vão disputar as eleições marcadas para 7 de
outubro. O PT é um caso à parte. Luiz Inácio Lula da Silva será mantido como pré-candidato até o limite permitido pela legislação. Também, nada de indicar o vice.

A Constituição de 1988 determina em seu artigo 79 que o vice-presidente deve substituir ou suceder o presidente da República. A Constituição do Maranhão, praticamente, copiou integralmente o mesmo dispositivo da federal. O vice tem, segundo o texto constitucional, a atribuição de auxiliar o presidente “sempre que por ele convocado para missões especiais”. No Brasil, mesmo sem uma missão especial, o vice-presidente eleito possui residência oficial no Palácio
do Jaburu e despacha num anexo do Palácio do Planalto. No Maranhão, o vice tem residência pública, gabinete oficial no Palácio Henrique de Lá Rocque e um aparato de assessores
e mordomias pagas pelo contribuinte.

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