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Chuvas fortes não mudam nível de água do Batatã

Quem espera ver o reservatório em funcionamento deve ter que esperar um pouco mais, já que as chuvas ainda não têm sido suficientes

Foto: Reprodução

Em 2015, o Reservatório do Batatã havia chegado ao seu nível mais crítico em anos, operando com menos de 1% de sua capacidade. Hoje, a situação não é tão crítica, mas não é a ideal. Operando com apenas 18% do volume de sua capacidade total, de 4,6 milhões de metros cúbicos de água, desde o ano passado, mesmo com as fortes chuvas que já caíram nos primeiros dias de março, a situação não se reverteu.

Segundo a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), seriam necessários muitos anos de chuvas fortes para alcançar um nível satisfatório para abastecer a região central de São Luís.

Embora a média de volume de chuvas neste ano esteja acima da registrada no mesmo período do ano passado, a capacidade continua abaixo do ideal, sendo necessário, para abastecer a cidade, o Sistema Italuís e os poços artesianos. Quem espera ver o reservatório em funcionamento deve ter que esperar um pouco mais, já que as chuvas ainda não têm sido suficientes.

“Apesar do volume intenso das chuvas neste começo de ano, o volume do reservatório do Batatã continua abaixo do mínimo necessário. Atualmente, o volume está em 2,5 metros, não atingindo a base da sapata (local em que tem início a medição do nível da água). Para suprir a necessidade, o ideal é que o nível da água estivesse em 8 metros”, diz a Caema.

Nos últimos anos, a média no reservatório do Batatã tem sido de 5 metros do volume. Atualmente essa vazão se resume a uma captação de 12h/por dia, gerando volume de 360m³/h ou 100l/s destinados a abastecer a área do Centro de São Luís. Essa mesma área recebe ainda reforço de vazão da bateria de 16 poços existentes na área do Parque Estadual do Bacanga, cujo volume é destinado para a Estação de Tratamento de Água – ETA do Sacavém para tratamento, reservação e distribuição, e ainda contribuição advinda do sistema Italuís que também está passando por obras de substituição e implantação de nova adutora que irá incrementar 30% a mais na vazão atual destinada a toda São Luís, ajudando a resolver o problema de intermitência e desabastecimento na Ilha.

A barragem é responsável pelo abastecimento de cerca de 80 mil imóveis, ou seja, quase 30 bairros de São Luís. Mas desde 2008, o reservatório não atinge o nível máximo de capacidade, e ano após ano esse volume foi baixando cada vez mais até que em 2015 o Batatã apresentava apenas 1% de sua capacidade de armazenamento de água.

Em dezembro de 2015, o reservatório operou com menos de 5% da sua capacidade. Em maio de 2016, foi para 20%. Em julho de 2016, o Batatã não operou e permaneceu inativo por nove meses. Em abril de 2017, houve uma leve elevação que permanece até os dias atuais.

Reservatório

A reserva do Batatã foi estrategicamente construída pelo Departamento Nacional de Obras em um esforço conjunto de pesquisa de militares, engenheiros americanos e técnicos locais. Ela faz parte do Sistema Sacavém e quando foi inaugurada tinha 485 metros de comprimento, profundidade máxima de 17 metros e suportava uma proporção de 4,6 milhões de metros cúbicos de água. Está situado em uma altura de 15 metros e cercado por tabuleiros de aproximadamente 60 metros de altura, o que facilita o escoamento da água da chuva para dentro do reservatório, seja por via superficial ou subterrânea.
Mais de 100 mil pessoas, cerca de 60% da área do Centro de São Luís, recebiam água através dessa reserva, alimentada pelos rios Igarapé Batatã e Riacho da Prata e Riacho Mãe Isabel através do sistema Sacavém/Batatã. Mas há alguns anos o Batatã apresenta problemas, chegando a níveis alarmantes causados pela falta de chuvas e consumo excessivo de água.

Condições climáticas

De acordo com o Núcleo Geoambiental (NuGeo) da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), a previsão para todo este mês é de 422mm. O meteorologista Gunter Reschke comentou que as fortes chuvas registradas não são fenômenos estranhos. “O que estávamos estranhando era todo esse período antes dessa chuva, que foi de 10 dias sem nenhuma precipitação registrada. Março é um mês que sempre chove muito e esse registro baixo de chuvas estava preocupando, até”, disse.

Dos fenômenos meteorológicos que causam chuvas no Maranhão nessa época do ano, a Zona de Convergência Inter Tropical (ZCIT) é a principal responsável, e isso tem contribuído para um aumento considerável dos totais mensais, onde muitos municípios têm apresentado chuvas já em torno da normal do mês.

A partir de maio e perdurando em junho e julho, as chuvas no Maranhão também são engatilhadas, muitas vezes, por ocorrências  das Ondas de Leste, que são perturbações no campo do vento e pressão atmosférica que se propagam pelo Oceano Atlântico Tropical desde a costa oeste da África com atividade máxima no inverno do Hemisfério Sul. Quando chegam na costa da Região Nordeste do Brasil, essas ondas têm a função fundamental de modular a convecção e, consequentemente, a precipitação pluviométrica na região. Assim, principalmente  nos meses de maio, junho e julho, muitos episódios de chuvas fortes são ocasionados pela ação de DOL no Maranhão, especialmente no centro-norte.

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