
O Maranhão possui quase 7 milhões de habitantes. Destes, 10,50% são idosos com mais de 60 anos, 33,90% são jovens entre 0 e 19 anos e 55,60% são adultos entre 20 e 59 anos. Como professor de Informática na Educação, lembro-me de uma turma de Licenciatura em Informática onde os alunos eram professores veteranos de diversas áreas que estavam migrando de carreira. Isso foi em 2008. Eu fazia uma afirmação naquela época que serve até os dias de hoje em tempos de Inteligência Artificial: “o computador não irá substituir o professor, mas aquele que dominar o computador irá substituir o outro que não o domina”. Naquela época, minha filha mais velha tinha 4 anos e era um ás da tecnologia (pelo menos para o pai), utilizando um tablet da Apple. Ela tinha destreza em utilizar equipamentos de DVD, aprendendo rapidamente as “interfaces” do que estava à sua frente. Por outro lado, meus alunos, já veteranos, tinham dificuldades no uso das telas de um caixa eletrônico, mesmo para ações simples como sacar dinheiro.
As tecnologias evoluíram a um ritmo que nem mesmo a ficção científica ousava prever. No passado, ter um curso de datilografia era essencial. Hoje, o teclado físico cede lugar à voz e ao toque de telas, e nem curso de digitação se faz necessário em tempos de telas de textos rasos e respostas instantâneas. As preocupações também mudaram. Se antes temíamos o roubo do dinheiro na rua, agora nos preocupamos com hackers que, do outro lado do mundo, podem nos causar prejuízos em segundos. Esse contraste entre gerações mostra que não vivemos apenas uma diferença de idade, mas de linguagem. Enquanto jovens lidam com o digital como uma extensão natural do corpo, muitos adultos e idosos ainda encaram a tecnologia como um território hostil, cheio de senhas, aplicativos e códigos indecifráveis. O conflito de gerações não está apenas nas preferências musicais ou nas gírias, mas nas formas de aprender e interagir com o mundo.
Na educação, esse abismo se reflete em salas de aula onde professores analógicos tentam ensinar alunos digitais. O desafio não é apenas usar a tecnologia, mas integrá-la de forma crítica e significativa. Tablets, lousas digitais e plataformas de ensino não garantem aprendizagem se não vierem acompanhados de propósito pedagógico e sensibilidade humana. A escola hoje compete com o Google, o YouTube e, mais recentemente, com os assistentes de Inteligência Artificial. O papel do professor, portanto, precisa se reinventar. Mais do que transmitir conteúdo, ele deve ensinar a pensar, questionar, discernir.
O futuro da educação no Maranhão e no Brasil depende de compreender esse conflito e transformá-lo em ponte. Precisamos de políticas públicas que valorizem a formação digital dos professores, que aproximem as escolas das inovações e que promovam o diálogo entre gerações. A tecnologia, quando bem utilizada, pode ser o elo que une o saber acumulado dos mais velhos à curiosidade inquieta dos mais jovens. Se na Revolução Industrial o desafio era lidar com as máquinas, na Revolução Digital o desafio é aprender com elas. E talvez, daqui a algumas décadas, nossos netos riam do tempo em que “mexer em computador” era algo digno de elogio. Afinal, cada geração tem suas próprias máquinas, e o que hoje parece avançado amanhã será apenas memória.