BRASÍLIA

Câmara deve ficar entre Arthur Lira e Rodrigo Maia, diz André Fufuca

Reeleito para seu segundo mandato como deputado federal do Maranhão, André Fufuca (PP), 29 anos, concedeu entrevista exclusiva ao jornal O Imparcial

Reeleito para seu segundo mandato como deputado federal do Maranhão, André Fufuca (PP), 29 anos, concedeu entrevista exclusiva ao jornal O Imparcial. Na oportunidade, disse que a eleição para a presidência da Câmara Federal deverá ficar entre Arthur Lira (PP) e Rodrigo Maia (DEM). O maranhense, que chegou a presidir a Casa em um momento importante, quando Temer viajou para a China e Maia assumiu a Presidência da República, comentou sobre a época, e como lidou com as chacotas que sofreu por assumir um cargo tão importante, apesar da pouca idade.

(Foto: Alan Azevedo)

Você tem algum nome de candidatura que desponta para brigar com Rodrigo Maia?

Essa eleição tem muitos bons nomes. Tem o Maia, Marcelo Freixo (Psol/RJ), João Henrique Caldas (PSB/AL) e tem também nomes como Arthur Lira (PP/AL), que tem um diálogo muito forte com toda a Casa, e temos o candidato Fabinho Liderança (MDB/MG). Eu acho que a campanha para Presidente da Câmara vai ter a bifurcação final entre Arthur Lira e Rodrigo Maia.

Qual a relação do seu partido com Rodrigo Maia?

A gente fez parte da base de apoio do Rodrigo Maia em sua reeleição. Por questões de desentendimento, o Progressistas resolveu optar sair desse bloco de apoio. Hoje estamos fazendo um novo bloco, que vem ganhando musculatura. Acredito que haveremos de ter candidatura própria, que fará oposição a Rodrigo Maia. Diga-se de passagem, tenho relações de amizade com ele, bastante cordiais, mas eu acompanho o meu partido.

E esse bloco tem corpo para ganhar?

Tivemos adesão do PSB ao bloco. Estamos conversando com outros partidos de esquerda também. Acredito que com a junção de forças de partidos, vamos ter um candidatura bastante competitiva.

O PP é um partido que irá ajudar o presidente Jair Bolsonaro. Não temos como forma alguma a intenção de atrapalhar as diretrizes do governo federal. O PP, como ajudou vários presidentes, também vai ajudar este.

Como você se enxerga atuando no crescimento do Maranhão?

O Maranhão é um dos Estados que mais cresce no Brasil. Como deputado a gente procura a captar recursos. Apesar de ser um Estado que cresce, passamos por um momento de crise financeira. Crise em todas as esferas da União, tanto nacional, estadual e municipal.

Grande parte do crescimento do Maranhão é através do agronegócio. Você pode ver que os grandes campos da região sul e centro-sul estão desenvolvendo as economias daqui do Maranhão. E isso vem acontecendo em outros estados do país também.

O Estado está em crise como todo o Brasil. Como você está vendo esta relação do governo Dino e governo Bolsonaro?

Ainda é muito cedo para poder tecer um comentário. Sendo bem pragmático, a gente observa algumas críticas sendo feitas por parte do governo estadual ao governo federal. Não é da minha natureza esse embate ideológico. Acho que no futuro eles tendem a diminuir essa crítica, porque o fogo após a campanha eleitoral está abaixando só agora e em algum momento o governador vai procurá-lo. Até porque o Maranhão precisa da ajuda do Governo Federal.

Você se enxerga no campo mais ideológico ou pragmático?

O progressista tem uma visão mais pragmática. Mas mesmo assim respeitamos a questão do conservadorismo ideológico que é a nossa marca nos últimos 40 anos.

Como você se põe no campo ideológico?

Eu tenho uma visão conservadora de centro-direita. Porém sou defensor intransigente da democracia.

Como fica a questão de se relacionar em Brasília com o PSL, de Bolsonaro, e no Maranhão com o PCdoB, de Dino?

Na verdade, o nosso partido sempre teve independência de postura em relação aos governos. Aqui a gente faz parte da base de apoio do governador Flávio Dino, apoiamos seu projeto de reeleição e não há qualquer desentendimento em relação a isso. Porque da maneira que estamos aliados ao governo estadual, vamos procurar recursos no Governo Federal para trazer para o Maranhão.

Mesmo assim, Dino e Bolsonaro são completamente antagônicos. Qual o caminho certo para governar o Estado e o Brasil?

O governador Flávio Dino foi eleito em 2014. Entre 2014 e 2018 foi considerado por três vezes o melhor governador de estado. É um modelo de gestão que vem trazendo frutos e resultados tanto para o Maranhão quanto para o Brasil, uma vez que quando o Maranhão cresce, o Brasil cresce.

Em relação a Bolsonaro, ele tem uma visão inovadora de questões que são tratadas em salas e que hoje se expandem para toda a nação. A questão das privatizações, da reforma previdenciária, da reforma tributária, que necessita alguém que tenha altivez para debater e colocar para funcionar. Vamos ver daqui a um ano e meio qual será o fruto dessa economia mais liberal que o país passa a ter.

Você acha que Dino teria condições de governar o Brasil?

No momento em que você disputa com 27 governadores do país e em quatro anos você consegue ser três vezes o melhor governador, isso começa a criar ecos do seu nome. Eu acredito que sim, se mantivermos esse avanço que o nosso Estado vem obtendo em várias áreas, tenho certeza que ele será lembrado como uma das opções para governar o Brasil. Não sei se procede, mas o próprio Bolsonaro diz que quer ser presidente de um mandato. Estamos falando de quatro anos, que é um grande espaço de tempo. Mas Flávio Dino poderia ser uma referência para uma possível candidatura para presidente do Brasil.

Em relação a sua idade e ter assumido tantas responsabilidades ainda jovem, como você lida?

Eu fui eleito pela primeira com vinte anos, foi como deputado estadual e presidi por três anos comissões na Casa. Fui eleito o deputado federal mais jovem do Maranhão. E em seguida me elegi segundo vice-presidente da Casa e tive a oportunidade, por três vezes, de ser o presidente da Câmara – e era, naquele período, vice-presidente da República. Para mim foi uma honra sem tamanho, até porque hoje meu nome faz parte da História.

Fui vítima de preconceito por várias pessoas, até porque tem gente que não aceita que um jovem vindo de uma cidade tão pequena quanto eu vim, de uma região esquecida pelo Estado, tenha tamanhas responsabilidades. Vi muitos veículos de mídia comentando, inclusive sobre meu nome, como se eu tivesse chegado ali de paraquedas. Mas acredito que eu tenha dado a resposta com meu trabalho a essas pessoas.

E era um momento muito tumultuado, não?

Sim, muito tumultuado. Mas nós conseguimos dar o pontapé inicial ao texto da Reforma Polícia e da Lei da Doação. Então em um momento tão conturbado você conseguir assumir e tocar essas pautas com imparcialidade e tranquilidade, acho um ponto muito positivo em nossa história.

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