DIA DOS PAIS

Pais que criaram os filhos com muita luta, trabalhando nas ruas

Pais que criaram seus filhos trabalhando na rua, literalmente, se orgulham de ter conseguido com que eles se tornassem grandes pessoas

Reprodução

Dia dos Pais. Do pai que acolhe, que ama, que cuida, que dá carinho, que divide as tarefas da criança com a mãe, que educa, que se orgulha, que dá e que pede respeito. No texto de hoje, conversei com alguns pais que desde cedo já eram homens responsáveis, e que com a paternidade se tornaram mais ainda. Pais que, por falta de um emprego formal, tiraram e tiram seu sustento do trabalho na rua. Pais que se orgulham do que puderam fazer e do que ainda fazem, não só para prover o sustento da família, mas para dotar a família de amor. Pais que são pais.

Francisco das Chagas Barros. Foto: Honório Moreira

Quando disse para seu Francisco das Chagas Barros, conhecido como Baixinho, 67 anos, que estava fazendo uma matéria sobre o Dia dos Pais, deu para perceber a satisfação dele e o brilho no olhar em falar sobre o assunto. “Oh, meu Deus, eu amo demais ser pai! Que satisfação! Eu tenho orgulho!”, exclamou o vendedor de óculos, relógios e pulseiras. Ele conta que desde os 8 anos trabalha como vendedor na Rua Grande. Começou vendendo bijuterias, com pouca mercadoria. E hoje, quase 6 décadas depois, agradece por aquele trabalho ter dado conforto para sua família. “Eu não vou dizer que não queria ter uma loja. Eu queria, mas me conformei com o que tenho e graças a Deus foi daqui que criei meus filhos, comprei casa, carro. Foi tudo bem”, comemora.

Seu Francisco tem 4 filhos. Jorge (44 anos), Francisco (39), Gilberto (38) e Cristina (36) são o orgulho dele, orgulho do que se tornaram. “Criei tudinho dando o que precisava, acompanhando sempre. Nunca me deram trabalho, aliás, só o mais velho que eu tinha o maior medo dele se envolver com bebida alcoólica. Mas graças a Deus estão todos bem, são evangélicos, cada qual tem sua casa, sua família, suas profissões. e só me orgulham. E eles também tem orgulho de mim”, agradece. Uma médica veterinária, um sargento da Polícia Militar, um motorista, e outro vigilante e motorista. Seu Francisco que estudou até o ensino médio, fez de tudo para que seus filhos tivessem uma vida boa. “E eles têm, graças a Deus! Agora mesmo a veterinária me ligou pra saber como eu tava, eles são muito carinhosos. Se vai ter festa domingo? Vai, como tem todo dia. Não precisa ser data comemorativa. Todo dia é dia de festa. Todo dia me dão presente. Essa roupa que eu estou usando foi presente. Como sou feliz, e ainda tenho quatro netos”, exalta.

Pai tem que cuidar

Paulo Divino. Foto: Honório Moreira

Com três filhos de 33, 15 e 13 anos, o irmão Paulo Divino, como é conhecido, trabalha na calçada da Avenida Magalhães de Almeida vendendo e consertando acessórios. De sorriso largo e conversa fácil, diz que é do tipo do pai que cuida de tudo. “Quando eram pequenos, que a mãe precisava sair, eu dava banho, vestia”, lembra. Ele mora na área Itaqui Bacanga. Sai de casa todos os dias às 6h40 com a filha mais nova que estuda no Centro também. Da rua de Santana, só sai às 18h40, são doze horas de trabalho. “Desde os 27 anos de idade que trabalho aqui. É daqui que sai o sustento da minha família. E graças a Deus, tem mês que a gente passa um aperto, mas dá para se viver”, diz ele, que tem 54 anos. A vida familiar, segundo ele, está muito bem obrigado. Os três filhos são pessoas do bem, como ele diz. “Todos somos da igreja, a minha mais nova, canta na igreja e canta muito bem. Sou muito feliz por isso, e é muito legal ser um pai presente, que acompanha, que presta atenção nas coisas”, diz orgulhoso o pai de Sara, Ruama e Wallisson.

Sobre como é ser pai de três filhos, ele diz que é uma alegria, e que de vez em quando faz reuniões, uma espécie de DR (discutindo a relação) para saber como estão as coisas, como cada um vai e como ele está sendo como pai. “Ah, é maravilhoso. A gente tem que ter esses momentos em família sempre. Tenho boas meninas, e o meu filho também, que está desempregado, mas se vira como pode. Sou um pai feliz por ver que criei e estou criando boas pessoas. Agora é só esperar a festa lá em casa que vai ser grande. Eles sempre me fazem surpresa”, conta Paulo Divino.

Ensinando o caminho do bem

Adelson Mota. Foto: Honório Moreira

À primeira vista, seu Adelson Mota, 66 anos, demonstra sisudez, mas é só começar a conversar que as histórias e o sorriso vão surgindo. Em sua banca de calçados e chinelos, no início da Avenida Magalhães de Almeida, o senhor, de três filhos, conta que começou a trabalhar aos 8 anos e já vendeu de tudo, mercadoria variada, já foi jornaleiro, já morou em São Paulo, Curitiba, dentre outras cidades, sempre como vendedor na rua. Com 23 anos veio o primeiro filho, três anos depois, o segundo, quatro anos depois, o terceiro. Seu Mota enche a boca para dizer: “São dois professores e uma contadora. “Graças a Deus! Foi muita luta para educar, para sempre mostrar o caminho do bem, para que eles crescessem e fossem boas pessoas”, conta.

Os filhos estudaram a vida toda em escolas particulares. Seu Mota fez questão de proporcionar a eles bons estudos para que fossem a melhor herança que eles pudessem ter. “E foi tudo daqui, do meu trabalho da rua. Tudo valeu a pena. Hoje os meninos estão criados, com suas casas, seus carros. Fui mais do que pai para eles. Dá muito orgulho de ver o que fiz. Meus filhos são maravilhosos”, diz emocionado o pai de Lindomar, Rosana e Adenir. Com a chegada do Dia dos Pais, seu Mota, que diz adorar exercer esse papel, aconselha aos outros que cuidem bem de seus filhos. “Amem seus filhos, ensinem o caminho do bem, do melhor, deem estudo, educação, tem que dar estudo, porque isso é a melhor herança que nós, pais, podemos deixar para eles. Tem que dá valor. Eu amo meus filhos e sei que domingo lá em casa a festa vai ser grande”, ri.

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