(Foto: Honório Moreira)

A deputada federal Eliziane Gama (PPS) se lança ao Senado na chapa de Flávio Dino com o argumento de trazer recursos para o estado do Maranhão. Em entrevista exclusiva ao jornal O Imparcial, a única candidata mulher falou sobre seu projeto de um estado mais forte, relembrou o processo de impeachment e falou sobre aborto.

Depois de ser deputada estadual durante dois mandatos, ter tentado a Prefeitura de São Luís sem sucesso, mas ter se destacado na Câmara Federal, com trabalhos como a CPI da Petrobras e no Conselho de Ética, e também sido considerada uma das deputadas mais influentes da Câmara Federal, segundo o Congresso em Foco, agora Eliziane quer chegar até o Senado Federal para que, segundo ela, o Maranhão possa crescer e se desenvolver.

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O IMPARCIAL- O que a senhora tem para oferecer de novidade como senadora?

ELIZIANE GAMA – Primeiramente, eu acho que o processo político não deve ser um espaço de perpetuação do poder. Eu acho que você dá sua contribuição no cargo que você exerce, e você deixa espaço para que outros possam contribuir. Eu tomei uma decisão de não me eternizar nos cargos públicos. Fui duas vezes deputada estadual, tive uma atuação muito forte na área de direitos humanos. Depois fui deputada federal contribuí combatendo firmemente a corrupção. A essência da minha atuação como deputada federal foi o combate à corrupção num momento de profunda crise moral e ética que a gente tá vivendo no Brasil. Hoje sou candidata ao Senado, na chapa do governador, porque acho que tenho condição de contribuir para o nosso estado sendo parceira do Flávio Dino na busca por mais recursos. Estamos vivendo um momento econômico difícil no Brasil, com desemprego e inflação. E, em meio a tudo isso, no Maranhão, com três senadores que não estão trabalhando em parceria com o governador, nós temos um governador que tem feito ações impressionantes no Maranhão. Então, meu objetivo como senadora é representar a população e ser aliada de Flávio Dino na busca de mais orçamento para o nosso estado.

Hoje, qual é o principal problema do Maranhão?

Flávio Dino começou a resolver o pior problema, que é a educação. Ele recebeu o estado com mais de mil escolas de taipa e em três anos já entregou 800 escolas dignas. E nós ainda temos escolas de taipa no Maranhão. Então, eu digo que o problema é a educação, porque através dela nós resolvemos os problemas do Brasil e do nosso estado. O Maranhão tem um potencial extraordinário, mas nós não temos a qualificação técnica da nossa juventude para explorar e aproveitar as riquezas que nós temos. Precisamos de uma política de industrialização para utilizarmos nossos recursos aqui no Maranhão, mas sobretudo precisamos qualificar nossa juventude para que nossos jovens tenham condições de ingressar no mercado de trabalho. Precisamos de tecnologia e expertise no nosso estado, e só conseguiremos isso através de investimento na educação.

Uma vez a senhora disse que tinha o sonho de ser prefeita de São Luís. Caso eleita senadora, esse sonho continua?

Eu amo São Luís e vejo que, como senadora, posso fazer muito por nossa cidade. Eu me candidatei duas vezes para a prefeitura e o povo não me quis prefeita. Não sei, honestamente, se ainda vou concorrer. Acho que a possibilidade é muito pequena.

Na primeira vez que a senhora se lançou à prefeitura, em 2012, teve 70 mil votos. Na segunda, em 2016, apenas 35 mil. Sabe me explicar o motivo?

A minha explicação pessoal é que eu acho que Deus não queria que eu fosse prefeita.

Mas 2016 também foi a primeira vez que a senhora foi testada nas urnas depois do impeachment de 2016, que votou a favor. Não acha que isso influenciou?

Eu acho que sim, mas que não foi decisivo. No Nordeste, outros parlamentares tiverem desempenhos favoráveis. Então, não sei se foi especificamente o impeachment, mas teve uma influência, porque as pessoas não tiveram compreensão da minha postura naquele momento, muito embora eu tivesse uma postura de coerência ao longo de toda minha atuação parlamentar. Votei duas vezes para investigar o Temer, contra a reforma trabalhista, contra a reforma da Previdência. Eu sempre votei por aqueles que eu sempre defendi. E o partido tomou um posicionamento e nós seguimos essa orientação.

Em seu discurso do impeachment, a senhora disse que a corrupção estava cristalizada naquele governo. Porém, ele era a continuação do primeiro governo à esquerda no pós-ditadura. Também disse que votava pelo Maranhão e pelo povo nordestino. Mas o Maranhão é o primeiro estado do Brasil que elege um governador comunista. Por extensão, podemos dizer que talvez seja o estado mais à esquerda do país. Como explicar para a população?

Eu não vejo a questão a partir da direita ou da esquerda. Eu vejo a política a partir do que é certo e do que é errado. Do que é corrupção e do que não é corrupção. Nós temos corrupção em ambos os lados e isso é uma realidade. Eu não apoio Flávio Dino porque ele é do PCdoB ou porque ele é de um campo ideológico. Eu apoio o Flávio Dino pelo modelo de gestão que ele faz. Então, a gente não pode se esconder atrás, às vezes, de um escudo, e por isso concordar com coisas que você não deve concordar, que é a questão da corrupção. Eu acho que a gente precisa pensar um pouco mais além. E esse passo é a responsabilidade pública, que eu adotei na minha vida. Minha atuação é num campo progressista, e sempre voltada para o combate à corrupção.

