
Quando liderava a Pró-Reitoria de Planejamento da UEMA, em 2015, iniciamos uma reflexão que mudaria os rumos da instituição. Lembro bem das palavras do professor João Augusto, meu mestre e amigo, que à época assessorava a PROPLAN ao chamar nossa atenção para a necessidade de incluirmos a inovação na agenda da universidade. Essa reflexão inicial nos fez promover em março de 2016 o I Workshop de Inovação da UEMA. A partir dali, tornou-se natural discutir como inserir a universidade em um movimento global no qual a academia deixava de produzir conhecimento apenas para si e passava a entregar soluções concretas à sociedade e aos setores produtivos, sobretudo pela geração e transferência de propriedade intelectual. Compreendemos que o maior patrimônio da UEMA é o conhecimento científico e tecnológico que produz — ativo capaz de se transformar em valor real, gerando benefícios sociais e impulsionando o desenvolvimento econômico do estado.
Esse terreno fértil resultou, em 2019, durante o reitorado do professor Gustavo Costa, na criação da Agência de Inovação e Empreendedorismo da UEMA, batizada por minha equipe de “Marandu” — palavra tupi-guarani que significa “ideia, novidade”. Mais do que uma escolha simbólica, pela representação da nossa essência, foi uma afirmação de identidade: inovar com raízes locais. Hoje, sob a reitoria do professor Walter Canales, celebramos seis anos de uma trajetória que ultrapassou a formalidade de normas e programas e consolidou uma nova cultura institucional. Inovação e empreendedorismo científico deixaram de ser marginais e se tornaram parte do DNA da universidade, lado a lado com o ensino, a pesquisa e a extensão, como registrado no Plano de Desenvolvimento Institucional (2021–2025), que acrescentou também internacionalização e sustentabilidade como dimensões estratégicas.
Essa mudança de paradigma alinha a UEMA às transformações históricas das universidades. Da Idade Média aos dias atuais, essas instituições evoluíram: de guardiãs do saber, a formadoras de elites, depois produtoras de ciência em larga escala e, agora, protagonistas na transferência de conhecimento aplicado à vida social e econômica. A UEMA reafirma seu compromisso de ser uma universidade do seu tempo e encontra, na Marandu, um dos principais vetores para sustentar esse posicionamento no Maranhão.
Os resultados são concretos. Apenas nos últimos dois anos, os registros de propriedade intelectual cresceram mais de 200%, saltando de 10 em 2022 para 29 em 2024. Com a implantação da Incubadora UEMA, em maio de 2025, já abrigamos 20 empresas de base científica e tecnológica, envolvendo cerca de 80 professores, estudantes e técnicos em projetos que unem ciência, negócios e compromisso socioambiental. No último semestre, realizamos mais de 45 eventos de formação e conexão, gratuitos e públicos, aproximando universidade, governo e setores produtivos em torno da inovação.
A força da Marandu também se traduz em outros marcos coletivos. O Marandu Summit, que em novembro chega à sua terceira edição com apoio do Sebrae, já reuniu cerca de cinco mil pessoas e consolidou-se como o maior encontro de inovação e empreendedorismo científico do Maranhão. A comunidade universitária também tem exercitado sua capacidade crítica de compreender a realidade e propor soluções em iniciativas como a Jornada de Empreendedorismo Inovador, que mobilizou cerca de 300 estudantes em quase todos os campi da UEMA. Outro destaque foi a inédita Jornada de Inovação Aberta com a Vale, que recebeu 22 propostas dos centros de ciências de São Luís com ideações para oito desafios estratégicos, resultando em duas transferências de tecnologia da universidade para a empresa.
Em outra dimensão, a Marandu também tem sido responsável por captações de alto impacto, a exemplo da inserção da UEMA em agendas nacionais, como a rede vinculada à política brasileira de software do MCTI e da Softex. Graças a isso, centenas de jovens participam de programas de residência tecnológica em TICs, com bolsas e laptops, alinhando formação acadêmica às transformações digitais contemporâneas. São iniciativas que colocam a UEMA em sintonia com as transformações digitais contemporâneas e reforçam o compromisso de preparar o Maranhão para os desafios da economia do conhecimento.
Nada disso seria possível sem uma rede robusta de parcerias. Destaco a Fapema, decisiva na estruturação da agência, e o Sebrae Maranhão, pelo permanente suporte em prol da difusão do empreendedorismo inovador no estado. A lista se amplia com Banco do Nordeste, EMAP, Fiema, SECTI, SEINC, MAPA, EQT Lab da Equatorial, Vale e tantas outras instituições públicas e privadas que compreenderam a relevância dessa agenda. Essa convergência demonstra que inovação não é obra de um único ator, mas resultado de uma rede que articula governo, universidade, empresas e sociedade civil em torno de objetivos comuns.
Acima de tudo, a Marandu é feita por pessoas. Uma equipe abnegada e competente que, com dedicação cotidiana, transformou uma ideia em realidade. Professores que acreditam na ciência aplicada, estudantes que ousam empreender e servidores que sustentam os bastidores dessa engrenagem dão vida à Agência. É justo reconhecer o trabalho desbravador do professor Antônio Vasconcelos, primeiro coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica da UEMA, hoje incorporado pela Marandu, e do professor José de Ribamar Morais, primeiro diretor da agência, ladeado pela professora Heloísa Medeiros, pioneiros que abriram caminho para esse processo transformador.
Ao completar seis anos, é tempo de celebrar, mas também de projetar. Nosso desafio é consolidar o Parque Tecnológico Renato Archer como espaço vivo de integração entre pesquisa, inovação e empreendedorismo; expandir editais de incubação para os municípios, a partir dos campi da UEMA; e viabilizar o Portal de Inovação Aberta InovaGov MA, aproximando órgãos públicos de soluções inovadoras. Com isso, avançaremos também na internacionalização das nossas startups, conectando o Maranhão a ecossistemas globais de inovação.
Celebrar os seis anos da Marandu é reconhecer que a UEMA assumiu o protagonismo de traduzir ciência em benefícios sociais e desenvolvimento econômico. A Marandu nasceu para criar conexões e é exatamente isso que continuaremos a fazer. Conectar ideias a oportunidades, universidade a sociedade, ciência a mercado, presente a futuro. Esse é um presente da UEMA para o Maranhão!