NEGLIGÊNCIA

Atendente do SAMU no interior omite socorro de idosa ferida

Vítima pediu ajuda a comerciante, que ligou para o serviço de emergência e teve o atendimento negado por falta de acompanhante

Foto: Divulgação

“Ela vai morrer aqui, pode deixar?”. “Pode deixar, a senhora que sabe”. A resposta de um atendente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) indignou uma comerciante da cidade de Imperatriz, no sul do Maranhão.

Andreia Barreiro acionou o atendimento de emergência por conta de uma idosa que havia se ferido em frente a seu estabelecimento. Indagada pelo atendente se ela era parente ou acompanharia a vítima, a comerciante negou. Além de não conhecer a vítima, Barreiro estava cuidando de seu estabelecimento e não poderia abandonar o local.

Foi então orientada pelo atendente do SAMU, que não foi identificado, para deixar a idosa, que tinha um sangramento no pé e estava no chão, e concluiu “a senhora que sabe”. Insatisfeita com o atendimento, a comerciante foi até a polícia prestar queixa.

O coordenador-geral do Samu em Imperatriz, Alexsandro Freitas, comentou o caso. “O servidor atendeu tudo normal até quase no final da ligação, onde ele comete o erro de decidir. O telefonista não decide em nenhum momento, quem decide é o médico regulador. Outro ponto foi a questão do acompanhante. O acompanhante não é impeditivo para o atendimento de uma urgência ou emergência. O acompanhante pode ser solicitado pelo médico regulador para saber se tem ou se não tem esse acompanhante para facilitar o trânsito dentro dos hospitais, mas não é impeditivo do atendimento. De qualquer forma em momento nenhum o telefonista deveria perguntar, exigir ou dizer que não vai pela falta do acompanhante”. O atendente foi afastado de suas funções.

Veja a transcrição do áudio entre a comerciante e o atendente:

Atendente: Samu?

Comerciante: Tem uma senhora de uns 50 anos ou aparenta ter mais de 60. Ela está com o pé saindo sangue, muito. Acho que ela se acidentou, não sei, ela tava gritando. Tá bem aqui no chão, na calçada.

Atendente: Você está falando de qual cidade?

Comerciante: Aqui de Imperatriz, na Rua Sousa Lima, bem…

Atendente: Você conhece ela?

Comerciante: Não, nunca vi ela. Tá aqui na calçada do meu estabelecimento.

Atendente: É moradora de rua, é?

Comerciante: Não, eu acho que ela foi acidentada.

Atendente: Você vai acompanhar ela até o hospital, senhora?

Comerciante: Não, porque estou sozinha no meu comércio.

Atendente: Você quer que tire ela da frente do seu comércio, né?

Comerciante: Não, eu não quero, quero que você socorra ela, que está sangrando.

Atendente: Mas a gente não leva ela para o hospital sem acompanhante para ela ficar jogada no hospital. Esse é um protocolo do Samu.

Comerciante: Então ela vai morrer aqui, pode deixar?

Atendente: Pode deixar, a senhora que sabe, senhora.

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