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Um pouco de história… ajuda!?

Já disse aqui, nas minhas conversas (ou monólogos) semanais, citando o sociólogo Jessé Souza, autor da obra A elite do atraso, que o presente não se explica sem o passado. A história é sempre história, e nunca, por favor, estória. Num outro momento, um pouco lá atrás, Marx, o Karl, de O capital, porém em […]

Já disse aqui, nas minhas conversas (ou monólogos) semanais, citando o sociólogo Jessé Souza, autor da obra A elite do atraso, que o presente não se explica sem o passado. A história é sempre história, e nunca, por favor, estória. Num outro momento, um pouco lá atrás, Marx, o Karl, de O capital, porém em O 18 brumário, inicia esse importante trabalho, fazendo referência ao filósofo Hegel, nos seguintes termos: “Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda farsa.” A partir dessa premissa, Marx discorre sobre a história, seus personagens, os mortos, a ressurreição desses mortos, com a finalidade de novas lutas e não simplesmente parodiar o passado. Daí a sua célebre frase introdutória.

Essas citações de cima me foram provocadas em razão de um documentário apresentado, num desses dias, pelo canal History 2, em que o tema fora a depressão que afetou o sistema capitalista nos idos de 1929 e a década de 1930. De uma forma crua, sem maquiagem, foram mostrados fatos e situações que destoam muito do mundo de hoje, embora apenas se faça referência à gravíssima depressão de 2008. A crise social e econômica atingiu de modo brutal as pessoas: desemprego, fome, morte, agressão do próprio Estado ceifando a vida do trabalhador, que estava numa situação de miséria; o desamparo das famílias, com crianças esquálidas morrendo em abrigos miseráveis de frio e fome. Ao lado de tudo isso, um presidente norte-americano, Hebert Hoover, omisso, desumano, que entendia que a crise era resolvida por si mesma, sem necessidade da intervenção do Estado. Apenas o funcionamento do mercado equilibraria e venceria a situação de calamidade em que mourejava o povo estadunidense. Nada foi feito, até que se deu a eleição de Franklin Delano Roosevelt.

Lendo o livro A história dos Estados Unidos, de Leandro Karnal, ao tratar do momento histórico dessa avassaladora crise econômica e social, ele presta esses esclarecimentos: “A maior crise econômica da história do capitalismo, na década de 1930, pôs fim às certezas econômicas e sociais dos anos de 1920. Bancarrota, desemprego, miséria social em massa caracterizaram os Estados Unidos depois do colapso financeiro do país em outubro de 1929, (…) A severidade da crise econômica e a aparente incapacidade do governo para resolvê-la haviam provocado ampla desilusão com relação ao sistema, e que se refletiu com nitidez no surgimento em massa de renovados movimentos, no desenvolvimento de uma cultura de protesto social e nos questionamentos na sociedade como um todo.”

Em 2008, tivemos outa grande crise. Felizmente superada no Brasil, sobretudo em face de uma política de governo centrada na proteção social. E isso não quer dizer que o capitalismo foi superado. Pelo contrário, agigantou-se, e dita as regras, continuando a trilhar os mesmos caminhos, em que o cânone inarredável consiste em os ricos ficarem cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres.

Na disputa com Hoover, este um presidente insensível, inútil e a serviço do mercado, Roosevel assumiu o governo com a finalidade de combater a nefasta crise que se abatia nos Estados Unidos e no mundo inteiro. Lançou o primeiro New Deal, um programa de reformas para promover a recuperação industrial e agrícola, e ainda regular o sistema financeiro e estabelecer providências para concessão de assistência social e, ainda, para fomentar empregos e realizar obras públicas. O segundo New Deal foi lançado de 1935 com programas de ampliação social em caráter emergencial. Isso quer dizer que os Estados Unidos, um país capitalista por excelência, em que o mercado resolvia todos os problemas, passou a adotar uma postura de Estado provedor. No segundo plano, ficou caracterizada essa nova conformação de proteção aos desamparados.

O discurso de posse de Franklin Roosevelt aponta todos os caminhos a serem seguidos, por ser uma proposta de mudança de um estado ausente para um estado presente e atuante na construção de uma nova sociedade, mais humana e menos, na essência, capitalista. Li esse discurso embevecido. Deveria ter lido antes. Numa das passagens, Roosevelt acentua: “Diante do fracasso do crédito, propuseram apenas o empréstimo de mais dinheiro. Despojados do engodo do lucro com o qual induziram nosso povo a seguir sua falsa liderança, recorreram a exortações, implorando chorosamente por uma exaltação da confiança. Eles só conhecem as regras de uma geração de egoístas. Eles não têm visão, e quando não há visão as pessoas perecem.” Roosevelt não deixa pedra sobre pedra. Acusa a usura dos “cambistas” (os banqueiros) e suas posições elevadas nos templos de nossa civilização. E afirma mais que a felicidade não está na mera posse de dinheiro: está na alegria da conquista, na emoção do esforço criativo.

Em nossa pátria amada, governante que se dedica à cidadania, na luta por sociedade mais igual, atira no peito para não ter a sua honra enxovalhada, ou é vítima de golpe, orquestrado pelos “cambistas” que ainda não foram expulsos dos templos de nossa civilização. P.S.: Entro de férias neste mês de julho. Volto em agosto.

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