A catarse da desigualdade

Alguns indicadores sociais, educacionais e econômicos que mantém o Maranhão, hoje, merecem amplo espaço nas mídias da família Sarney. Mas a realidade é outra, escondida deliberadamente ao longo de décadas. Afinal, a pobreza esparramada entre a maioria da população não brotou no presente quadriênio. Ela é histórica. Nasceu e floresceu no fosso da desigualdade entre poucos privilegiados,donos dos melhores empregos públicos, apadrinhados […]

Alguns indicadores sociais, educacionais e econômicos que mantém o Maranhão, hoje, merecem amplo espaço nas mídias da família Sarney. Mas a realidade é outra, escondida deliberadamente ao longo de décadas. Afinal, a pobreza esparramada entre a maioria da população não brotou no presente quadriênio. Ela é histórica. Nasceu e floresceu no fosso da desigualdade entre poucos privilegiados,donos dos melhores empregos públicos, apadrinhados e apaniguados das castas dominantes. Não produzem, não geram emprego, nem consumo – o começo meio e fim do ciclo da produção.

A pobreza dos maranhenses nunca foi assunto levado a sério na política maranhense. Pelo contrário, só se fala que o Maranhão é rico. O povo é que é “azarado”. José Sarney, candidato a governador em 1965, falou da pobreza insana, mas despois esqueceu. Só veio se lembrar dela, novamente, agora, com Flávio Dino governador.

A população das periferias urbanas e rurais será sempre periférica. Os que nascem e crescem nas “comunidades” e os deserdados de bens, enxotados do meio rural. É o ambiente da escola pública de baixa qualidade, construída de taipa e cobertas de palhas, sem bainheiro e sem professor qualificado. A evasão é espantosa. Falta-lhe incentivo, comida, organização familiar e de encanto pelo ensino.

Os ricos têm escolas caras, salário robusto e ajuda oficial para pagá-las, ambiente feliz, professor treinado, estrutura esportiva e mochilas importadas se cruzando nos corredores. São realidades paradoxais e imexíveis ao longo das décadas. Os filhos dos 10% da população abastada vão para a creche de R$ 2 mil mensais já nos primeiros passos
brincar com seus coleguinhas igualmente ricos e de pele branca. Na periferia, as creches chegam nem para 10% das crianças negras, filhas de domésticas, motoristas, pedreiros, vigilantes, cabeleireiras e biscateiros. Nas comunidades periféricas e zona rural, a creche é a rua. É o mato, é a roça.

Nos municípios, os prefeitos são escolhidos dentro de oligarquias municipais que se entrelaçam com o Poder Legislativo estadual e federal, num ciclo virtuoso repetitivo e quase eterno. É a elite interiorana que se casa à elite clássica das moradias milionárias e das escolas de alto padrão, cuja formação se completa na Europa e Estados Unidos. E aí, os grotões dos desassistidos, injustamente, acabam levando a fama de não saber votar, ao eleger maus políticos.

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