O deputado de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) foi esfaqueado na tarde de quinta-feira durante evento de campanha em Minas Gerais. Não ficou imediatamente claro a gravidade do ferimento.

O candidato estava sendo carregado por uma multidão em Juiz de Fora (MG), quando uma pessoa avançou em sua direção e deu um golpe em sua barriga. Os vídeos do ataque estão sendo compartilhados intensamente nas redes sociais.

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Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável, disse no tuíter: “Informações sobre o estado de saúde estão desencontradas (…) mas está fora de risco de morte”.

Outro filho, Flavio Bolsonaro, publicou que a ferida “era superficial e ele está bem”.

Caso Lula (PT) não consiga recuperar seus direitos políticos, Jair Bolsonaro é quem fica com a liderança das intenções de voto no primeiro turno. A pesquisa Ibope mais recente, divulgada nessa semana sem o nome de Lula, coloca ex-militar à frente com 22% de apoio aos eleitores. Seus rivais mais próximos são Ciro Gomes e Marina, empatados com 12%. A eleição acontece no dia 7 de outubro.

Bolsonaro conquistou um público ferozmente leal com um discurso de ódio contra as minorias e prometendo facilitar o porte de armas para civis e a morte de criminosos pela polícia, em um país que, segundo o Atlas da Violência, registra 30 assassinatos por 100 mil habitantes. A título de comparação, o número é 30 vezes maior que o da Europa.

No entanto, ele é amplamente desprezado pela maioria dos eleitores, principalmente pelas mulheres, que o consideram sexista, racista e homofóbico. Ele já foi acusado pelo Procurador Geral da União de incitar o ódio contra negros, mulheres e indígenas. A mesma pesquisa Ibope citada nessa reportagem mostra que Bolsonaro perde no segundo turno em todos os cenários. E a região Nordeste é onde ele tem o menor número de votos.

CANDIDATOS CONDENAM ATAQUE

O vice-candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad, se manifestou pelo tuíter. “Repudio totalmente qualquer ato de violência e desejo pronto restabelecimento a Jair Bolsonaro.”

Ciro Gomes também usou o a rede social. “Repudio a violência como linguagem política, solidarizo-me com meu opositor e exijo que as autoridades identifiquem e punam os responsáveis por esta barbárie”.

Marina Silva considerou a violência inadmissível. “Neste momento difícil que atravessa o nosso país, é preciso zelar com rigor pela defesa da vida humana e pela defesa da vida democrática e institucional do nosso país. Este atentado deve ser investigado e punido com todo rigor”.

Geraldo Alckmin comentou: “Política se faz com diálogo e convencimento, jamais com ódio. Qualquer ato de violência é deplorável. Esperamos que a investigação sobre o ataque ao deputado Jair Bolsonaro seja rápida, e a punição, exemplar”.

AUTOR PRESO

Segundo informações da Polícia Militar de Minas Gerais, foi instaurado inquérito contra Adelio Bispo de Oliveira, de 40 anos, preso em flagrante. A PM garantiu a integridade física do infrator e fez o encaminhamento dele para a Polícia Federal. Não ficou confirmado se houve linchamento, apesar dos boatos nas redes sociais de que Oliveira teria sido espancado por correligionários de Bolsonaro antes de ser preso.

IMPRENSA INTERNACIONAL

O grupo de mídia pública britânico BBC noticiou o fato com destaque na página inicial. O texto dá um breve relato do ocorrido, definindo o candidato como um “político controverso” que despertou ódio em várias pessoas no Brasil com comentários racistas e homofóbicos.

O também britânico jornal The Guardian divulgou o ataque em seu site. O veículo destacou os relatos dos familiares sobre a condição de Bolsonaro. O candidato é apresentado como responsável por polarizar opiniões no país com suas propostas de reduzir restrições ao armamento da população e seu apoio à ditadura militar (1964-1989).

O estadunidense The New York Times reportou os vídeos que circularam nas redes sociais mostrando o momento em que Bolsonaro recebeu a facada. O candidato é colocado como segundo colocado nas pesquisas, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva, cuja candidatura foi barrada e busca agora recurso no Supremo Tribunal Federal. “Apesar de ser um deputado desde 1991, Bolsonaro concorre como uma pessoa de fora do sistema (outsider) pronto para subverter o poder estabelecido (establishment)”

A emissora pública alemã Deutche Welle reportou em seu site o ataque caracterizando Bolsonaro como um concorrente com grandes chances no pleito presidencial de outubro.

O diário argentino Página12 classificou o candidato como de ultra direita, lembrou que um homem foi preso em flagrante, e disse que “a agressão altera ainda mais a tensa campanha eleitoral”. Além disso, informou ainda que os candidatos à esquerda imediatamente repudiaram ao ato de violência.

O portal da emissora estadunidense CNN fez um relato sintético do episódio, a partir das informações disponibilizadas pelos filhos do político.

As agências Associated Press também noticiou o caso repassando os relatos divulgados em redes sociais pelos filhos do candidato. O candidato é apresentado no texto como popular com muitos seguidores mas também um personagem promotor da polarização política.

BOLSA SOBE

Logo após o atentado a Bolsa de Valores de São Paulo, disparou, com alta de 1,75%, sendo cotado a 76.533 pontos, às 16h51. Em seguida, a bolsa recuou um pouco e fechou às 17h02, com alta 1,64% e 76.325 pontos.

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