Cidades · BALNEABILIDADE

As férias chegaram e as praias da capital estão impróprias para banho

Mesmo com a placa indicando que a água está imprópria para o banho, algumas pessoas continuam se arriscando

Foto: Karlos Geromy / O Imparcial.


Karlos Geromy / O Imparcial

Movimento na Praia do Olho D`Água

Julho é para alguns, mês de férias, momento para descansar e também se divertir. Com isto, em uma cidade litorânea, muitos preferem ir à praia. Mas o que fazer quando todas as praias da cidade estão impróprias para o banho? Mesmo com as placas mostrando que as praias estão inadequadas para o banho, banhistas se arriscam e ignoram o risco.

Foto: Gilson Teixeira / O Imparcial.


Gilson Teixeira / O Imparcial

Mesmo com o alerta na placa, pessoas se arriscam e entram no mar

Um relatório, divulgado em maio deste ano, pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema), apontou que todas as praias da orla marítima de São Luís, incluindo os rios, estão impróprias para banho. O estudo sobre as condições de Balneabilidade das praias informa que, dos 21 pontos, distribuídos nas praias da Ponta D’Areia, São Marcos, Calhau, Olho D’Água, Praia do Meio e Araçagi, foi encontrada uma quantidade de bactérias em percentual superior ao tolerável.

Agora, em um recente monitoramento, feito no período de 03/06/2015 a 15/06/2015, outro laudo Sema, por meio do Laboratório Central de Saúde Pública – LACEN/MA, de acordo com o Termo de Cooperação Técnica celebrado entre os referidos órgãos, mostrou que a situação continua igual. O órgão enfatiza ainda que compete à Secretaria em apresentar o laudo que é realizado pelo Laboratório Central de Saúde Pública – LACEN/MA, de acordo com o Termo de Cooperação Técnica celebrado entre os referidos órgãos. E tem a obrigação de colocar as placas nos locais, divulgar nas mídias, para avisar a população.
O monitoramento integrou a série de acompanhamento semanal das condições de balneabilidade das praias da capital e obedece aos padrões fixados na Resolução CONAMA nº 274/00. A resolução adverte que as águas das praias serão consideradas próprias, quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras, obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, e colhidas no mesmo local, houver no máximo 800 E.coli/ 100 mL (NMP – Número Mais Provável).
Vendedor de água de coco, seu Mateus Silva afirmou que o fato das placas estarem colocadas em locais visíveis não impede que as pessoas tomem seu banho de mar. “As pessoas se quer comentam sobre essas placas, acredito que não influencia, pois elas continuam frequentando a praia normalmente e nem se preocupam com o risco”, afirmou. Moradores próximos à praia, além dos que praticam caminhada e ciclismo na praia, lamentam por não poder usufruir da natureza.
Segundo o vendedor, Leopoldo Neto, as pessoas deveriam se conscientizar e obedecer o que mostra as placas, pois são baseadas em laudos que o órgão orienta a não tomar banho em determinadas praias. “Eu mesmo não me arrisco de forma alguma tomar banho em nenhuma praia. Venho diariamente para caminhar, correr, nada além disso”, falou.
Já o proprietário de um bar e restaurante, Nelson Lins, afirmou que as placas causam prejuízos para ele, pois os frequentadores da praia, além de curtir um bom som, uma boa comida, também querem tomar um bom banho. Falou ainda que isso afasta os turistas, pois são mais criteriosos para o banho de mar.
Recursos já assegurados para eliminar esgoto das praias
Sobre a situação, a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) informa que já assegurou recursos junto ao Ministério do Turismo para executar obras para eliminação dos principais pontos de lançamento de esgoto na orla. Inicialmente, vão ser investidos R$ 10 milhões na despoluição do Rio Calhau. Outros R$ 20 milhões serão empregados nas obras de despoluição dos rios Pimenta e Claro.
Serão construídas novas estações elevatórias de esgotos, interceptores e implantação de redes coletoras. Todo o esgoto da orla será bombeado para a Estação de Tratamento do Jaracati. O governo já garantiu recurso para a retirada de todos os pontos de lançamento de esgoto na Lagoa da Jansen.
Serão retirados 12 desses pontos de lançamento, com o esgoto sendo bombeado para a Estação de Tratamento do Jaracati. A Companhia informou, ainda, que vem fazendo manutenção permanente na rede de esgoto existente na orla de São Luís.
Conscientização
Foto: Gilson Teixeira / O Imparcial .


Gilson Teixeira  / O Imparcial

Marcio Sarges

“Falta políticas para o tratamento do esgoto, esse seria a principal questão a ser resolvida para que o maranhense possa desfrutar de suas riquezas naturais. Em seguida, deveria ser realizada uma intensiva conscientização com a população para não colocar lixo na praia, usar sempre sacolas para colocar o lixo e não deixar na areia entre outras ações. É uma pena vim à praia com a família, as crianças pedirem para tomar banho e não poderem banhar. É um descaso com a sociedade maranhense, ainda mais agora com o período de férias, deveriam fazer algo”, lamentou.

 
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