ELEIÇÕES 2018

“Se houve mudança, foi para pior”, diz Roseana Sarney

Em entrevista exclusiva a O Imparcial, a candidata do MDB e ex-governadora Roseana Sarney fala de seus mandatos, suas ações, propostas e o atual governo de Flávio Dino

(Foto: Reprodução)

Em entrevista exclusiva a O Imparcial, a candidata do MDB e ex-governadora Roseana Sarney lembra de seu segundo mandato em 1995 quando diz que “implantando uma mentalidade nova, centrada no planejamento estratégico, levando o governo para o interior, criando as gerencias regionais, realizando obras em todo o Estado”. Ela não diz se vai repetir as gerências. Porém, faz um balanço das ações que marcaram seus 14 anos à frente do Palácio dos Leões, no qual destaca a geração de empregos, “revolução na área de saúde e educação”, a partir de 2009. Foi quando voltou ao poder pela cassação de Jackson Lago.

O Imparcial – A senhora foi governadora do Maranhão em quatro mandatos, o que a faz querer disputar mais uma eleição?

Roseana Sarney – Estamos passando momentos muito difíceis, com crise econômica aguda, muito desemprego, caos na saúde, problemas graves na educação, um descaso muito grande com as pessoas mais pobres, que sofrem com a interrupção de programas como o Viva Luz, o Viva Água e o programa do leite. Vou citar um número estarrecedor: você sabia que a cobertura vacinal, que protege principalmente crianças e idosos, foi de apenas 35% em 2017? A minha experiência, minha capacidade de gestão e os mandatos de deputada federal, senadora e governadora que o povo me deu me levaram a submeter meu nome novamente nessa eleição.

Como era o Maranhão no seu primeiro mandato (1995)?

Naquela época tínhamos uma realidade completamente diferente de hoje. Os governos anteriores, dentro do possível, fizeram o que as condições permitiram. Uns mais, outros menos. Lembro que José Sarney conseguiu fazer um governo extremamente realizador e de grandes obras, revolucionário para a época. O Maranhão não tinha nada, nem energia. Os que vieram depois também deixaram suas marcas. Em 1995 assumi e consegui avançar muito mais, implantando uma mentalidade nova, centrada no planejamento estratégico, na eficiência e produtividade, no equilíbrio das contas públicas, levando o governo para o interior, criando as gerências regionais, realizando obras em todo o Estado.

Na sua opinião, o que senhora considera de melhora na vida da população nos 14 anos à frente do governo?

Basta conferir o que tinha e o que deixei pronto e funcionando, como os mais de 4 mil quilômetros de rodovias novas e conservadas; a rede da Saúde, os mais de 70 hospitais construídos e colocados em funcionamento 24 horas por dia até nas cidades mais distantes; a redução histórica da pobreza, a qualificação de 400 mil pessoas e os mais de 120 mil empregos gerados com investimentos privados e públicos nos nossos últimos cinco anos e meio de governo; os programas sociais, como o Viva Luz, o Viva Água, o leite das crianças e o cuidado com os jovens do Primeiro Emprego; o respeito e o incentivo à cultura; as obras estruturantes na capital e no interior; o fortalecimento da Educação, com professores capacitados e promovidos; e as práticas fiscais que se modernizaram para viabilizar o Estado, mas que nunca extrapolaram a ponto de confiscar e leiloar o patrimônio do contribuinte mais humilde.

Quais foram os avanços que a senhora deixou como legado na economia e na política?

Eu saneei o Estado, dei-lhe capacidade de captação de recursos para investimentos, investi forte na infraestrutura, na saúde, na educação, na segurança e na produção, e ainda deixei R$ 1,9 bilhão em caixa sem sequer uma conta em aberto. Viabilizei indústrias no interior, como a Suzano, de papel e celulose, em Imperatriz, a Guza Nordeste, siderúrgica em Açailândia, a Eneva, de gás e energia em Capinzal e Santo Antônio dos Lopes, apenas para citar as de grande porte.

Como a senhora avalia o governo de seu sucessor?

Não vou criticar o atual governador. Mas ele, pelo que prometeu, falhou. Se houve mudança, foi para pior. Mais de 312 mil maranhenses voltaram à pobreza; o nosso PIB despencou 15% entre 2015 e 2017; o desemprego
hoje atinge 400 mil pessoas e os programas sociais, que eram a válvula de escape dos mais humildes, foram fechados. Uma pena.

