ENTREVISTA EXCLUSIVA

Carlos Brandão, o articulador político estadual e “Embaixador do Maranhão” no estrangeiro

Leal ao projeto de governo encabeçado por Flávio Dino (PCdoB), o vice-governador Carlos Brandão (PRB) é tido como uma espécie de Embaixador do Maranhão, utilizando seu tino empresarial para viabilizar projetos internacionais no estado

Leal ao projeto de governo encabeçado por Flávio Dino (PCdoB), o vice-governador Carlos Brandão (PRB) é tido como uma espécie de Embaixador do Maranhão, utilizando seu tino empresarial para viabilizar projetos internacionais no estado. Ex-membro do PSDB, deixou o partido por divergências ideológicas, uma vez que, após o sucesso no estado, foi cobrado por lideranças nacionais para ser candidato ao governo em 2018. “Seria uma covardia abandonar esse barco que estou ajudando a navegar, que estou remando junto, seria um contrassenso”, explica em entrevista exclusiva ao jornal O Imparcial.

Carlos Brandão é um dos cérebros do Governo do Maranhão, e abandonou o PSDB por lealdade ao governador Flávio Dino (Foto: Alan Azevedo/O Imparcial)

Ex-deputado federal por dois mandatos consecutivos (2007-2014), fez do seu traquejo político ferramenta para articular oposição a oligarquia Sarney e colaborou diretamente para criar uma base governamental para 2019, composta por nada menos do que 16 partidos. “Eu sempre fui uma pessoa que tive trânsito em todos as legendas; em 2012 começamos o movimento ‘diálogos pelo Maranhão’, fizemos várias reuniões em todas as cidades do Estado, e elaboramos um Plano de Governo para dar uma resposta a altura aos anseios da população”, afirma.

Leia as melhores partes da entrevista:

Balanço dos últimos quatro anos na linha de frente do Governo do Maranhão

Foram vários desafios, porque encontramos um estado com muitos problemas em todas as áreas, desde saúde, educação, até segurança e infraestrutura. E, pior de tudo, um povo que tinha perdido as esperanças. Fomos eleitos em 2014 contra todo o poder de um grupo político que já dominava o estado fazia muito tempo, eles estavam no governo, tinham estrutura política, midiática em todo o estado, e estrutura financeira. Mas o povo queria mudar.

Em 2012 começamos o movimento diálogos pelo Maranhão, fizemos várias reuniões em todas as cidades do Estado, e elaboramos um Plano de Governo para dar uma resposta a altura aos anseios da população. E assim montamos nossa proposta, em quatro anos cumprimos 95% dos compromissos registrados em cartório, diversos especialistas avaliaram nosso governo como o melhor do Brasil. Foi um governo com planejamento, que ouviu a população e propôs o que podia executar.

Relação com Flávio Dino

É muito importante que o vice seja sintonizado com o governador, se não houver sintonia fica muito ruim para administrar, um ambiente tenso.

(Foto: Alan Azevedo/O Imparcial)

Ideologia política

As alianças de 2014 soaram estranhas para o Brasil, por causa da questão ideológica, então nos reunimos com os presidentes nacionais do PCdoB e do PSDB para explicar de que essa questão ideológica iria funcionar no Maranhão, porque na realidade apresentamos para a cúpula dos dois partidos que se tratava de uma questão local, e não ideológica, de que nós tínhamos o mesmo sentimento de vencer o grupo que estava no poder, e para vencer a família Sarney precisamos fazer uma aliança suprapartidária.

Eu sempre fui uma pessoa que tive trânsito em todos os partidos e não tenho a questão ideológica radicalizada. Respeito a opinião de todos, e meu nome não foi resistência para ser vice de Dino, até porque o PT se coligou com o MDB da família Sarney, e isso facilitou a aceitação do meu nome.

