AGRICULTORES

Quem planta a mandioca que faz a cerveja Magnífica, do Maranhão

A mandioca do Baixo Parnaíba, antes usada só para a fabricação de farinha, agora é a matéria-prima da Magnífica, vendida somente no Maranhão. Conversamos com seus agricultores e descobrimos o passo-a-passo da produção

Um total de 78 famílias associadas à cooperativa de Tabuleiro de São Bernardo, no Baixo Parnaíba, localizada no povoado de Trincheiras, próximo ao município de Magalhães de Almeida, estão vendo suas vidas se transformarem.

Os agricultores, que antes plantavam mandioca apenas para a fabricação e consumo de farinha, estão fornecendo o produto que é utilizado na composição da cerveja Magnífica, bebida que faz parte da nova linha da cervejaria Ambev, que tem como foco a ampliação de investimentos da empresa no Estado.

Os agricultores Lourival dos Santos Brandão, o seu filho Deirival de Araújo Brandão e Sueli Costa da Silva contaram a O Imparcial como a iniciativa da cervejaria está fomentando a agricultura local e contribuindo com o desenvolvimento da cadeia produtiva na região. Lourival dos Santos revelou que quando os representantes da cervejaria entraram em contato com os agricultores que só plantavam mandioca só para o sustento, mudaram o modo de pensar da região na descoberta de que a raiz também poderia ser usada na produção de cerveja.

Agricultor Lourival mostra a mandioca colhida usada na fabricação da Magnífica. Foto: Divulgação

“A alegria que a gente teve foi dupla, pois a gente viu que poderia aumentar a nossa renda financeira e continuar a cultivar um produto nascido e criado no Maranhão, e no nosso município o que é melhor ainda. A minha preocupação é que o projeto dê procedimento e cresça. E que seja abraçado como um dos projetos nosso no agronegócio do estado. Somos ricos em água, graças a Deus. O que está faltando é uma qualificação e conhecimento técnico para desenvolvermos as variedades, aliás já temos oito variedades fazendo teste. O que a gente quer é conhecimento técnico para aumentar o volume de produção por área, quanto ter variedade  precoce na nossa agricultura familiar. Temos uma de 5.500 hectares que pode ser irrigada”, contou Lourival.

Agricultores sonham com uma vida melhor

Foto: Divulgação

Durante a entrevista, o agricultor Lourival dos Santos alertou ainda que o grande gargalo do projeto que pode ser um problema no futuro está relacionado ao escoamento da produção por conta da má condição da estrada que dá acesso ao povoado.

Para Sueli Silva, a venda de mandioca para produzir cerveja tem sido muito boa. Ela disse que antes trabalhava como dona de casa e ajudava o pai na plantação, e que, agora, as coisas estão melhorando, pois agora pode pensar em ter uma casa melhor e comprar outras coisas que sempre sonhou – coisa que achava impossível.

Já Derival Brandão jamais imaginou que mandioca servisse para fabricar cerveja, e que essa parceria incentivou ainda mais seu cultivo na região. Ele afirmou também ter plantações de banana, milho e coco. “A nossa área de plantação de mandioca triplicou. Hoje, tem muitos agricultores plantando. A empresa tem que fabricar mais cerveja para produzirmos mais mandioca”, brincou o produtor.

Uma cerveja com a cara do Maranhão

Se­gun­do Ale­xan­dre Cos­ta, di­re­tor de mar­ke­ting da cer­ve­ja­ria Am­bev, o pro­je­to Mag­ní­fi­ca ti­nha dois gran­des ob­je­ti­vos: O pri­mei­ro era que a gen­te con­se­guis­se ter um im­pac­to so­ci­al re­le­van­te den­tro des­sa re­gião no es­ta­do. E o se­gun­do, que se­ria ho­me­na­ge­ar a be­le­za e a ri­que­za da cul­tu­ra ma­ra­nhen­se. “A cul­tu­ra do Ma­ra­nhão é tão ri­ca e tão lin­da, se­ja pe­la his­tó­ria, se­ja pe­las tra­di­ções, pe­los cos­tu­mes, pe­las ma­ni­fes­ta­ções cul­tu­rais, en­fim, a gen­te con­se­gue ver nos olhos de quem é ma­ra­nhen­se a pai­xão por es­sa ter­ra nos olhos. En­tão is­so mo­ti­vou mui­to a gen­te”, dis­se Ale­xan­dre Cos­ta.

O di­re­tor de mar­ke­ting da cer­ve­ja­ria, ex­pli­cou que to­do o con­cei­to da iden­ti­da­de da Mag­ní­fi­ca foi cons­truí­do de fa­to co­mo a cer­ve­ja­ria po­de­ria ho­me­na­ge­ar o po­vo ma­ra­nhen­se.