A oligarquia política faz parte da história do Maranhão, qual sua posição sobre isso?

Não acho correto usar essa palavra e muito menos afirmar que oligarquia faz parte da história do Maranhão. Vivemos numa democracia. As pessoas se submetem às escolhas dos eleitores.

A senhora se considera representante da oligarquia Sarney?

Mais uma vez: acho um insulto ao eleitor tratar dessa forma as escolhas que eles fazem. Fiz o meu caminho com luta e trabalho. Agora, por ser mulher, há quem me discrimine e tente me rotular como subproduto. Entrei na política em 1990. Fui deputada federal, senadora, governadora, sempre por vontade do povo. Acho que devemos respeitar a vontade do cidadão, que escolhe os seus governantes com absoluta liberdade.

Cite, resumidamente, cinco pontos de sua proposta de governo para um novo mandato

Vamos retomar o programa de industrialização, para gerar muitos empregos, fazer a economia crescer e pagar melhores salários; recuperar o sistema de Saúde que está um caos – colocar todos os hospitais para funcionar, suprir a falta de médicos, enfermeiros, remédios e equipamentos; fortalecer a Educação, colocando tecnologia dentro das escolas e avançar com o ensino em tempo integral, que será reformulado com a inclusão de cursos de programação, webdesign, mídia eletrônica, etc; priorizar a juventude, criando ambientes de incentivo à inovação e ao empreendedorismo, com expansão do ensino superior, qualificação e programas de encaminhamento ao emprego; aumentar a produtividade da agricultura familiar; lutar contra os preconceitos de gênero, raça e opção de vida; vamos interiorizar o governo, fazer parcerias com os municípios, criar redes de gestão integradas com os prefeitos para melhorar os serviços à população; revitalizar a cultura e investir muito em segurança, focando na inteligência, no combate às drogas e no patrulhamento.

O que a senhora não conseguiu fazer nos anos em que governou o Maranhão e que fará, caso seja eleita?

Cada tempo tem suas necessidades. E todas elas estão limitadas à capacidade financeira do tesouro estadual. O povo maranhense conhece o meu jeito de governar – responsabilidade fiscal, planejamento, eficiência e honestidade. Vamos cumprir fielmente as prioridades que estamos anunciando nesta campanha, dar ao Maranhão o protagonismo nacional que ele perdeu.

O que falta para arrancar o Maranhão da condição de estado com os piores indicadores de pobreza do Brasil?

Estão piores agora, mas já foram melhores no meu tempo. Falta dar sequência a programas ousados de desenvolvimento como o que fizemos em cinco anos e meio, entre a metade de 2009 e o término de 2014; falta não interromper serviços estruturados, como o que deixamos na Saúde; falta olhar para o povo com mais carinho, mais atenção e mais cuidado, e não arrancar-lhe o pouco que ele tem, como se viu no caso do confisco das motos e carros.

Caso a senhora seja eleita, o que fará diferente em relação aos governos passados?

Eu sempre aprendo com os meus erros, com as críticas que recebo. Nunca tive a pretensão de saber tudo e desprezar a ajuda dos que podem colaborar com o seu trabalho. Sou humilde, sei ouvir, compreendo a angústia e o sofrimento das pessoas que buscam um auxílio. O momento exige união de todos: trabalhar com as prefeituras, a classe política, as organizações sociais, os líderes comunitários, as entidades de classe, os empresários e trabalhadores, os jovens, que estão ansiosos para dar sua contribuição aos desafios do nosso tempo.

Como será sua campanha, como principal oposicionista ao governo, que derrotou o seu candidato em 2014?

De absoluto respeito ao eleitor. Nunca utilizei a agressão, o insulto, o desrespeito e a falta de modos como instrumento político e comportamento pessoal. As pessoas me conhecem. Falarei dos princípios que vão servir de base para propostas, programas, projetos e ações que vamos construir juntamente com a sociedade. Governar não é um ato pessoal, exclusivo e autoritário. Exige diálogo, conhecimento, experiência, para se construir consensos que tragam benefícios a todos.

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