Turismo

Serpente da Lagoa da Jansen “agoniza” diante de descaso

Moradores e frequentadores se ressentem de melhorias para a área, que é um dos cartões postais de São Luís, e que já foi mais visitado pelos turistas

Há 17 anos o auxiliar de serviços gerais Warllison Fonseca Pereira participava de um momento, para ele, muito importante. Ele ajudaria a colocar no mar o monumento da Serpente da Lagoa, que possuía na época 74 metros de comprimento. Foi um dia de festa, segundo Warllinson, na área turística e de lazer de São Luís, localizada entre os bairros São Francisco, Renascença e Ponta d’Areia.

“Foi bonito. À noite tinha uma iluminação bonita. Deu muita gente. Mas com o passar do tempo não houve reparo, aí ela começou a se desgastar. Tem vários pedaços dela pela lagoa. Acho que foi desperdício de dinheiro”, lamenta.

A serpente foi criação do artista plástico Jesus Santos e foi inaugurada em 2001. O artista deu o apelido carinhoso de Lulu, inspirado em uma lagartixa que ele deu para filha Luiza quando do nascimento dela. O trabalho levou dois meses para ser concluído, e no terceiro mês após sua colocação no espelho d’água da lagoa, afundou, sendo recuperada pouco tempo depois. Na época a obra recebeu várias críticas por isso. “Não calcularam direito a engenharia, aí afundou e gastou-se mais dinheiro para recuperar”, disse um morador da área, José Ribamar Feitosa.

A escultura foi criada para representar uma das lendas mais antigas e famosas da capital maranhense e para embelezar a área da Lagoa. Mas foi se deteriorando com o tempo. Hoje, ela se encontra quase toda submersa e com pedaços espalhados pela laguna.

O eletricista Carlos Magno Ferreira Diniz, morou na Lagoa por 35 anos e viu toda a época áurea daquela região, próximo ao píer. “Chamava muito a atenção de turistas. Era bem atrativo e hoje está abandonado. Todo mundo que conheceu antes e vê o estado que está agora lamenta. É uma área que precisa ser revitalizada. Até pessoas que fazem caminhada já deixaram de vir como era antes. Agora eles ficam mais na parte da quadra de tênis, na praça do Foguete”, diz.

O garçom Gabriel Gonçalves, mora há 5 meses no local e diz que seus amigos falam dos tempos áureos da área.  “Fico triste porque é um ponto turístico. À noite é mais movimentado por causa dos bares, mas nos finais de semana é deserto e perigoso, por causa do pouco fluxo de gente no local”.

O píer, que garante uma aproximação maior do visitante para a laguna também está deteriorado, o que dificulta, segundo Warllison, a permanência das pessoas. Às margens do píer, dentro da água, também é possível ver muitos dejetos de lixo, como garrafas pet, latas, copos, pedaços de pau…

“A ponte está quebrada no píer. Até minha esposa meteu o pé ali, quase caía. Por fora é feito o serviço de limpeza, de capina, mas por dentro não”, disse.

Questionamos o Governo do Estado para saber se há um projeto de revitalização, reurbanização da área, ou de serviços de infraestrutura, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos retorno.  

Lenda

A escultura de Jesus Santos foi baseada na lenda da serpente encantada. Quem é maranhense sabe que essa é uma das que povoa o imaginário dos moradores. Diz a lenda que ao redor da ilha existe uma grande serpente, que dorme e cresce sempre dormindo e a crescer, que estaria com a cabeça na Igreja da Sé e a parte da cauda nas galerias da Fonte do Ribeirão até que um dia a cauda alcance a cabeça. Quando isto acontecer, a serpente acordará e faminta, pensando ser a própria cauda, comida, morderá, causando movimento brusco e com isso a destruição completa da cidade, que será engolida por um gigantesco maremoto.

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