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PANDEMIA

Futuro da pandemia pode ser ainda mais devastador no Brasil, aponta estudo

Brasil chega ao seu período mais devastador do coronavírus. E novos recordes de mortes ainda podem ser batidos

Um profissional de saúde realiza um teste finalizado em um local de testes de coronavírus fora dos Serviços Comunitários de Saúde Internacionais no Distrito Internacional de Chinatown durante o surto de doença por coronavírus (COVID-19) em Seattle, Washington, EUA, em 26 de março de 2020. REUTERS / Lindsey Wasson

Com 1.085.038 pessoas infectadas, o Brasil ultrapassou a marca de 50 mil mortes por COVID-19. Entre sábado e ontem, foram registrados 641 novos óbitos, elevando o número para 50.617, de acordo com dados do Ministério da Saúde. No mesmo período de 24 horas, foram adicionados 17.459 casos às estatísticas do órgão. Para especialistas, não só o Brasil começou o relaxamento das medidas de isolamento social no momento errado, quando a elevação da curva ainda não foi freada, como não tomou as medidas necessárias para evitar novos saltos. 

Ao mesmo tempo que prefeitos e governadores discutem a flexibilização do isolamento social, o Brasil chega ao seu período mais devastador do coronavírus. E novos recordes de mortes ainda podem ser batidos.

“É muito triste ver esses dados epidemiológicos do Brasil. Mas, infelizmente, era de se esperar com uma política governamental tão errática e, muitas vezes, contraditória, na qual o próprio presidente da República é contra as orientações do Ministro da Saúde, quando nós ainda tínhamos um ministro”, disse o professor da Universidade Federal de Minas Gerais Unaí Tupinambás, que é referência em Belo Horizonte e integra o comitê formado por infectologistas para combate ao coronavírus na capital mineira.

 Há 37 dias, o oncologista Nelson Teich deixou o comando do ministério – segunda baixa no cargo em meio à pandemia do novo coronavírus. “Infelizmente, a gente pode ainda bater novos recordes já que a taxa de letalidade não para de aumentar”, acrescentou.

A infectologista, MBA em Gestão de Saúde e Controle de Infecção Associada a Sistemas de Saúde e mestre em Saúde Pública pela Johns Hopkins, Luana Araújo, classifica a situação atual como uma “tragédia”. 

“E não se pode dizer que a tragédia já se encerrou. Independentemente do número bruto de mortes, cada uma delas é um sofrimento imensurável e elas precisam ser respeitadas e sentidas”, disse. “Infelizmente, a gente não pode dizer que vamos parar por aí. A doença está se interiorizando, tem se espalhado rapidamente e isso é extremamente preocupante”, acrescentou. Ela acredita que o problema está bem longe de uma resolução.

De acordo com o Ministério da Saúde, o maior número de casos confirmados ainda continua com o Nordeste (379.297). A Região Sudeste vem logo em seguida, com 377.817. Centro-Oeste conta com 63.553, o Sul com 51.531 e o Norte, com 212.940 casos confirmados. A taxa de letalidade da doença está em 4,7%.

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