VIOLÊNCIA

Rastro do Feminicídio: Por que homens matam mulheres?

De janeiro até agora foram registradas cinco mortes de mulheres, cujos suspeitos foram ex-namorados, maridos ou companheiros. Casos foram classificados como feminicídio.

Foto: Divulgação

Adaleia Carvalho da Silva era de Balsas e tinha 25 anos, mas foi brutalmente assassinada pelo ex-companheiro no último dia 3 de fevereiro, que invadiu a casa em que ela morava com a mãe e o filho. Após o ocorrido, Vando Gomes do Nascimento, mais conhecido como “Valdinho”, tentou se matar com facadas no pescoço e outras partes do corpo. O ex-companheiro morreu dois dias depois de estar internado no Hospital Municipal de Balsas.

Outra vítima

Foto: Divulgação

No dia seguinte, uma segunda-feira, 4 de fevereiro, outro crime brutal e covarde contra uma mulher. Petrolina de Jesus Matos (foto), que tinha 35 e era de Pedro do Rosário, foi vítima do ex-marido, identificado como Valdinho, que a matou com um tiro de espingarda dentro da própria casa.

Magda Carvalho, de 25; Dona Roxa, 74 e Carina Silva, de 24, foram também vítimas dos homens com que um dia dividiram suas vidas. O amor se transformou em ódio e acabou em crime.

Números de 2018

Em 2018, o Maranhão registrou 43 feminicídios. Em 2017, foram 51. Neste ano, de janeiro até o fechamento desta edição, cinco mulheres tiveram suas vidas tiradas por seus ex-namorados, companheiros, maridos.

Os casos aconteceram nas cidades de Barreirinhas, Imperatriz, Lago Verde, Balsas e Pedro do Rosário. Dados do Atlas da Violência apontam que, de 2006 a 2016, o estado foi o que atingiu maior aumento percentual de feminicídios para cada 100 mil habitantes: 114,6%.

Relacionamentos se transformam em  violência

Mulheres são mortas pelo simples fato de contrariarem seus maridos, companheiros, namorados. Pelo simples fato de não se submeterem às suas vontades. Pelo simples fato de serem mulheres.

Especialistas e autoridades destacam a importância de discutir a desigualdade de gênero como fator de vida e não de morte e de desconstruir pensamentos e ações que levam a comportamentos violentos. “Enquanto as pessoas não modificarem a maneira como elas se relacionam, suas formas de relacionamentos amorosos principalmente, que são tratados como se fossem relações de poder e de dominação, isso não vai terminar, esses números não vão diminuir. A gente quer desconstruir essa cultura machista que ensina esses padrões de comportamento que desnivelam homens e mulheres em relacionamentos, principalmente domésticos e familiares. Esse processo de mudança é de cultura, e depende de uma série de fatores principalmente do fortalecimento das políticas públicas”, afirma a coordenadora das Delegacias da Mulher no Maranhão, Kazumi Tanaka.

Igual opinião tem a pesquisadora Maynara Costa. “Nós crescemos e nos desenvolvemos dentro de um ambiente em que as mulheres e os homens se desenvolvem em papéis diferentes. Papéis esses que são pré-definidos. Por exemplo, meninos terão brinquedos violentos e as meninas, brinquedos para o cuidado com a casa. Há todo um cenário sendo criado para a violência urbana e social. Essa binaridade social vai criando uma predisposição para o machismo dentro da nossa sociedade. E essa mudança só é possível com a educação,  com a conscientização dos indivíduos”, atesta. (P.C)

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