Rompimento com o PSDB

Em 2014 nós fizemos uma aliança que tinha quatro candidatos a Presidente, então o palanque era livre. Mas em 2018 não houve esse sentimento, a coisa estava mais acirrada. Eu tinha muito prestígio no PSDB, pois fui um dos responsáveis por estruturar o partido, ele foi o que mais cresceu aqui no Maranhão, subimos de 10 prefeitos para 30, o partido existia em 80 municípios, colocamos ele em 217, fortalecemos a militância da juventude. Fiquei respeitado a nível nacional dentro do partido, mas agora em 2018 eles disseram que estavam com dificuldade de lidar com a questão ideológica, e me cobraram para sair como candidato a Governador para enfrentar o Flávio Dino. Mas, pelos meus princípios, pela minha maneira de agir dentro desse governo e de entender que as coisas estão andando bem, não seria correto e ético abrir um palanque contra aquilo que eu ajudei a construir. As opções que me deram era ser contra o Flávio Dino ou sair do partido, e por lealdade ao projeto de governo que estamos construindo eu decidi sair do PSDB. Seria uma covardia abandonar esse barco que estou ajudando a navegar, que estou remando junto, seria um contra-senso.

Na proa da articulação política maranhense

E eu saí do partido, mas levei todo o povo comigo. De 30 prefeitos eleitos, trouxe 29. Vereadores, suplentes, ex-políticos, todos vieram conosco. E preciso deixar claro que diferente de 2014, para presidente, acompanhei Flávio Dino no voto presidencial. No primeiro turno recebemos Aldo Rebelo, Ciro Gomes, Haddad… mas no segundo turno radicalizou entre PT e Bolsonaro, e eu segui o caminho do nosso grande líder, pois sou aliado incondicional do governador Flávio Dino e sigo aqui o rumo que ele decide em conjunto com nossa equipe. Nos reunimos, mas seguimos a linha que ele lidera, pois geralmente o desejo dele quando é colocado na discussão é o desejo da maioria – algumas vezes existe divergência, claro, isso faz parte da democracia, mas estamos juntos nesse processo de mudar o Maranhão.

Críticas da oposição: “Quatro anos sem mudar o estado”

Para responder essa crítica basta comparar com o governo deles. Nós tínhamos um hospital no interior, em presidente dutra, uma espécie de Socorrão que faz medicina de alta complexidade, e nós contruímos dez. Outros serviços, por exemplo educação, nós não tínhamos nenhuma escola técnica no estado; construímos 30, e estamos construindo mais 16. Nisso estamos preparando a mão de obra dos jovens para o futuro, para ingressar no mercado estadual, pois as empresas que estão chegando precisam de mão de obra qualificada. O Maranhão não tinha nenhuma escola em tempo integral, hoje temos 50 e estamos avançando nesse projeto. Estávamos em 22º no IDEB, hoje somos o 13º. Basta ir comparando para ver as conquistas.

Segurança? Encontramos a penitenciária de Pedrinhas como um verdadeiro inferno, pessoas sendo degoladas. Conseguimos controlar e administrar a penitenciária de maneira organizada. Antes eram 6 mil presos, hoje 12 mil em 140 oficinas de trabalho, as pessoas estão trabalhando, e a ressocialização dos detentos está sendo um sucesso.Para isso construímos 5 penitenciárias novas. As penitenciárias são um exemplo. Porque subiu de 6 mil para 12 mil presos? Porque tivemos coragem de contratar policiais, o que ninguém nunca fez porque tinham medo de aumentar a folha. Fortalecemos a polícia, contratamos quase 5 mil policiais, compramos mais de mil viaturas. Antes eram mil e quinhentas promoções, demos 9 mil promoções. Reduzimos de 90 para 5 assaltos a bancos em todo o estado.

Além disso, tiramos São Luís das 50 cidades mais violentas do mundo, que era um dado que nos preocupava muito. Essa é a diferença. Não estamos colocando a culpa no governo passado, estamos comparando.

Existiam seis restaurantes populares, hoje são 26. Criamos pontos para a população tirar documentos. Nós sequer tínhamos secretaria de agricultura familiar em um estado que tem 60% da população na zona rural e que vive de agricultura. Distribuímos sementes selecionadas, patrulhas mecanizadas, para fortalecer a agricultura familiar. Nosso crescimento comparativo tem saltos extraordinários. Reformamos ou construímos mais de 800 escolas. No Maranhão as crianças tinham aula em escola de taipa. Esse é um grande exemplo do que estamos fazendo nesse estado.

Seguimento dos projetos

Tudo que estamos fazendo continuará avançando. É lógico que tivemos um problema, que enfrentamos nesses quatro anos. Tivemos uma perda de receita de um bilhão e meio com a crise que começou em 2015. Enfrentamos, e mesmo assim fizemos tudo isso.

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