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COVID-19

Memorial é criado para eternizar as vítimas da covid-19 no Maranhão

Um site criado por um caxiense reúne histórias de pessoas que foram vítimas da Covid-19 no Maranhão para que elas permaneçam na memória dos que aqui ficaram

Reprodução

“Maria Isaura Coimbra Silva, nasceu em São Luís, em 02 de janeiro de 1947, filha de um belo relacionamento entre Carlos Júlio Coimbra e Maria de Nazareth Lima Coimbra. Aos 73 anos, foi acometida com o coronavírus, que ceifou sua vida em um sábado à noite (13 de março de 2021), às 22h. Mãe de quatro filhas (Deusanilra Coimbra Silva, Huberlandia Lima Coimbra, Rosangela Coimbra Santos e Ângela Maria Lima Coimbra), deixou seu legado que é lembrado por cada uma. Maria Isaura gostava de viajar… conhecer novos lugar, mas a própria viagem da vida, foi interrompida de forma brusca e inesperada”.

Essa conta não é minha

O depoimento é de uma das filhas de Maria Isaura, Rosangela Coimbra, postado no site Memorial Eternos MA (eternosma.com.br), uma plataforma digital que busca eternizar as memórias de vítimas do coronavírus no Maranhão.

O site
O site foi ao ar no dia 2 de abril e com 24h já estava recebendo as primeiras histórias de maranhenses que perderam as vidas para a Covid-19. Atualmente o  Memorial consta com 18 (dezoitos), histórias/memórias publicadas. Para a coordenação do memorial, “conceder um espaço para essas lembranças é eternizar cada maranhense que foi vítima do coronavírus”.

Conceder um espaço para essas lembranças é eternizar cada maranhense que foi vítima do coronavírus.

O projeto é de iniciativa do caxiense Fernando da Silva Sampaio (professor, historiador e programador web), que, por meio de uma rede de colaboração mútua, disponibiliza um espaço para que familiares deixem registrado as memórias sobre seus entes queridos. “Não são números estatísticos, são histórias de eternos maranhenses. O grande estopim para a criação do memorial se deu ao fato de perceber o grande aumento de óbitos no Maranhão, nesta chamada segunda onda. E o fato de que, apenas pessoas com alguma posição social ou ligação com grupo de reconhecimento, são noticiados e ofertados homenagens, e as outras vítimas do coronavírus, que não fazem parte de um grupo social, ficavam apenas como um número nas estatísticas”, disse Fernando da Silva.

Lúcio Mauro Pereira Cabral de Oliveira, 49 anos, filho de Carlos Alberto de Oliveira, 72 anos, caxiense popularmente conhecido como “Diocrim”, resume com uma frase o que significou o pai na vida dele: “Ele foi uma inspiração na minha paixão pelo rádio, era meu herói do rádio”. Diocrim faleceu no dia 14 de junho de 2020 no Hospital José Frota, em Fortaleza, após 15 dias intubado esperando por uma vaga de leito em uma UTI, em decorrência de complicações causadas pela Covid-19.

Não são números estatísticos, são histórias de eternos maranhenses. O grande estopim para a criação do memorial se deu ao fato de perceber o grande aumento de óbitos no Maranhão.

“Nem ao menos dizer um adeus”

Kelita Laís de Almeida Santos, 25 anos, neta de José Alves de Almeida, falecido aos 84 anos no dia 8 de dezembro de 2020, disse que “falar do meu avô é incrível, pois era um homem de temperamento forte, porém dono de um coração muito grande, sempre disposto para ajudar os seus”.

Em um trecho da homenagem, Kelita conta que a dor maior foi de não poder se despedir do avô. “Perdemos ele às 3h da manhã do dia 8 de dezembro de 2020, não podemos velar, nem ao menos dizer um adeus, não podemos fazer nada…Perdê-lo dessa forma, sem poder despedir dói mais ainda. Covid-19 não é uma gripezinha, esse vírus é algo tão sério… vamos nos cuidar e cuidar de quem amamos. A casa ficou grande sem ele, a saudade agora é eterna. Para todo sempre nosso Velho Cazuza”.

Como funciona o memorial

As histórias para o memorial podem ser postadas diretamente no site por meio de preenchimento de um formulário com informações sobre o homenageado e quem está fazendo a homenagem. Após o envio da história, um colaborador do memorial faz um contato para confirmação das informações e em seguida, é feita a publicação.

Segundo Fernando, a recepção do memorial pelas famílias tem sido positiva. “A cada homenagem publicada, recebemos agradecimentos por parte do familiar, informando a importância desse projeto. O que nos incentiva ainda mais a dar corpo ao memorial”.

O memorial está aberto, tanto para receber as histórias, quanto para a colaboração por parte de jornalistas, poetas, escritores, historiadores ou qualquer outra pessoa que se sensibilize com o projeto.

O site permite apenas homenagem por pessoa (homenageado). Toda homenagem enviada ou coletada, passa a ser de uso público, podendo ser utilizada e publicada posteriormente pelo organizador do projeto, pesquisadores e jornalistas.

A cada homenagem publicada, recebemos agradecimentos por parte do familiar, informando a importância desse projeto. O que nos incentiva ainda mais a dar corpo ao memorial.

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