HISTÓRIA

Conheça os locais que já sediaram o Carnaval da Ilha

Nos dias de domingo, segunda e terça-feira gorda, o Circuito Beira-Mar vai reocupar local que já foi palco de tantos carnavais históricos.

Foto: Arquivo

Festa popular cujos ingredientes são bem simples: música e alegria. Assim é o carnaval, festa tradicional que reúne nos cinco dias do período gordo foliões que brincam, cantam, dançam, extravasam, independentemente de onde a festa esteja acontecendo.

Este ano, o Circuito Beira-Mar, realizado pelo Governo do Estado, vai reocupar a área, nos dias de domingo, segunda e terça-feira gorda de carnaval com shows de artistas e grupos locais e nacionais. É a volta da festa de momo em um local que já foi palco de tantos carnavais históricos.
Foi na Beira-Mar que muitos foliões se divertiram nos idos de 1970 com as bandas do Baixo Leblon, Banda Grafite, entre outras, já demarcando o espaço como da folia momesca. Os foliões costumavam tomar as ruas no comecinho da tarde, por exemplo, na banda do Baixo Leblon, que levava o nome do bar localizado perto da cabeceira da Ponte do São Francisco. A banda reunia uma multidão nos sábados de pré-carnaval com as vestimentas as mais diversas, em uma época que um “bater de latas” já virava uma festa.

“Lembro com muita saudade daquela época. A turma começava a se reunir a partir do meio-dia. Íamos formando um grupo de pessoas alegres, felizes, fantasiadas. A banda tinha uma característica muito forte: era composta de artistas de várias áreas da linguagem artística, como teatro, dança, literatura, música. Ia gente de todas as idades”, conta o ator Domingos Tourinho.
Ele lembra de ter participado de todas as edições da banda. “Saíamos por volta de 15h e voltávamos antes do anoitecer para o Rebanho, que era o baile do Baixo Leblon. A rainha da banda era Badoo, divertidíssima, que ficou muito tempo à frente da brincadeira. E o nome da banda era uma homenagem à banda do Rio de Janeiro”, completa.

Migração e retomada

Foto: Arquivo

Com o tempo, a folia foi migrando para outros locais também. Na Madre Deus, caldeirão cultural, a Banda da Saudade já tomava as ruas do bairro. Com o tempo também as bandas de “pé no chão” foram dando abertura para trios elétricos. Blocos alternativos como Jegue Folia, Confraria do Copo, Bicho Terra, Sem Limites, no começo do século XXI, arrastavam multidões com um circuito especial montado pelo governo estadual.

Eles passaram pela Praça Deodoro, com destino à Rua do Passeio; pela Praça Joao Lisboa, com destino ao Anel Viário; pela Madre Deus com destino ao Anel Viário; e desde o ano passado voltaram para a Beira-Mar.

Segundo texto de Carlos Brazil, a cidade resgatou o melhor de seu carnaval a partir da segunda metade dos anos 1980. “Até os anos 1960, São Luís tinha uma tradição de carnaval de rua, em que as famílias se reuniam para brincar e dançar nas estreitas vielas do centro histórico. Essa tradição se perdeu por algum tempo”, aponta.

Programados oficialmente pelo Governo do Estado, os grupos carnavalescos, blocos (organizado, alternativo, tradicionais), escolas, tribo de índio, tambores de crioula foram se espalhando por vários espaços em circuitos como: Praça Deodoro, João Lisboa, Praia Grande, Madre Deus. Nesses circuitos, os grupos faziam apresentações de 30 minutos em um ponto (local) e mais 30 minutos em outro ponto, provocando um vaivém de brincadeiras nas ruas da cidade.

No período pré-carnavalesco deste ano já se observava as ruas do Centro tomadas por multidões de foliões, marcando o retorno da população a essa região. Blocos e bandas fizeram a festa pré-carnavalesca no Centro da cidade. Bloco da Imprensa, Banda Bandida, Bicicleta do Samba, Folia Laborarte, Bloco Só Safados, entre outros, concentraram suas festas na área do Centro Histórico, revitalizando o local.

“As passarelas” do samba

Foto: Arquivo

Houve migração de espaço também no carnaval de passarela de São Luís. Os desfiles de escolas de samba já aconteceram na Avenida Camboa, Praça Deodoro, na Praça João Lisboa, embaixo do viaduto do Monte Castelo até chegar no Anel Viário, onde é montada até hoje.

Para o escritor e jornalista Herbert de Jesus Santos, essas mudanças se fazem necessárias, desde que prevaleça sempre um espaço para exibir a cultura, as tradições, as manifestações maranhenses, que não tem prazo de validade para acabar.

“Lembrando que quando o desfile oficial foi embaixo do viaduto do Monte Castelo acho que foi um dos melhores carnavais. Reuniu muita gente dali de perto, Camboa, Liberdade, Vila Passos, entre outros bairros. Foi muito bom, muito popular mesmo. Arrisco a dizer que foi um dos melhores”, diz o escritor, amante e divulgador da cultura maranhense e que espera voltar com o Bloco Piratas do Samba, de São José de Ribamar, sucesso nos antigos carnavais de passarela. Segundo ainda Herbert, o que está em jogo é a preservação da cultura, e fala por exemplo que a passarela que está sendo construída agora é muito pequena. “É ruim para quem vai assistir e para quem vai desfilar, porque o tempo é menor”, comenta.

Festa oficial do Carnaval 2018

Foto: Honório Moreira

Pela programação oficial do Governo do Estado para o período gordo de carnaval, a festa no domingo começa às 15h, com os grupos afros Juremê, Aruanda, Abiyeyé Maylô,Officina Affro, Omnirá, Netos de Nanã, Didara, Gdam, Abibimãe Akomabu, segue a programação com vários outros grupos, e encerra às 23h30, com o Bloco do Bicho. Antes, às 16h30, tem o Bloco Lamparina com Pinduca e Gaby Amarantos.

Também na segunda e na terça-feira, o Circuito Beira-Mar terá dezenas de apresentações de grupos variados. O Bloco Criolina, com Elza Soares, é uma das primeiras atrações da segunda-feira,12. E na terça-feira, 13, tem Bloco Flávia Bittencourt e convidados, como Maria Gadú, logo nas primeiras horas; e o Bloco Argumento com Péricles e Fundo de Quintal encerrando o carnaval oficial no Circuito Beira-Mar.

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