SAÚDE ANIMAL

Mês do cachorro louco: veterinário responde questões sobre a raiva canina

Esta é uma história antiga que deve-se por agosto ser, normalmente, um mês que as cadelas sincronizam o cio. Por estarem no período fértil, os cachorros ficam “loucos” pelas fêmeas, brigando entre eles para conquistá-las.

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A raiva canina é uma zoonose que pode ser transmitida através da mordida ou arranhadura de mamíferos. O veterinário Ricardo Cabral, da Virbac, responde as principais dúvidas sobre a doença e ressalta que a vacinação é a única forma de prevenção

Por que agosto é conhecido como “mês do cachorro louco”?

Esta é uma história antiga que deve-se por agosto ser, normalmente, um mês que as cadelas sincronizam o cio. Por estarem no período fértil, os cachorros ficam “loucos” pelas fêmeas, brigando entre eles para conquistá-las. Tendo isso em vista, como a raiva canina também é transmitida através de mordidas e arranhaduras dos cães, diz a lenda que a doença pode se espalhar mais facilmente nesse período. Mesmo não tendo nenhuma comprovação cientifica sobre isso, agosto passou a ser o Mês de Conscientização da Raiva Canina. É importante ressaltar que a raiva não é transmitida somente neste mês, ela pode acontecer em qualquer época do ano. Por isso, os cães devem estar sempre com a vacina em dia.

Quais são os sintomas da raiva?

A raiva é uma doença viral, que acomete mamíferos em geral e afeta o sistema nervoso central. Por ocorrer em animais e humanos, é considerada uma zoonose. Nos cachorros essa doença é conhecida como raiva canina. Os cães são infectados pela raiva ao entrarem em contato com a saliva de animais infectados. Essa transmissão ocorre, principalmente, por causa das mordidas destes animais, mas podem acontecer em caso de arranhões ou até lambidas. O morcego é um dos principais exemplos de transmissor, tendo em vista que para se alimentar ele precisar morder a presa. Já os cães acabam transmitindo quando estão mais agressivos, sintoma das fases mais avançadas da doença. Os sintomas são graves por ser uma doença do sistema neurológico. O animal pode apresentar convulsões, agressividade, imobilidade dos movimentos, incapacidade de deglutir – por isso a hidrofobia é conhecida como um sintoma clássico da doença – e aumento de saliva. O tempo entre o animal ser mordido e apresentar os sintomas pode variar muito. Essa variação tem a ver com o local que foi realizada essa mordida, tendo em vista que o vírus sobe pelo sistema neurológico. Portanto, se o animal é mordido na pata, por exemplo, a doença vai ascender pelos nervos até chegar no sistema nervoso central. Já se o animal for mordido no rosto, a ascensão é mais rápida. A doença, infelizmente, não tem cura. Muitas vezes os cães são encaminhados para eutanásia quando diagnosticado, por isso a prevenção através da vacina é muito importante.

O que é importante fazer quando chega o mês do cachorro louco?

Independente do mês, é imprescindível que os cachorros estejam com vacinação em dia, principalmente, para evitar que a doença se prolifere em meses suscetíveis, como é o caso de agosto.  O número de casos da doença, tanto em animais quanto em humanos, apresentava uma tendência de queda, o que garantiu uma falsa sensação de que a doença estava sob controle. Tanto é que não vemos mais muitas campanhas de vacinação contra a Raiva. E aí que está o erro! Nos últimos anos, observamos uma reemergência da doença, o que pode ser o reflexo da redução de número de animais vacinados. Em maio, por exemplo ocorreu uma morte em Santa Catarina devido à Raiva Canina*. Então, este é um assunto que precisa ser falado para que a população entenda a importância de manter a vacinação dos animais em dia.

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