DEZ MESES DE ANGÚSTIA

“Dez meses de angústia”: Família acredita que ossadas são de jovem desaparecida

Ossadas que podem pertencer à adolescente Lorena da Silva, desaparecida em maio de 2017, foram encontradas na última sexta-feira, 9. Há suspeitas de que a jovem estivesse grávida

O caso de desaparecimento da adolescente Lorena da Silva Furtado, de 16 anos, pode estar prestes a ser desvendado, dez meses após o ocorrido. A Polícia Civil encontrou ossadas enterradas em matagal no bairro Luiz Fernando, Paço do Lumiar, nesta sexta-feira, 9. A jovem foi vista pela última vez no dia 6 de maio, em uma casa de show localizada na Estrada de Ribamar. Lorena deixou um filho de dois anos, e há suspeitas de que ela estaria grávida.

A Polícia localizou os restos mortais a partir dos depoimentos de dois suspeitos presos na semana passada. Um deles confessou o crime, forneceu todos os detalhes e levou os policiais até o matagal. De acordo com o pai de Lorena, Roberto Furtado, a filha teria conhecido os homens durante uma festa. “Ela tinha uma necessidade de amizade, de conhecer as pessoas. Acreditava, confiava muito na pessoa. Eu sempre dizia pra ela: ‘minha filha, não confie muito nas pessoas, que existe muita pessoa ruim no mundo’“, diz Roberto.

De acordo com o pai da jovem, existem algumas hipóteses a respeito do que teria motivado o crime. “Eles passaram o dia brincando, se divertindo, bebendo. Foram pra essa Luís Fernando, eu tenho certeza que forçaram minha filha a alguma coisa, e eu conheço minha filha, ela não ficava com qualquer um, porque ainda gostava de uma pessoa”, diz Roberto. “Além de estuprar, matar, ainda mataram o filho dela, que ela estava esperando“, completa.

Perda e revolta

Lorena da Silva Furtado deixou um filho de dois anos. “Ele ainda sente muito. No dia que descobriram a ossada, ele passou o dia todinho triste. No começo ele chorou muito, passou duas semanas chorando sem dormir, com falta da mãe dele, porque ela era muito grudada com ele”, conta o avô da criança.

Para a família, foram dez meses de angústias, “aquele desespero de não saber se ela estava viva, morta“, como diz o pai de Lorena, Roberto Furtado. “Durante dez meses foi uma luta constante, toda semana em delegacia, toda semana em Ministério Público, Defensoria. Sempre correndo atrás pra ver se tinha alguma resposta. A nossa esperança era que prendesse alguém pra que justamente falassem o que aconteceu”, comenta.

“A gente fica muito desesperado com isso. A crueldade, a maldade, a covardia de matarem minha filha por motivo fútil. A gente fica muito revoltado com essas coisas”, diz Roberto. A notícia de que a Polícia havia encontrado as ossadas foram dadas pelo Delegado Damasceno, um dos responsáveis pelas investigações. “Ele ligou pra gente e disse: ‘olha, infelizmente nós não temos notícia boa’, e falou que a pessoa confessou”, conta.

Ainda revoltado com a perda, o pai de Lorena avalia a situação como “vários tempos de tristeza”. “Foi o tempo quando ela desapareceu, o tempo quando acharam a ossada, agora vai ser o tempo de enterrar minha filha. E o tempo que a gente vai passar o resto da vida pensando, porque essa dor alivia, mas não passa. É a dor da alma, que eu não conhecia e agora eu sei“, diz.

Investigações

A Polícia realizou, na semana passada, diligências ligadas ao inquérito do desaparecimento da jovem. Foram capturados e ouvidos pela Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA) e Seccional Norte dois suspeitos envolvidos no desaparecimento da jovem Lorena. O local onde as ossadas estavam enterradas foi indicado por um dos homens, que detalhou o crime à Polícia. As informações contidas no depoimento, no entanto, ainda não foram divulgadas.

Os restos mortais passarão por análise e serão comparados ao material genético de Lorena, para, então, confirmar se as ossadas pertencem ou não à jovem. A família, no entanto, já tem como certo que o corpo pertença à adolescente. “A pessoa não ia confessar e mostrar um corpo de outro, pra culparem ele de dois crimes. Então a gente tem essa concepção de que realmente é ela, porque ele mostrou, disse que era ela”, explica Roberto Furtado, pai de Lorena.

“A gente espera que eles [os suspeitos] não sejam soltos, não seja mais um caso. Porque a polícia prende, a justiça solta. Eu não quero que isso aconteça, eu quero que eles paguem pelo crime deles. É o mínimo que a justiça e a polícia podem fazer, porque é revoltante. Minha filha tinha no máximo 1,50m, as pessoas que fizeram isso, acho que o mais baixo tem 1,70m. São homens, além de ser altos, são mais fortes do que ela. Foi uma injustiça”, comenta o pai. “Eu quero que não pare por aqui, que não seja só mais um caso. Que nem o da Mariana, que nem o da menina que mataram e estava dentro de casa. A gente precisa de justiça, de uma resposta da Justiça‘, completa.

Relembre o caso

A adolescente Lorena da Silva Furtado, de 16 anos, foi para uma casa de show na Estrada de Ribamar no dia 6 de maio do ano passado. De acordo com a família, a jovem saiu por volta das 19h, sozinha, e chegou a ligar para o pai no dia 7, de madrugada, e às 10h para ele. No período da tarde, entrou em contato com a ex-sogra, e, após isto, nunca mais fez contatos com ninguém. As ligações foram feitas através do celular de uma amiga.

Desde o início, a família descartou a hipótese de sumiço voluntário. Amigos e parentes passaram a se manifestar nas redes sociais no intuito de descobrir o que teria acontecido à jovem.

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