

O mundo parece viver um grande paradoxo: nunca se debateu tanto sobre sustentabilidade, mas, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão próximos de um colapso ambiental. A cada novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o alerta se repete, e o tempo para agir diminui a cada dia. Portanto, o desafio não é mais reconhecer o problema, mas encontrar meios reais e eficazes de enfrentá-lo. Foi justamente por isso que o Brasil decidiu colocar a inovação, a implementação e a inclusão no centro da sua proposta para a COP30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
Essas três palavras permearão toda a conferência e, de fato, não foram escolhidas por acaso. A Inovação representa a capacidade de criar novas soluções, tecnologias e modelos de cooperação capazes de transformar conhecimento em ação. A Implementação expressa a urgência de tirar as promessas do papel, transformando metas e acordos em resultados concretos. Já a Inclusão reforça que nenhuma transição sustentável será completa se não envolver as pessoas — especialmente as que mais sofrem com os efeitos das mudanças climáticas. Juntas, essas palavras formam uma síntese do que a humanidade precisa fazer: pensar diferente, agir rápido e incluir todos nessa jornada.
Tenho acompanhado os preparativos da conferência. O evento central será realizado entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém do Pará, no coração da Amazônia, sendo precedido pela abertura oficial para chefes de Estado e de governo nos dias 6 e 7 desse mês. Pela primeira vez, o principal encontro global sobre o clima acontecerá dentro da floresta, que é, ao mesmo tempo, símbolo de urgência e esperança. A decisão de sediar o evento nessa região carrega um significado profundo: coloca o Brasil no centro do debate sobre o futuro do planeta e nos convida a mostrar, na prática, que é possível conciliar desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
O cenário é desafiador. As metas do Acordo de Paris serão checadas e seguem distantes, e o mundo chega à COP30 pressionado a apresentar resultados tangíveis. Não por acaso, as consequências do aquecimento global — secas extremas, inundações, ondas de calor e perda de biodiversidade — já fazem parte do cotidiano de milhões de pessoas. É nesse contexto que o impulso por novas soluções deixa de ser discurso e se torna necessidade inadiável.
É por essa razão que o imperativo da inovação se torna inescapável. Criar e desenvolver novas soluções é o que nos permite produzir energia limpa de forma acessível, usar a biotecnologia (ciência que manipula seres vivos para criar soluções) para regenerar ecossistemas, aplicar inteligência artificial (IA) para prever desastres e criar modelos de negócio sustentáveis. Em outras palavras, essa capacidade de inovar é o elo que conecta a ciência à vida real, transforma conhecimento em ação e faz da criatividade o instrumento mais poderoso de sobrevivência.
Foi exatamente com esse propósito que a presidência brasileira da COP30 lançou os Desafios de Inovação, reunindo universidades, startups e empreendedores de todo o mundo em busca de soluções práticas e escaláveis para a crise climática. Um deles, a Infraestrutura Pública Digital para Pessoas e Planeta, estimulou ideias que usassem tecnologias públicas — como as infraestruturas digitais que sustentam sistemas como o Pix ou o Gov.br — para gerar impacto social e ambiental. Outro, a Fábrica de Inovação em IA para a Ação Climática, mobilizou equipes a desenvolver soluções de IA voltadas à redução de emissões, à agricultura sustentável e à conservação da biodiversidade. Como resultado, as propostas mais promissoras serão apresentadas em Belém, mostrando que a colaboração e o conhecimento coletivo podem, de fato, transformar realidades.
Dessa forma, a COP30 marca uma verdadeira mudança de paradigma. Não se trata mais apenas de medir emissões ou negociar metas, mas de repensar profundamente a forma como vivemos, produzimos e nos relacionamos com o planeta. Estamos testemunhando a transição de uma agenda de promessas para uma agenda de entregas, em que a criação e a implementação de soluções se tornam o principal instrumento da ação climática. E, nesse ponto, a conferência deixa de ser apenas um evento internacional de diplomatas ou ambientalistas para se tornar um chamado à sociedade como um todo.
É com esse mesmo espírito de ação que a Agência Marandu/UEMA realizará, nos dias 13 e 14 de novembro, o Ideathon de Sustentabilidade Climática, durante o Marandu Summit 2025, que acontece dentro da programação da Semana Acadêmica da UEMA. Vale destacar que, neste ano, a Semana traz o tema “Economia sustentável diante de mudanças climáticas” e ocorre em meio à realização da própria COP30, conectando a agenda global ao contexto local. O Ideathon será uma maratona de ideias aberta a estudantes, pesquisadores, professores e empreendedores, que responderão ao desafio: “Como podemos reduzir os impactos das mudanças climáticas por meio de soluções inovadoras?”. Será uma oportunidade valiosa para transformar conhecimento em ação e mostrar, na prática, que o Maranhão também pode contribuir com suas propostas e talentos para um futuro mais sustentável.
Por fim, a COP30 é um lembrete categórico de que o futuro depende das escolhas que fazemos agora — e das inovações que temos coragem de colocar em prática. A Região Amazônica será o palco, mas o enredo é global. E, nele, o Maranhão pode — e deve — fazer a sua parte, contribuindo com criatividade, ciência e compromisso para um planeta mais equilibrado e sustentável.