OPINIÃO

Disputa nordestina entre Haddad e Ciro pode decidir a eleição

A região Nordeste, historicamente à esquerda, mais uma vez é a peça chave do xadrez político de 2018.

Fernando Haddad foi oficializado candidato do PT e de Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT) travam batalha particular no Nordeste, região que concentra 26% do eleitorado brasileiro e que virou fundamental desde que Lula rompeu com a tradição de focar campanha no Sudeste e viu na região mais pobre do Brasil não só o potencial para conseguir vencer as eleições, bem como tornar o país menos desigual.

A provável ida de Bolsonaro (PSL) ao segundo turno, com possibilidades reais de perder em qualquer cenário, acirrou ainda mais a disputa pelo segundo lugar no dia 7 de outubro. A região Nordeste, historicamente à esquerda, mais uma vez é a peça chave do xadrez político de 2018. Tanto que ambos os candidatos, Ciro e Haddad, já passaram pela região nos últimos dias, inclusive no Maranhão.

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Enquanto Haddad tem como trunfo o apoio do ex-presidente Lula, Ciro tem berço eleitoral no Ceará e traquejo para falar com o eleitorado vermelho – seu objetivo é atravessar a transferência de votos petista e subir nas pesquisas. A maioria dos votos nessa região deverá ficar entre os dois candidatos.

Fiel ao ex-presidente Lula, o eleitorado nordestino não deixou transparecer que a tal transferência de votos seria tão fácil, o que alimentou o candidato do PDT. Contudo, desde que foi oficializado, e se destacou em “debate” contra Willian Bonner na TV Globo, Haddad se consolidou como candidato viável não só para estar no segundo turno, mas para vencer as eleições.

Em entrevista recente ao O Imparcial, Ciro poupou o ex-presidente Lula, e se apresentou como alternativa. Haddad, por outro lado, também em entrevista a O Imparcial, demonstrou confiança na vitória (mesmo que, na época, ainda não tivesse sido confirmado candidato). A estratégia de ambos seguiu a mesma pelas cidades do Nordeste das quais passaram.

Ainda no Maranhão, podemos verificar um fenômeno típico do presidencialismo de coalizão – e que está acontecendo em outros estados nordestinos: o choque de legendas. Por aqui, Flávio Dino (PCdoB), o candidato de Lula, inclusive com sua colega de legenda Manuela D’ávila vice de Haddad, tem Weverton Rocha (PDT) como um de seus candidatos ao Senado, mas subiria no palanque de Ciro Gomes se o atentado contra Bolsonaro não tivesse forçado o cearense a cancelar sua agenda na cidade.

Ao que tudo indica, a disputa nordestina entre Haddad e Ciro poderá decidir a eleição.

*Paulista radicado em São Luís do Maranhão, filósofo e jornalista.

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