Diretor de Marketing da Ambev, Eduardo Costa. Foto: Divulgação

“A gen­te ten­tou se ins­pi­rar o tem­po in­tei­ro na cul­tu­ra, na vi­da e na­qui­lo que po­de­ria ser o dia-a-dia dos ma­ra­nhen­ses pa­ra cons­truir es­sa his­tó­ria. A gen­te ho­me­na­geia a cul­tu­ra, mas a gen­te vai além, ao exal­tar o po­vo ma­ra­nhen­se quan­do de fa­to a gen­te se pre­o­cu­pa em ter um pa­pel so­ci­al na vi­da de­les. Es­se era o pro­pó­si­to da cer­ve­ja­ria. (…) A gen­te foi bus­car qual o in­gre­di­en­te ge­nuí­no que fos­se da re­gião, e que ti­ves­se o po­der de im­pac­tar di­re­ta­men­te as pes­so­as do Ma­ra­nhão, im­pac­tan­do mais de 78 fa­mí­li­as ge­ran­do em­pre­go e ren­da. A gen­te quer fa­zer mui­to mais, por­que a gen­te acre­di­ta nes­te pro­je­to”, acres­cen­tou Ale­xan­dre Cos­ta in­for­man­do que a ex­pec­ta­ti­va nes­te pri­mei­ro mo­men­to a ini­ci­a­ti­va atin­ja 500 fa­mí­li­as e con­ti­nu­ar de­sen­vol­ven­do o pro­je­to pa­ra fren­te.

Vi­tor Mon­tei­ro, en­ge­nhei­ro agrô­no­mo da cer­ve­ja­ria Am­bev, lem­brou que o Ta­bu­lei­ro de São Ber­nar­do nas­ceu de um pro­je­to de re­for­ma agrá­ria, no qual 25 mil hec­ta­res fo­ram des­ti­na­dos com es­ta fi­na­li­da­de.

O agrô­no­mo ex­pli­cou que, des­tes, ho­je 280 hec­ta­res são agri­cul­tá­veis, to­dos ir­ri­ga­dos, o que dá qua­tro hec­ta­res por fa­mí­li­as. Ou se­ja, o equi­va­le a 40.000 me­tros qua­dra­dos de ter­ra pa­ra plan­tio. “Nes­ta re­gião ob­ser­va­mos que tem uma área gran­de de man­di­o­ca plan­ta­da. Es­te pro­je­to nas­ceu pa­ra ser fru­to de agri­cul­tu­ra fa­mi­li­ar. Ou­tro pon­to fun­da­men­tal pa­ra a im­plan­ta­ção é que ti­ves­se pes­so­as que qui­ses­sem tra­ba­lhar, afim de pro­du­zir. Aqui a gen­te viu as du­as coi­sas e foi o ca­sa­men­to per­fei­to. Es­sas du­as coi­sas mo­ti­va­ram mui­to a gen­te a cons­truir es­te tra­ba­lho. Co­mo cer­ve­ja­ria, a Am­bev tem uma cul­tu­ra em­pre­en­de­do­ra mui­to for­te. Sair da nos­sa cer­ve­ja­ria e en­con­trar par­cei­ros que te­nham es­ta mes­ma von­ta­de de fa­zer, é per­fei­to, é ma­ra­vi­lho­so”, res­sal­tan­do Vi­tor Mon­tei­ro, a prá­ti­ca de sus­ten­ta­bi­li­da­de dei­ta pe­los agri­cul­to­res.

De for­ma di­dá­ti­ca, Vi­tor Mon­tei­ro, es­cla­re­ceu to­do pro­ces­so do uso da man­di­o­ca des­de o plan­tio até a pro­du­ção da Cer­ve­ja Mag­ní­fi­ca. Ele ex­pli­cou que os agri­cul­to­res plan­tam a man­di­o­ca. De­pois ar­ran­cam a man­di­o­ca da ter­ra. Em se­gui­da, ela é pe­sa­da e co­lo­ca­da den­tro de um ca­mi­nhão que é res­pon­sá­vel pe­lo trans­por­te, on­de é trans­for­ma­da em fé­cu­la, que é o ami­do da man­di­o­ca con­cen­tra­do. “É na fe­cu­la­ria que co­me­ça o pro­ces­so in­dus­tri­al da man­di­o­ca que pas­sa pe­los pro­ces­sos de: la­va­ção, des­cas­ca­gem, tri­tu­ra­ção, de­si­dra­ta­ção, pa­ra ser trans­for­ma­da em fé­cu­la que é o in­gre­di­en­te usa­do na cer­ve­ja­ria pa­ra a fa­bri­ca­ção. Tem to­do um pro­ces­so in­te­res­san­te de co­lhei­ta e mo­bi­li­za­ção dos co­o­pe­ra­dos pa­ra fa­zer is­so acon­te­cer”, dis­se o en­ge­nhei­ro agrô­no­mo.

Produção da mandioca e demanda da cerveja

Área de plantação de mandioca no Baixo Parnaíba. Foto: Divulgação

Ao serem questionados sobre a parceria com o governo do estado, os números referentes à produção de mandioca no estado que estão sendo utilizados na fabricação da cerveja Magnífica, os representantes da Ambev preferiram manter o sigilo como forma de estratégia por conta de seus concorrentes de mercado. Apenas informando que tem produto suficiente para manter a fabricação da nova cerveja.

Mas O Imparcial apurou a contrapartida social junto ao governo do estado. A Ambev assumiu o compromisso de doação de 10 ambulâncias para reforçar as ações de saúde no Maranhão.

Vale ressaltar que os agricultores do Tabuleiro de São Bernardo forneceram 30 toneladas de mandioca para garantir a produção da demanda de lançamento da cerveja ocorrida no dia 18 de dezembro e para as festas de final de ano.

Segundo representantes da Ambev, é que expectativa a produção seja maior para atender a demanda do carnaval e São João em todo o estado.

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