Mas nós não podemos deixar a ideologia de lado, pois (ao menos no meu entendimento) existem maneiras e maneiras de governar um estado. Não estou falando de corrupção. O que estou dizendo é que a maneira como Flávio Dino governa o estado o coloca mais à esquerda do que o governo anterior, que está mais à direita. Acredito que a senhora concorda comigo quanto a isso. Minha pergunta é: como explicar para a população que sua aliança com Dino não é por conveniência?

Mas eu apoio Flávio Dino desde 2006. Desde que ele era deputado federal. Estivemos juntos em 2008, votei nele para prefeito. Em 2010, votei nele para governador; 2012 fui candidata a prefeita; 2016 havia essas várias candidaturas aqui em São Luís; e em 2018 estou com ele. Então, não existe minimamente uma relação de conveniência entre eu e o Flávio.

Então, a senhora se posiciona à esquerda ou à direita?

Eu me posiciono a favor do Brasil, a favor do Maranhão.

O candidato Weverton foi o seu maior adversário no caso do impeachment, como é dividir o palanque com ele agora?

Tanto o Weverton, quanto os demais colegas que tiveram posições de voto diferenciadas… Hoje o que nós temos no Maranhão é um único partido, que está olhando acima de um campo ideológico. Nós estamos olhando para o Maranhão. E nesse olhar nós estamos nos unindo para ter um estado melhor. O Maranhão tem perdido muitos recursos por falta de um Senado forte que defenda nosso estado. Hoje, aqui no estado, nós unimos 16 partidos, das mais diferentes correntes ideológicas, para trabalhar em prol do progresso e da ação continuada de crescimento e desenvolvimento do Maranhão.

E como seria sua atuação no Senado, caso a oposição vença as eleições para governador?

Primeiro que isso não vai acontecer, Flávio Dino vai ser reeleito no primeiro turno. Então, eu nem penso nessa possibilidade de oposição. Agora, minha atuação vai ser em qualquer cenário, atuação em defesa do Maranhão. Eu nunca trabalhei por conveniência.

Na América do Sul, a pauta do aborto ganha força. O Uruguai legalizou recentemente, a Argentina provavelmente vai aprovar quando o assunto for colocado em pauta novamente no Senado. No Brasil, esse debate está em voga. Como a senhora se posiciona?

Eu sou contra o aborto. Sou a favor da vida. É um assunto que tem que ser discutido não na perspectiva ‘fazer o aborto’, mas de ‘não fazer o aborto’. Essa conscientização nós precisamos trabalhar de forma muito firme no Brasil, porque é uma vida, e eu sou muito clara em relação a isso.

A senhora tem forte atuação no direito das mulheres; é totalmente contra o feminicídio. Porém, o aborto é uma das causas que mais matam mulheres no Brasil. Como conciliar essa situação? Não acredita que é necessário deixar crenças religiosas e pessoais de lado e defender esse direito das mulheres?

Não, eu defendo a vida. Assim como eu sou fortemente contra qualquer tipo de mazela contra crianças, contra mulheres, contra as minorias brasileiras. O que nós estamos precisando no Brasil é de um programa de saúde pública adequada para as mulheres. Nós temos uma legislação clara em relação ao aborto, e esse atendimento precisa acontecer dentro da saúde. Nós temos um problema de morte de mulheres em relação ao aborto, como nós temos um problema em relação ao parto mesmo. Nós temos um alto índice de mortalidade materna hoje no Brasil, e isso se dá pela falta de condições adequadas na [área de] saúde brasileira. Ou seja, o problema não está na questão de se fazer aborto, está na falta de saúde pública brasileira.

Quem defende a causa diz que os abortos acontecem, seja legal ou não. “Mulheres ricas abortam, mulheres pobres morrem”. O que a senhora acha desse argumento?

Eu vejo que a saúde tem que ser prioritariamente para o pobre. O rico tem acesso ao plano de saúde, ele tem como resolver sua vida através de um hospital de qualidade, a mulher pobre não tem. Aí não é uma questão de legalizar ou não, é de ter acesso a uma saúde de qualidade. Infelizmente, há uma desigual social no Brasil. E essa desigualdade precisa diminuir, e com essa diminuição teremos saúde para todos. A questão não é legalizar para diminuir mortes. O que precisa é dar condição de saúde. E, outra coisa, a mulher que passa por qualquer tipo de situação como dessa natureza, nós temos uma legislação que a protege, ela pode normalmente ter um acompanhamento na saúde.

Talvez eu não tenha sido claro na minha pergunta, por isso vou tentar reformular: existem mulheres que ficam grávidas e querem abortar. Como senadora, a senhora…

Eu não concordo.

Mas não colocaria nem em debate?

Não. Eu não concordo. Nós temos uma vida.

Se ficou grávida, tem que ter o filho?

Claro. Eu sou a favor da vida. Sou contra o aborto, falei isso de forma muito clara inicialmente.

Estávamos falando sobre os problemas do Maranhão e do Brasil. Como um senador pode ajudar?

É, o Brasil e o Maranhão. Primeiramente, fazendo uma distribuição melhor dos recursos da União. (…) Meu objetivo como senadora é buscar mais recursos para que o Maranhão possa crescer e possa se desenvolver. Nós já perdemos muito dinheiro por falta de sincronia, envolvimento, pela falta de unidade. E essa unidade entre a bancada do Senado e o governador precisa acontece. A gente tem trabalhado muito para eleger os dois senadores do Flávio Dino, porque assim vamos ficar 2×1 lá, e assim a gente consegue ter maioria e encaminhar a busca orçamentária, porque o Senado tem uma responsabilidade em relação às grandes operações de crédito. Então, nós vamos conseguir fazer com que o dinheiro que está na instância do governo federal, em bancos nacionais e internacionais, possam chegar ao Maranhão.

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